Até quando a sociedade fechará os olhos para  importância das mulheres?

Somos discriminadas, expostas e colocadas num lugar que não nos pertence, mas há mulheres que fazem a mesma coisa com o próprio gênero. Colocam a outra no lugar pejorativo pelo qual lutamos contra, mas por quê? Criadas numa sociedade machista, acham que realmente somos incapazes, ou algumas devem passar por isso ou aquilo? Não, mulher é igual em qualquer situação, em qualquer contexto da história, não é uma via de mão dupla, essa merece a outra não, nenhuma merece ser ridicularizada, ameaçada ou morta, todas estão no mesmo barco.

Dizem que mulher não é amiga de mulher, é uma competição de lugar, de importância, de ser, e por isso tanta desunião, mas o que falar sobre aquelas que diminuem e rebaixam as outras, ou tomam atitudes machistas no trabalho? Acho que é preciso nos unir pelos nossos direitos enquanto seres humanos que somos, demonstrar nosso valor. Falar sobre o que cada uma já fez, o que passou na vida, ninguém mostra. Temos histórias de muita revolução, de muita luta, que somente uma mulher sabe o que isso significa. E por que não contar?

É o que vou falar no episódio número 22 de amanhã no meu podcast, Pod Mari? Comemorando seis meses de muita entrevista com profissionais de todas as áreas que trabalham diretamente com a saúde mental, resolvi trazer o assunto “Mulheres que superam”. Devemos falar mais dos problemas enfrentados na vida de uma mulher, os desafios, a maternidade, a profissão, a discriminação, o abuso.

A sociedade mundial é cruel com as mulheres, não podemos deixar que nos vejam como um objeto frágil, o qual não tem condições de lidar com seus problemas sozinha. Não somos frágeis, somos mais fortes do que imaginamos, conseguimos conceber uma gravidez, ter o filho, criar e conquistar o impossível, aos olhos de alguns, mas muito possível aos olhos de uma mulher. Por um filho se faz tudo.

As “mulheres que superam” trarão três histórias de superação de fatos diferentes, mas que mostram o poder da mulher na sociedade e ninguém aplaude. Não somos apenas um corpo, somos muito mais do que isso, somos o sexo forte, que resiste, enfrenta e trabalha. Sua batalha é forte e incansável, três jornadas e ainda está plena para dizer. Sou mulher!

Qual mudança tivemos na sociedade nos últimos quarenta anos?

Estava lendo esta semana um livro da faculdade. “O que é família?”  Posso afirmar que a análise daquela época, anos 80, é completamente arbitrária aos dias de hoje. Falava-se sobre impor a forma e legalização das relações sexuais e regras sociais para ‘procriação’, onde o sexo era um bem de consumo. Seria impossível existir uma igualdade entre homens e mulheres que permitisse a transformação das relações sociais enquanto nossa sociedade fosse patriarcal e discriminativa das mulheres, sexista, dividida em classes.

Pois bem, relações sexuais e regras para procriação são um tanto pesadas para pensar nisso, já que o sexo era pensado para esse fim, e não para uma relação à dois. Mas, em contrapartida, carregamos, ainda, após quarenta anos, o fardo da sociedade patriarcal e discriminativa contra a mulher, que não evolui, que está presa a uma sociedade machista e que só piora. Qual foi mesmo a evolução que tivemos?

Não tivemos nenhuma melhora no campo social, só piorou. Os feminicídios estão aí para contabilizar essa sociedade retrógrada, a qual trata o homem como poder e a mulher na submissão. Não, isso não cabe mais nos dias de hoje, nenhum homem tem o poder de mandar em uma mulher, muito menos matar. Nenhuma mulher deve ser submetida ao abuso de um homem. Evoluir mentalmente também é mudar os dogmas de uma sociedade.

A evolução entre homens e mulher foi para piorar a situação, homens cada vez mais agressivos, incapazes de aceitar a independência e colocação das mulheres no mercado de trabalho. Crescem cada vez mais os red pills, preparando jovens para esse mundo insano da agressividade contra a mulher, sendo que estão indo contra sua própria existência. Afinal, suas mães são mulheres que pariram esses homens tão incapazes de usarem sua masculinidade para o que deveria de fato, e não é matar.

Agora, alguns machistas que estão no poder decidiram arquivar a emenda que torna crime a misoginia para depois das eleições. Por que será? Alguém sabe? Mulheres, ao votar, pesquisem sobre seu candidato, pois mulher que vota em machista não pode reclamar depois. É importante que se saiba muito bem quem é quem, para mais tarde não fazer parte da estatística e culpar os outros.

A família, sendo a base de tudo, deveria ficar mais atenta aos exemplos que está dando aos filhos, do que aos presentes caros que não compram dignidade e caráter. Presença e bons hábitos fazem a diferença. Pais agressivos criam filhos agressivos, pais trabalhadores criam filhos iguais, pais que usam a malandragem também estão criando filhos malandros. Portanto, seu comportamento vai direto ao encontro do que você faz.

Família não é uma casa com dois filhos e um cachorro, vai muito além disso. São valores, dignidade e respeito que formam o caráter, sem isso só se repete o ciclo de gerações de homens machistas e agressivos. Para os que têm uma filha, parem e pensem. É um homem como você que espera para sua filha? Pense bem. 

O que você gostaria de reviver?

Se pudesse voltar no tempo, o que mais gostaria de reviver? Temos tantas lembranças que fica difícil escolher uma, ainda mais para quem viveu o século passado. Parece estranho falar assim, parece tão antigo, mas não é, foi logo ali, passados vinte e seis anos. Quanta coisa mudou.

Alguns vão lembrar da infância, outros da adolescência, outros da vida adulta, mas cada um tem sua própria história para lembrar, momentos que passaram no tempo, mas não na memória. Existem coisas que seguem vivas na gente, a vida é passageira, mas ao mesmo tempo, quando olhamos para trás, vemos o quanto já vivemos, passamos por situações, crescemos, tudo passa sem perceber.

Não notamos as diferenças na aparência, o quanto uma criança de ontem é um jovem hoje, e parece que até outro dia estávamos brincando no chão com aquele bebê. É, a vida passa, as pessoas passam, algumas se vão, outras ficam, mas tudo muda, nós mudamos, amadurecemos e enxergamos tudo tão diferente.

Talvez o melhor da vida seja exatamente isso, nossas lembranças. O que está vivendo hoje será a lembrança daqui a alguns anos, mas não nos damos conta disso. Se hoje encontrar alguém que faz tempo que não vê, irão lembrar do passado, mas hoje também ficará no passado. É tudo tão confuso, mas também bonito.

Para você que está lendo essa crônica agora, esse momento fará parte do seu passado. Talvez vá se lembrar, talvez não. Vai tentar lembrar onde leu sobre isso, vai ficar na janelinha da sua memória, é assim que aprendemos, não precisa lembrar, ficou guardado.

Vou contar minhas memórias, ficarão entre letras e linhas para quem quiser saber. Meus futuros familiares saberão em detalhes como os ancestrais viveram. Será que alguma coisa vai mudar? Seremos exemplo? Provavelmente não, seremos o passado.