Arquivo da categoria: #crônica

O feminicídio tratado com arrogância

Hoje não pretendia voltar ao tema ‘violência contra a mulher’, mas me vi obrigada porque algumas situações são inadmissíveis e exigem posicionamento. No fim de semana presenciei a atitude de dois indivíduos, um tanto duvidosos, em um local público. O lugar estava cheio, principalmente de casais, quando, para a infelicidade de todos, esses dois entraram e, apenas bebendo, falavam alto e com arrogância, para que todos pudessem ouvir, sobre crimes contra a mulher, qualquer mulher, incluindo a de um deles.

Não vou contar os detalhes sórdidos dessa triste cena que presenciei, mesmo porque parecia uma cena ensaiada, com a intenção de provocar. Ninguém se manifestou, ninguém ali estava com a mesma intenção deles, apenas um momento de descontração, mas não foi o que aconteceu. Hoje venho pedir uma reflexão não apenas pelo comportamento do ser humano, mas, principalmente, pela índole provocativa, pelo chamado à confusão, pelo propósito simplesmente de incomodar com propostas graves, mas que aos olhos de um ser nitidamente sem nada de melhor a oferecer, chama atenção pelas próprias insanidades e maledicências, como se fosse um troféu.

Nossa sociedade vive em constante tensão nos abusos contra a mulher, por mais que se fale no assunto, parece que querem aparecer mais e mais, como se isso fosse um direito do homem para ganhar o título de poderoso. Isso não existe, definitivamente estamos em outro patamar, onde o machismo não cabe mais, muito menos o feminicídio falado abertamente em alto tom para quem quiser ouvir, e sem represálias, como de fato aconteceu.

Certamente o fim está mais próximo do que imaginamos, estamos num momento de absurdos, pessoas atropelando outras pessoas sem dó, carros sendo jogados para cima de propósito – com a intenção de matar, tiros por puro ‘nervosismo’, a palavra é bem outra. E agora matar é motivo de orgulho, e todos têm que saber disso, gera medo.

Segundo o portal do G1, em reportagem publicada em 3/7/2024,” 0 Brasil registrou 1.463 casos de mulheres que foram vítimas de feminicídio no ano passado — ou seja, cerca de 1 caso a cada 6 horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.” É inadmissível que ainda haja homens tão inescrupulosos que falem em alto e bom tom sobre matar uma mulher. Não existe nada que justifique matar alguém, muito menos se orgulhar disso. Pior do que falar é afirmar que faz e que essa é a maneira de punir uma mulher.

Até quando teremos que conviver com isso? Estamos no segundo milênio, no século XXI, já se passaram vinte e quatro anos do início, tudo mudou. As mulheres hoje contam com leis a seu favor, não existe mais inocente, não existe mais o medo e a vergonha de falar sobre o que acontece dentro de casa. Se existe homem que ainda acha que tem que matar a mulher, então também existe lei que leva pra cadeia homem assassino.

Não podemos mais admitir isso, mulher é um ser humano, trabalha, estuda, vive. Espero ainda ver mais amor do que ódio, mais respeito, mais educação. Sim, isso também é educação; incomodar é falta de educação, mas se vangloriar de matar, isso é o fim.

Adultização infantil

Já faz algum tempo que não estão tratam mais a criança como criança. Essa é a fase mais importante da vida, é onde começa a se formar o caráter de uma pessoa, é onde começam os primeiros ensinamentos da vida que moldarão a todos para a idade adulta. O que fazer para não inserir a criança no mundo adulto?

Primeiro é necessário que os pais ou o responsável pela criança tenha a noção de que a criança ainda está em processo de conhecimento e, para falar com ela, deve existir a preocupação de usar palavras e formas que a criança compreenda, de acordo com a idade. Não se fala com criança como se fala com um adulto, não é legal deixar a criança participar de assuntos que não é do mundo dela – nem tudo precisa saber, esse cuidado é muito importante.

O que tem acontecido no mundo atual é a exposição desacerbada diante da internet, principalmente em vídeos como Tik-Tok e Reels, com crianças fazendo dancinhas sensuais, falando como adultos. Algumas até viram influencers, ganhando curtidas e, não raro, com contratos com emissoras de televisão e patrocinadores, os quais os pais é quem gerem o negócio. Ou seja, não deixa de ser um trabalho infantil, pois tem obrigações com conteúdo para garantir o patrocínio. O excesso de telas certamente é o maior problema e causador do acesso, e, pior ainda, a influência que vídeos que circulam pela internet têm sobre as crianças, tornando-as ansiosas por quererem ser aquela pessoa da tela.

Naturalmente que sabemos que as crianças têm vida escolar regular e outras atividades, afinal os pais sabem (ou deveriam saber) bem das obrigações legais que se tem com um filho menor de idade. Tudo bem que a gente se derrete quando vê o filho fazer alguma coisa muito legal e quer divulgar, não acho de todo errado, mas tem que existir limite entre o mundo real e a fantasia. A criança não tem essa dimensão, essa é uma obrigação dos pais, que normalmente incentivam a exposição ou fazem vistas grossas às brincadeiras que os pequenos expõem nas redes sociais. A brincadeira é o meio de aprendizado da criança, se não tiver essa fase ficará cansada e desmotivada.

Os meninos também têm sua figura exposta, principalmente como influencer de jogos e também dancinhas na internet, se comportando como um mini adolescente. Entre os dois gêneros existe a vestimenta e aparência exacerbada pelo corpo, cabelo e roupas. As meninas ainda mais, maquiagem, acessórios e, inclusive, comportamento de mocinha, no andar e gestos. A criança torna-se vulnerável a informações e situações com as quais não sabe lidar.

 Certamente o mundo mudou muito nos últimos anos, mas a infância é curta, mas não por isso sem importância. É justamente por esse motivo que se deve dar mais atenção, aproveitar essa fase, que passa tão rápido, e fazer da vida das crianças um mundo muito feliz e repleto de brincadeiras, porque a vida adulta é longa e não tem brincadeira, quem brinca se dá mal.

Essa adultização causará muitos danos no futuro da criança, como lhe foi roubado o direito de ser criança, pode se tornar um adulto infantilizado, frustrado e vazio, despreparado para a vida adulta de verdade, afinal viveu essa fase fora da sua realidade cronológica de forma florida e fácil, mas que na verdade isso poderá lhe causar sérios problemas.

Se a criança pular essa fase vai dar um salto tão alto que lá na frente não saberá nem como chegou, e aí o mundo real vai apresentar situações que a brincadeira de criança pode se tornar um pesadelo, e isso não tem volta.  

De repente 60. E agora?

De repente 60. Seis décadas já se passaram, seis fases da vida foram cumpridas com sucesso – sucesso aqui é vida, não importa o porém, você sobreviveu. Quantas coisas passaram pela sua vida, quantas pessoas conheceu, umas ficaram, outras foram de passagem, outras se foram para nunca mais.

Nossas lembranças não esquecem jamais, é bom lembrar das coisas boas, não viver do passado, mas olhar para trás e ver quanta coisa já fez e aprendeu, e ainda não sabe tudo, e nem saberá. Quantas alegrias e tristezas, desafios, acertos e, principalmente, se orgulhar de quem você é. Isso é o principal de tudo na vida, olhar o seu caminho e saber que, apesar dos erros, tudo faz parte para chegar ao acerto, foram vencidas todas as etapas, e você está aqui para contar.

Esta semana completei minhas seis décadas, está só começando, mas estou feliz em chegar nessa fase, e lembrar de tudo o que aconteceu nesses sessenta anos de muita história para contar, das quais me orgulho muito. No entanto, quis colocar minha reflexão no papel, e assim colocar para refletir quem também já chegou, está chegando e ainda vai chegar.

Talvez tenha quem se assuste com a idade, mas é apenas um número, não é uma sentença, e quem faz esse número ser um peso é você. Quem disse que é tarde para se realizar um sonho, que agora é contagem regressiva, que você está velho, não sabe o que é viver intensamente.

Sonhos, quando a gente deixa de ter, é porque você está no seu fim; contagem regressiva a gente faz desde que nasceu – ninguém sabe o dia de amanhã, lembra da crônica do dia 11 de julho? Velho, só se quiser, só se sua cabeça envelhecer, se o tempo te fizer achar que não serve mais. Enquanto há vida soprando, cabeça boa e alegria de viver, haverá vida.

 Nesta fase já não temos mais o tal colágeno e nem o corpo de antes, mas carregamos experiências que naqueles anos nem sabíamos o que viria pela frente. Hoje, embora o viço da juventude já tenha ido, continuamos jovens pelo viço da sabedoria, da sensatez de saber quando falar e quando se calar, dar valor ao que realmente merece ter valor, fazer apenas o que quer, e se quiser. Ter consciência de quem você é, e não se importar com o que os outros vão falar. Enquanto falam sua vida continua indo muito bem, e assim não perde tempo em se preocupar com coisas pequenas.

Um dia fomos criança, jovens, adultos e agora, da melhor idade. Quanta coisa passou, quanto aprendemos, saímos de situações difíceis, mas agora vamos descobrir o que a melhor idade tem a nos ensinar. Deve ser melhor, porque já passamos no vestibular da vida, e agora, com calma, vamos entendendo tudo o que passou sem pressa. Vivendo, trabalhando, curtindo a vida e a família e sendo chatos, não dizem que idoso é chato?  Só fica chato quem chega até aqui, então bora viver mais algumas décadas? Mais sessenta vai ser difícil, mas ainda tem um tempo.

O que será do amanhã?  

Quantas vezes você deixou para fazer alguma coisa amanhã? Muitas, sem dúvida. E quantas vezes parou para pensar que o amanhã pode não chegar? Bem provável que nenhuma.

Vivemos tão certos de que estaremos aqui para sempre que não nos damos conta de que estamos apenas numa viagem, que um dia chegará ao fim, e pode ser amanhã, que você deixou para ir a algum lugar, visitar alguém que você ama e dizer eu te amo.

Não defendo que devemos viver extremamente preocupados com isso, senão seria horrível viver esperando o dia chegar, mas devemos dar mais atenção às pequenas coisas, que não são tão pequenas assim. Dar atenção a alguém, ou fazer aquilo que está esperando por tanto tempo, pode ser mais importante do que adiar um dia. E quantas coisas fazemos em um dia! Embora não pareça, nenhum dia acaba sem termos feito nada.

A rotina e as inúmeras questões que acontecem todos os dias nos levam a uma vida pesada e maçante. No trabalho quase não se vê mais uma pessoa procurar outro emprego, porque quer apenas mudar para um salário melhor ou um lugar diferente. Não raro, saem doentes da mente por excessiva exaustão, pelos inúmeros assédios sofridos, que acabam com as relações, não só no trabalho, mas também na família. É tanta a exaustão que não encontramos tempo e nem vontade de estarmos com as pessoas que realmente valem a pena em nossa vida. E desta forma deixamos para amanhã.

Também existe a incessante busca pelo material, pela beleza, para agradar e estar inserido nesta loucura que se tornou a vida. Acaba em frustração, em desânimo, doença. E essas buscas também são responsáveis por nos afastar do que realmente importa. Sorrir, sentir-se feliz em estar com quem se gosta, se sentar no chão sem se preocupar com o que vão falar, brincar com seu filho, dançar, cantar, pé na areia, contemplar o sol.

O amanhã pode não chegar ou não te dar a chance de fazer o que deixou para trás, e amanhã poderá estar doente, cansado, desanimado ou sem tempo. Amanhã pode chover, o mundo pode acabar, você pode morrer, pode não acordar. Faça da sua vida o melhor que puder, mas jamais esqueça o que realmente te faz feliz. Cada dia que passa é um dia a menos, então aproveite sua vida da melhor maneira, não se preocupe com coisas, se preocupe com as pessoas que valem a pena. Não deixe para amanhã, o momento é agora.

Os fins que enfrentamos

Tudo um dia chega ao fim, independentemente da sua vontade. A vida, uma relação, o trabalho, uma amizade. São muitos os fins com os quais dificilmente sabemos lidar, mas que, com o famoso tempo, tudo passa e descobrimos que podemos continuar sem, por mais estranho e doloroso que possa ser no início, quando sofremos e negamos, mas passa.

Por que falar no fim se a vida é linda? Por que a vida já começa sabendo que tem um fim, então como podemos carregar a ilusão de que nada acaba? Caso a dor e as situações que precisamos resolver não acabassem, jamais conheceríamos a felicidade.

A criança, quando nasce, está com o seu livro totalmente em branco, tem tudo para aprender, mas assim que começa a entender também já começa a sua vivência, e assim se apresenta o sim e o não, causando sentimentos, reações que serão trabalhados ao longo da vida, e nunca acabam.

Tudo o que aprendemos na infância terá impacto determinante na vida adulta, e se não formos bem-preparados, não aceitaremos a dura realidade que a vida nos mostra diariamente, e nisso faz parte o fim, o qual muitos não aceitam e acabam cometendo insanidades em nome da recusa.

Certo dia, fiz um comentário numa conversa informal sobre mostrar aos filhos que a vida não é cor de rosa, para que mais tarde não tenham a dura realidade jogada na cara, e não encontrem o aconchego de pai e mãe, mesmo porque a vida lá fora é uma luta diária. Fui repelida com a resposta: ‘Sempre vou dar tudo o que as minhas filhas quiserem.’ Ok, hoje são adultas e ele já não é mais um menino, será que escolheu o melhor caminho? Não sei, mas o mundo que estamos vivendo hoje não é nada cor de rosa, imagina para quem recebeu tudo de mão beijada ter que enfrentar esse ringue sem um protetor?

Eu ainda prefiro à moda antiga, quando os pais nos mostravam a vida como ela é, feliz mesmo não tendo tudo o que quer, aconchego pelo calor do abraço dos pais, não pelo jogo do momento ou do que tudo mundo tem (é momentâneo), e saber que nada dura para sempre, nem nossos pais, nem os presentes, nem nós. Crescemos, sonhamos, realizamos alguns sonhos e outros não, conhecemos a tristeza e a felicidade, o amor e o ódio, a escassez e a bonança. Sobrevivemos e, apesar de tudo, ainda somos felizes.

E quem nunca conheceu o fim chegará um dia em que terá que conhecer, e vai descobrir que o mundo não é tudo, é mais nada do que tudo, porque o tudo foram seus pais que te deram, mas lá fora tem quem insiste em tirar o seu tudo. Não tem cafuné, tem mensagem fria te colocando ao par do fim. E serão muitos os fins.

Entre o bem e o mal

A triste realidade de constatar que a polarização deixou uma parte da humanidade extremamente ruim, destilando o ódio, e a outra do bem, que não consegue viver em paz. Como podemos ver, o mau tenta a qualquer custo destruir o bem. Por quê? Valores que antes eram importantes, como o caráter – que já não tem mais tanta importância –, deixaram de existir, ou de ser valorizado. A “modernidade” distorcida criou um desvio que não tem remédio, não tem tratamento, apenas vai, sem rumo e sem preocupação com as consequências que podem trazer, mesmo porque arruma-se outras saídas para se defender.

Enquanto uns lutam pela paz, outros querem mais a desordem, a briga, o poder físico de espaço, lugar, dinheiro. Destruir as virtudes ou a honra, reputação moral, são tantos os maus feitos que nem dá para enumerar, só sentir. Perdemos o controle de tudo, não há mais nada que possa ser feito, esses atributos são mundiais.

Os inúmeros preconceitos que estão aí só nos mostram o tamanho da insensatez das pessoas, por mais que se fale sobre o assunto mais aparecem pessoas destilando seus ódios, como se alguém nesse mundo fosse perfeito ao ponto de apontar o dedo para o outro sem se preocupar com seus defeitos e imperfeições. Afinal, quem aqui está apenas desfilando ou passeando pela Terra? Quem não tem um único probleminha na vida ao ponto de zombar de outros? Ou ainda, achar que está por cima?

Estamos vivendo o cada um por si, e tentando dar continuidade à vida à sua própria sorte. Em casos como preconceitos e diferenças sociais, vimos os acontecimentos sendo levados como se a vítima fosse culpada e o culpado fosse a vítima; ora, fatos são fatos e ponto final. Até quando teremos que assistir a essas desigualdades? Até quando?

Essa crônica é o ponto de vista de uma pessoa que vive nesta sociedade, nesse País, e acompanha os fatos com muita leitura. Não estou replicando falas de ninguém, apenas expresso minha visão, principalmente de tudo o que anda acontecendo. Sei que não existe somente a maldade, ainda temos seres humanos do bem, e são muitos, só não estão em evidência tanto quanto os maus, mas isso não importa, o que interessa é que por causa dessas pessoas (do bem) “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” (trecho da música “Nossos pais”, de Belchior).

Precisamos falar sobre isso

O assunto ‘mulher’ sempre estará em evidência, seja positivo ou negativo. A mais recente é sobre o aborto, como todos já cansaram de escutar. Mas precisamos falar sobre isso, precisamos discutir os caminhos tortuosos a que estão levando um assunto tão sério, e de maneira incabível, um amontoado de hipócritas, que só têm um interesse, a baderna.

Mais uma vez a mulher está sendo usada para provocar um embate desnecessário, por um acontecimento que só diz respeito às mulheres, e quando o assunto for com crianças, ou adolescentes, a decisão cabe única, e exclusivamente, à família ou responsável legal, e mais ninguém. A Câmara dos deputados foi eleita para cuidar dos interesses do povo brasileiro, e não dos próprios interesses. Embora seja um assunto relevante e que necessite de regulamentação nas leis, e isso já existe, mas não colocar a mulher na posição de criminosa. Primeiro porque ela foi acometida por um crime contra seu corpo e sem seu consentimento, e levar uma gravidez indesejada ou que possa trazer danos à saúde, não tem justificativa para isso.  

Enquanto isso, discutem o absurdo de penalizar a violentada pelo ato do aborto, após vinte e duas semanas de gestação; lembrando que esse tempo só pode chegar por inúmeros motivos, dentre eles o fato de ter que entrar na Justiça para provar o estupro e, claro, esperar pela decisão. Desta forma a vítima passa a ser culpada, enquanto o estuprador recebe um afago na cabeça pelo ato cometido.

Ora, só falta dizer que aquela menina, mulher ou criança provocou o ato, afinal mulher é o foco das insanidades de machistas que ignoram sua atitude, e que deixam a vítima em situação de completa incapacidade de se proteger, de ter a lei a seu favor. A vítima se torna culpada, enquanto o culpado se torna vítima.

A mulher não pode gerar um filho do estupro, essa criança não terá amor, será rejeitada, odiada. Não se pode criar um filho indesejado de uma pessoa indesejada, às vezes não se sabe nem quem é, como obrigar uma gravidez dessa? Alguém se preocupou com o estado emocional dessa mulher? Passar por todos os estágios de uma gravidez sem que seja da sua vontade? Ter esse filho em nome de um ato violento? Nem que entregue para adoção, estamos falando de um abuso e não de amor. Quem pensa assim só colabora para o abandono. E aí são dois crimes, o estupro e o abandono. Quem vai pagar por isso?

A verdade é que essas pessoas que concordaram com essa lei absurda também têm ou terão filhas, netas, mulher, mãe, irmã, que podem sofrer um abuso e devem entrar nessa mesma lei, ou não vai?  Jamais saberemos, vítimas sempre estarão nos noticiários policiais, jamais nas capas de revistas.

Planeta Terra

“Terra, verso mais bonito dos planetas, estão te maltratando por dinheiro…” (Beto Guedes) Essa música é de 1981, numa época em que o mundo ainda não era tão cruel, e a letra já falava sobre a exploração da natureza pelo homem. Depois de quarenta e três anos continua atual, só que com consequências às quais não foi dado o devido cuidado, deram de ombros, e hoje sofremos com as tragédias, essas que foram anunciadas e ignoradas, como se existisse donos dos mares, dos rios, das matas, das terras. Não, ninguém é dono de nada disso, mas quem acredita?

Por tanta negativa e obsessão pelo poder, acabou que o homem explorou o que não lhe pertence, afastando ou aterrando mares e rios para o crescimento dos arranha-céus espalhados por aí. Devastando vegetação para uso da máquina financeira, destruindo, desta forma, o ar que hoje não respiramos mais.

Alguém vai dizer. ‘Mas as cidades precisavam desenvolver e crescer’, sim, precisavam, mas não da maneira despreocupada como foi, não temos mais muito verde nas grandes cidades, é solo, concreto que não permitem o escoamento das águas. Enchentes todas as vezes que chove, esgotos que não dão conta, o volume de água é cada vez maior, enquanto os asfaltos crescem.

Agora, nesta tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul, podemos enxergar o que não podemos mais deixar que aconteça, muitas perguntas se têm a fazer sobre isso, poucas são as respostas, mas sabemos que não é o único lugar que pode ter sido devastado por conta desse descaso. Muitas outras capitais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo estão condenadas a sofrer o mesmo, afinal as terras da natureza estão cada vez mais escassas, e onde o solo de cimento e asfalto prevalece, para onde a água terá vazão?  Ou será que os rios e mares estão retomando seu lugar de origem, que lhe foi tirado para crescer o solo cimentado? Qual será a providência a ser tomada para um longo prazo de retorno de normalidade? Se é que tem retorno.

Quem sofre com isso? Todos nós, na revolta da natureza não tem privilegiados, bairros, casa, lugar, é tudo igual, são todos habitantes da Terra. Três das principais fontes da vida são a água, a terra e o ar, estão sendo consumidos pela ganância do homem. A natureza retoma, mas a vida não.

Mães e filhas

Toda mulher sonha em ser mãe de menina, mas claro que ser mãe de menino também é
maravilhoso. Eu tenho os dois, e ter um filho é ter um apaixonado por você pro resto da
vida. Mas a menina é aquela bonequinha que você brincou de mamãe e filhinha e que se
tornou realidade. Enfeitar a menina com laçarotes, vestidos e acessórios dá enorme
prazer. Mas elas crescem, e depois, como fica?
Desde pequena aprendemos a ser mãe, cuidar, alimentar, levar para passear e estar
preocupada sempre. Quando temos nossas filhas, não substituímos pelas bonecas, pois a
realidade é bem mais difícil do que nas brincadeiras. Conforme crescem começamos a
ver nossas bonequinhas transformarem-se em adolescentes, cada vez mais cedo, e aí é
que passamos a ter uma amiga e companheira para sempre. Ou não. Nessa fase as
meninas costumam ser rebeldes com as mães. É difícil, mas ainda bem que passa rápido.
Na maioria das vezes tornam-se muito próximas de nós. É bonito ver a amizade de mãe e
filha .Sair junto, conversar, tomar aquele café no shopping, te pedir opinião e,
principalmente, te entender. Isso, com certeza, vem bem mais tarde, já que muitas coisas
só entendemos depois que somos mães; antes, somos chatas.
Que bom né que tivemos uma mãe chata. Só assim pudemos aprender a ser uma mulher.
Se não tivesse essa mãe chata seríamos perdidas, sem rumo, sozinhas… E isso tem,
mães e filhas que não se entendem, não são amigas. Muito triste ver essa situação.
Sonhamos com a maternidade, mas nem sempre nos traz bons resultados. Será por não
darmos a atenção necessária, por não aceitar um filho difícil, por falta de “tempo”, que não
tem justificativa, ou apenas por deixar a vida levar? Um filho precisa muito mais do que
tudo isso junto, tudo vale a pena, mesmo que não dê certo alguma coisa. Mas com filho
tudo vale, até o que você acha que não. É só enxergar tudo diferente, olhar e entender
que aquele foi destinado a você para cuidar e ensinar. É seu, depende totalmente do seu
amor e cuidado, e isso é para sempre.
Sua bonequinha só cresceu; no meu caso chamo de minha florzinha, mas ainda estou
regando. Enquanto estamos aqui precisam daquele mesmo cuidado do começo, com
carinho e dedicação. Filho é para sempre, e amor não acaba, o que acaba é atenção e
cuidado. Todos somos filhos, e se estamos aqui é porque tivemos uma mãe que não
desistiu de nós. Então continue a cuidar da sua, não desista, sua obra é perfeita. O que
vai fazer dela? Amar, amar e amar. E a minha florzinha? Ah! Já deu flor, mas continuo a
regar….

Saudosismo. Do que você sente saudade?

A saudade é um sentimento normal do ser humano, mas o saudosismo é muito maior
por se tratar de uma época, uma parte do passado da vida. Já há algum tempo isso vem
crescendo em um nível, digamos, maior do que acontece normalmente, onde o atual e o
antigo esbarram de uma forma saudável. Mas não é assim que tem acontecido.
Bem devagar começou a se falar do velho e saudoso vinil, a bolacha ou LP, como se
falava. Quem não se desfez dos seus LPs para dar lugar ao CD? Por qual motivo
acreditamos que nunca mais sentiríamos saudades? Ou que não precisava se desfazer
das relíquias das nossas vidas tão ricas de passado? Não pensamos nisso, e eles
voltaram tão intensos que os artistas do passado e os novos aderiram às gravações em
vinil, e quem guardou seus aparelhos, hoje pode ouvir seus artistas prediletos no
aparelho de som com toca discos, quem não guardou paga caro por uma relíquia.
Mas não foi só isso que voltou, é muito comum fazer uma pesquisa de decoração de
casa, ou até mesmo acabamento e encontrar os ditos retrô ou vintage, paredes de
cozinha pintadas pela metade, rádios com designer antigo, vitrolas, aparadores, cadeiras,
tudo misturado com o novo. A moda que vai e volta, as músicas que tocam e fazem
sucesso até hoje, os conjuntos antigos lotando estádios, sejam brasileiros ou
estrangeiros, e até novelas antigas regravadas e fazendo o mesmo sucesso de antes. O
que está acontecendo?
O povo está com saudades do mais simples, da felicidade de um passado que, apesar
dos pesares, era mais leve. Ostentar era ter uma vitrolinha no quarto, era ter um móvel
com o aparelho de som mais potente e muitos vinis para ouvir, ter telefone em casa;
nem todo mundo tinha. Eram poucas as coisas, mas éramos felizes.
Os conjuntos que fazem sucesso compuseram músicas imortais, letras e melodias,
fizeram história, e isso não tem preço, não tem fim, ficam para sempre. Existiam
problemas? Claro que sim, o mundo nunca foi perfeito, mas não era tão imperfeito
como agora. As novelas estão sendo recuperadas porque as histórias, apesar de terem
fatos perturbadores, saíam da mesmice, eram interativas e cativantes, coisa que agora
são meses no mesmo assunto. Cansa.
As pessoas estão em busca de algo, de recuperar uma parcela daquilo que fez um dia
suas vidas felizes. Seja um objeto, uma música, uma roupa, seja lá o que for, você foi
feliz. O saudosismo exacerbado é um resgate, é um olhar para o passado que não volta
mais, apenas faz bem, nem que seja por alguns minutos, a felicidade volta igual ao
momento que você viveu, se mistura com o presente, e molda o seu futuro. Seja feliz
agora, um dia vai lembrar desse momento como se fosse hoje.