Feche a porta e abra sua vida

Em muitos momentos, vivemos no automático e esquecemos de desligar e olhar para dentro; quase sempre isso acontece no momento da dor. Não seria melhor darmos atenção aos nossos sentimentos, à nossa intuição? Sem dúvida, mas não é assim.

Perseguimos a busca, e qual busca? Pode ser financeira, carreira, conhecimento, ou até mesmo preenchimento de vazio, e quem não toma conta disso, deixa a vida te levar, como se não tivesse destino. É aí que mora o pecado consigo mesmo. Quando deixamos de nos olhar como prioridade, deixamos que o fluxo da vida siga sem cuidados, e nem sempre é aquele caminho que desejamos.

Não dizem que a vida é curta? Então, por que deixar sem seu olhar? Um dia seu corpo já não responde mais com a vitalidade de antes; o tempo passou e não viveu o que sonhou, e vem a culpa. É por isso ou aquilo; tem que ter um culpado, a terceira pessoa, mas a verdade está em primeira pessoa, você mesmo. Por que deixou passar, ou por que não fez nada para mudar? E a resposta é: não sei.

Sabia o que não queria mais, o que incomodava, o que sonhava, mas preferiu e deixou passar como se nunca fosse chegar o fim. O que mais importa são nossas realizações, os propósitos que temos, a evolução.

Fechar a porta e deixar ir não é fraqueza, é maturidade e cuidado consigo. É se importar com a saúde, bem-estar e saber dizer não! Quando o seu comportamento é de não permitir, você está consciente da sua vida, e isso só diz o quanto é forte e sábio para aceitar ou não o que te acontece externamente. Abrir-se para a vida é o que se espera; priorizar-se não é egoísmo, é amor-próprio.

Os problemas sempre existirão, mas não precisa acolher e dar abrigo. Tenha coragem para entender, analisar e não aceitar. A felicidade é feita de momentos, e esse pode ser o melhor momento, quando não se aceita o que dói.

A maternidade e seus desafios

Durante muito tempo se falou sobre ser mãe, ser mulher, mas esqueceram de contar o que isso significa de verdade. Romantizar apaga a dor e a delícia de ser mãe. Sim, é o amor mais lindo e puro que sentimos por um filho, mas não é fácil ser mãe, começando pela gravidez, que já nos traz logo de cara algum sintoma que demonstre que algo não está normal no seu corpo. Enjoo, tontura, azia, nojo de alguma coisa. Isso significa que o óvulo encontrou o espermatozoide.

Não para por aí; são muitos os sintomas e as modificações ao longo dos nove meses que espera. Transformações no corpo, os hormônios, sentimentos à flor da pele, fome. Vira tudo ao extremo. Em contrapartida, tem os preparativos para a grande chegada, e esquecemos um pouco que em breve passaremos por um parto, que pode ser normal ou cesariana; qualquer um deles tem suas dores.

Essa parte não te contaram, mas você terá que enfrentar uma anestesia na vértebra da sua coluna. O neném tem sete camadas de pele para sair por uma cesárea ou pela dilatação para o parto normal. A dor, o estresse do corpo feminino, as emoções, tudo é um turbilhão naqueles minutos, mas a mulher ainda para ver o bebê pela primeira vez e chora de emoção, enquanto está aberta ou sendo suturada; não chora de dor. Esse é o chamado sexo frágil! Imagina se não fosse.

Volta para casa, dor do parto, dor para amamentar, um bebê que chora e você não sabe por que, seu corpo ainda está sob efeito do parto, tudo está fora do lugar, mas ainda assim deverá ser forte e suportar tudo. E, nesse momento, somos malvis apesar de tudo o que acabou de passar.

Criar um filho não é uma descoberta por dia, e ainda arrumamos tempo para trabalhar, cuidar da casa, do filho, e muitas mulheres são traídas nessa fase, simplesmente porque o homem não entende a dimensão do trauma daquela mulher depois de tudo isso. Muitas vão criar aquele filho sozinha!

Quem disse que é fácil ser mulher? E ser mãe? Onde está a romantização e a fragilidade que ninguém vê? Por qual motivo a mulher foi escolhida para gerar e colocar um filho no mundo se não fosse a sua força? Sempre seremos as mães acolhedoras, resilientes e prontas para ajudar um filho. Ser mãe não é apenas postar uma foto feliz com os filhos; é muito maior do que isso, é amar incondicionalmente aquele filho para sempre, é dormir pouco, acordar cedo, amamentar, sorrir quando quer chorar, dar ao filho o que comer e ficar sem, achar lindo o desenho que fez para você, parar para ver o novo salto que aprendeu na escola.

Mãe, mulher, profissional, dona de casa ou o que quiser ser. Você é a provedora e a criança da casa, cuida de todos, mas não esqueça de você, cuide da sua saúde, da sua autoestima, da sua saúde mental, se priorize sempre; não bastasse isso, um dia vai chegar à menopausa, não sentirá mais cólica, mas vai sentir o quanto dói parar de produzir, é a dor da mente, e essa vai sentir sozinha, nem aquele bebê que você passou noites em claro irá te entender.

Viva intensamente sua vida, aproveite todas as fases, e não se esqueça nunca de você, ninguém vai fazer o que você fez um dia, e não vai querer chegar nesse tempo e dizer: Devia ter olhado mais para mim. Não se arrependa, mas priorize-se sempre.

Qual é a sua melhor versão?

Quantas versões você tem? Somos vários em cada situação e em cada lugar, não somos os mesmos na rua, o que somos em casa. No seu lar, sente-se à vontade para fazer o que não faz fora. No trabalho, no bar, na convivência com pessoas na rua, com colegas, seja aonde for, utilizaremos uma versão em cada lugar.

As pessoas mentem somente para se encaixar no padrão, demonstram uma versão que não é real, omitem situações, exaltam quem não admiram, tudo pela política da boa vizinhança. O que tem de bom nisso se nem você age com transparência? Mas exige dos outros.

É comum vermos discurso do que fazer e do que não fazer, do certo e do errado, mas quem tem razão? O seu certo pode ser errado para mim, e vice-versa. Às vezes é apenas uma frustração sua, e joga isso para outras pessoas como se fosse verdade absoluta.

Essa é uma versão muito comum em dias de internet invasiva, e quem está falando, será que sabe mesmo daquele assunto ou só espalha veneno, e pior, não faz nada do que fala? Por exemplo. Depois que muitos artistas foram para a internet defender as mulheres, é muito comum ver homens fazendo esse discurso, de como tratar uma mulher, e como os homens agem de verdade diante de algumas situações. Será que eles realmente pensam assim ou é só uma modinha? Quantos ainda enganam, traem, maltratam e posam de santo.

Qual é a sua versão de hoje? Ou em qual lugar está se moldando de acordo com o ambiente? Em algum momento, a máscara cai. Ninguém sustenta por muito tempo um tipo, alguém pode conhecer seus múltiplos lados. Qual deles você é realmente?

São tantas informações falsas que recebemos diariamente, e ainda temos que lidar com pessoas falsas também, que todos os dias sorriem para você e falam mal ao mesmo tempo, dizem que torcem por você, mas na verdade querem te ver pelas costas. E assim a ciranda da vida continua e ninguém muda.

Quem sabe um dia teremos uma boa impressão das pessoas, confiar e acreditar. Enquanto isso, fica essa reflexão. Qual é a sua melhor versão? E por que ainda não utilizou? Se cada um utilizasse a sua, certamente o mundo estaria muito melhor.