O futebol brasileiro sempre foi tratado como símbolo de alegria, talento e orgulho nacional. Mas, nos últimos anos, a Seleção parece ter perdido algo que vai muito além da técnica: perdeu comando, maturidade e identidade. Em campo, não basta vestir a camisa mais pesada do mundo; é preciso honrá-la com liderança, garra e responsabilidade. Quando um time cheio de estrelas não encontra alguém capaz de conduzi-lo nos momentos decisivos, o resultado deixa de ser apenas uma derrota esportiva e se transforma em um retrato incômodo de despreparo, vaidade e falta de compromisso. Afinal, quando falta liderança, sobra vergonha.
Não entendo de futebol, mas durante a Copa do Mundo, ao assistir a vários jogos, percebi algo que fez toda a diferença para uma equipe chegar à final: a liderança dentro de campo. Não me refiro apenas à liderança do técnico, que orienta e comanda a equipe do lado de fora, mas à presença de um líder entre os jogadores. E esse líder, literalmente, o Brasil não tem. Pelo menos nesta Copa não teve, e o que se viu foi um time sem alma, coração e força. Algo que sobrou em outras seleções.
Desde o primeiro jogo enxerguei uma equipe desentrosada, à espera da entrada de um “ídolo” que não lidera nada, nem dentro nem fora de campo. Ao contrário: demonstra completa imaturidade, assim como o restante do time, que parece aguardar uma ordem que nunca chega.
Fiquei impressionada com a competência das seleções africanas. Algumas já eram conhecidas, mas outras estrearam com uma força surpreendente — e que estreia! A seleção de Cabo Verde, por exemplo, foi excepcional quando comparada à nossa: jogou com vontade, raça e entrega, algo que não vimos em nossos jogadores. Além dela, muitas outras seleções entraram em campo com essa mesma determinação, assim como equipes europeias e a Argentina. Falem o que quiserem, mas eles jogam pela pátria: cantam o hino com vontade, demonstram amor à camisa, correm, lutam e são capazes de virar o jogo nos minutos finais. Isso se chama garra.
Messi, no auge de seus 39 anos, deu um verdadeiro exemplo em campo e superou, em atitude e entrega, nomes como Neymar e Vini Jr, que no último jogo caminhou em vez de correr, à espera do chamado “ídolo” para tentar mudar a partida. Neymar entrou, mas o que se viu foi mais do mesmo: perdeu jogadas, brigou e terminou a participação com atitudes imaturas, mesmo tendo feito um gol de pênalti. Foi uma demonstração de despreparo para o mundo inteiro assistir.
O que existe na Seleção Brasileira é falta de preparo psicológico e de entrosamento. A maioria dos jogadores atua fora do país, sai muito cedo, defende clubes estrangeiros e recebe salários milionários. Ainda imaturos, agarram as oportunidades financeiras, mas parecem ter perdido a raça pelo futebol que existia antes. Não se vê amor, tampouco preocupação em representar bem o Brasil. Depois da derrota, apenas um jogador voltou ao país. Isso é amor à pátria? Para mim, isso revela falta de interesse pelo próprio país.
No jogo que garantiu a vaga para a semifinal, Messi pediu calma à torcida que estava inquieta com o resultado. Isso é controle emocional, maturidade e preparo. Ele conduziu sua seleção com competência, e os outros jogadores sabiam com quem podiam contar. Afinal, quem é o nosso líder?
O “menino Peter Pan” não cresceu, não amadureceu e continua preso à molecagem. Nunca conseguiu fazer algo realmente decisivo pela nossa Seleção e, ainda assim, depois de tudo, surge um vídeo projetando-o em 2030 segurando a taça. Piada? Se jovem ele nunca conseguiu se consolidar como um verdadeiro líder da Seleção, dificilmente será perto dos 40 anos que conseguirá. Diferentemente de Messi, que, aos 39 anos, ainda disputa em alto nível e talvez conquiste sua segunda Copa consecutiva.
Recentemente, vi uma foto da Seleção Brasileira de 1958, campeã mundial com Pelé. Os jogadores estavam em uma estação de trem, aguardando a partida. Não havia regalias, roupas estilizadas nem todo o luxo que vemos hoje. Ainda assim, jogavam futebol de verdade. Isso me fez pensar: quantos gostariam de ser jogadores hoje apenas pelo amor ao futebol, sem ganhar milhões? Talvez poucos. Talvez a Copa do Mundo nem tenha mais a mesma importância para quem entra em campo. Nós torcemos pelo país; eles, aparentemente, por outros interesses.
A Seleção Brasileira deixou de ser a melhor do mundo há muito tempo. Sem preparo psicológico, liderança e união, talvez nem tenhamos chance real na próxima Copa. O Brasil precisa rever seus conceitos, inclusive a divisão clara de poderes e interesses que também interfere no futebol e acaba afetando a alegria de um povo. Vivemos na ilusão de dias melhores, acreditando em promessas que jamais serão cumpridas, em pessoas vendidas, em poderosos sem caráter e em um futebol que um dia foi motivo de orgulho, mas que hoje se tornou símbolo de vergonha nacional.