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Elegância não se posta, se pratica

“Quem não te conhece que te compre”: quem nunca ouviu essa frase? Ela parece simples, quase popular, mas carrega uma verdade incômoda sobre aparência e realidade. Há pessoas que falam sobre postura, educação, inteligência e boas maneiras como se fossem exemplo daquilo que defendem. No entanto, muitas vezes, basta observar um pouco mais de perto para perceber que o discurso não combina com a prática.

Na semana passada, vi o post de uma pessoa conhecida falando sobre o que seria ser chique. O texto mencionava postura, elegância e inteligência. Se eu não a conhecesse, talvez concordasse com boa parte do que estava escrito. O problema é que, ao ler com atenção, percebi que aquilo não parecia uma reflexão sincera, mas um recado indireto para alguém que, provavelmente, havia incomodado aquela pessoa. E, convenhamos, usar as redes sociais para mandar indiretas enquanto se fala de elegância é tão deselegante quanto aquilo que se diz criticar.

Quando se quer dar um recado, manda-se uma mensagem no privado, conversa-se diretamente ou, em muitos casos, escolhe-se o silêncio. Elegância não é transformar incômodo pessoal em espetáculo público. Também não é expor nas redes aquilo que se cobra dos outros, mas não se pratica na própria vida. A verdadeira postura aparece justamente quando não há plateia, quando ninguém está curtindo, comentando ou aplaudindo. É aí que se revela quem age por convicção e quem apenas gosta de parecer superior.

Vivemos tempos em que a falta de postura aparece tanto no mundo virtual quanto no real. As pessoas parecem cada vez mais rápidas para julgar, atacar e humilhar, mas muito lentas para refletir sobre a própria conduta. Basta lembrar da criança escoltada no estádio por pedir a camisa do Neymar. Xingar uma criança por rivalidade entre times é insanidade e covardia. Esse tipo de comportamento mostra como a intolerância tem sido naturalizada, como se a agressividade fosse apenas parte da paixão ou da opinião de cada um. Mas não é. Falta respeito, falta limite e falta humanidade.

Por isso, antes de apontar o dedo, é melhor olhar para si. Falar de conduta é fácil; difícil é praticá-la quando somos contrariados, feridos no orgulho ou expostos a situações que testam nossa paciência. Ser chique, no fim, não está no discurso bonito, na frase de efeito ou na pose de superioridade moral. Está nos atos, na coerência, na forma como tratamos os outros e na capacidade de resolver conflitos sem transformar tudo em exposição. Talvez a verdadeira elegância esteja justamente em falar menos, agir melhor e viver com mais verdade aquilo que se cobra do mundo.

Consumir para pertencer

Vivemos uma época em que o desejo de consumir deixou de ser apenas uma escolha individual e passou a funcionar como uma pressão social constante. O problema não está em comprar, mas em transformar o consumo em medida de valor, pertencimento e felicidade.

Em um tempo não muito distante, criticávamos os pais que cediam aos desejos das crianças por insistência, vencidos pelo cansaço. Mal uma vontade era atendida, outra já surgia, e a satisfação parecia nunca chegar. Hoje, esse comportamento também aparece entre os adultos: muitos vivem compulsivos e inquietos pelo ter, como se aquilo que se conquista hoje já estivesse ultrapassado amanhã.

O dinheiro virou um elemento de poder. Mesmo quando não há recursos suficientes para todos os desejos, o consumo de bens tornou-se uma espécie de doença: a ansiedade por ter. O mercado alimenta esse ciclo vicioso com facilidades de compra pela internet, cupons de desconto, ofertas-relâmpago, datas promocionais e pagamento imediato no crédito ou no Pix. O produto parecia caro; depois, aparece como barato, mas muitas vezes o desconto apenas revela um valor que já havia sido inflado antes.

Tudo muda o tempo todo: as ofertas, os produtos e até a ideia de moda dentro de casa. Basta observar propagandas que dizem: “Se você ainda tem isso na sua cozinha, tire agora!”. Como assim? O azulejo caiu de moda? Os armários agora precisam seguir outro padrão? E o dinheiro para acompanhar tudo isso? Os aparelhos domésticos duram pouco, as roupas ganham novidades a todo instante, surgem liquidações de verão e inverno, e até a comida entra nesse ritmo de oferta permanente.

A economia gira em torno do consumismo desenfreado, dos impostos altos que pagamos em tudo e do salário do trabalhador, que muitas vezes se endivida com o que não precisa e fica sem o que realmente precisa. Enquanto isso, muitos adoecem mentalmente pagando juros no cartão de crédito que não conseguem quitar, mas continuam sustentando uma aparência, porque hoje a pressão não se limita ao corpo: também envolve ter aquilo que não se pode ter.

O mundo ficou sem graça. Antes, apesar dos problemas, víamos pessoas mais presentes e talvez mais felizes; a vida não era um reality, nem precisava exibir um faz de conta o tempo inteiro. Enquanto muitos compram o que não podem, empresas de todos os segmentos lucram com quem gasta o que não tem. No fim, os menos favorecidos continuam excluídos das regalias de quem enriquece à sombra de quem trabalha, em um mundo sarcástico que transformou a vida em palco e as pessoas em atores de máscara.

Quando Brincar Era Exercício

Sabe por que as gerações anteriores eram menos obesas? Porque as crianças não eram sedentárias: não ficavam sentadas em frente ao celular, rolando a tela, jogando ou acessando informações que não deveriam. Também não passavam os dias em frente à televisão comendo salgadinhos, muito menos conversando pelo celular. Sabe como era?

Criança conversava com outras crianças olhando nos olhos, brincava se exercitando, assistia à televisão, mas não via a hora de brincar com os amigos. Jogava jogos de tabuleiro com outras crianças, e o lanche na escola era motivo de brincadeira e de comer junto com o coleguinha. Os lanches eram naturais, feitos pela mamãe: pão com ovo, almôndegas, às vezes um misto frio (queijo e presunto) e suco na garrafinha. Eu adorava quando era groselha.

As brincadeiras eram os exercícios físicos de hoje: ficar agachado e sair pulando era agachamento; brincar com vai e vem trabalhava o peitoral; bambolê afinava a cintura; pular corda era cárdio; pega-pega era cárdio; jogar peteca trabalhava cárdio e coxas; virar cambalhota ajudava no alongamento; andar de bicicleta era cárdio; vôlei era esporte; ciranda, dependendo do contexto, também envolvia agachamento; e amarelinha trabalhava o equilíbrio. Por isso, crescemos esbeltas e sem problemas maiores: nossas brincadeiras eram puro exercício físico.

Nas escolas, já existiam as aulas de educação física, em sua maioria em horários opostos aos das aulas, o que ajudava muito na disciplina e na constância. Muitas outras brincadeiras desenvolviam a memória e a habilidade. Hoje, as crianças não precisam memorizar nada, tampouco desenvolver habilidades para estimular o raciocínio: está tudo na palma da mão. Basta dar uma pesquisada no Google e a resposta aparece. Elas não se levantam para nada, apenas para jogar futebol, quando gostam, e para ir à escola. O sedentarismo hoje começa cedo, logo que começam a andar.

Por isso, temos crianças com doenças de adulto. Nunca tivemos tantas crianças doentes, com colesterol alto, diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, entre outras condições associadas ao sedentarismo e ao consumo de alimentos ultraprocessados. Embora se fale muito sobre alimentação e sobre a importância da atividade física, muitas crianças seguem na comodidade de uma cama ou de um sofá, passando o tempo em conversas virtuais e dando preferência a um pacote de salgadinho, hábito que pode custar caro em um futuro nada distante, que já bate à porta.

Talvez alguns pais jovens não concordem com essa teoria e digam que os tempos mudaram. Acontece que o tempo pode até mudar, mas os cuidados com a saúde das crianças não seguem moda: ou se cuida direito, ou haverá problemas. Não é necessário ser igual a todos; quem segue a boiada nunca aprende o caminho. Precisamos cuidar das crianças como sempre cuidamos: com sabedoria e responsabilidade, não apenas da saúde, mas também do caráter.

Os vazios que carregamos

Todos carregamos vazios que, quando não são reconhecidos, acabam interferindo na forma como nos relacionamos com os outros. Eles influenciam nossas escolhas, nossas atitudes e até a maneira como permitimos que as pessoas se aproximem de nós. Nas relações amorosas, isso se torna ainda mais evidente, porque é nelas que muitas das nossas fragilidades aparecem com mais força.

Quando encontramos alguém que nos chama a atenção, muitas vezes apresentamo-nos com uma versão que não existe por completo. Queremos causar uma boa impressão, mostrar o melhor de nós e esconder aquilo que ainda não conseguimos compreender ou curar. Mas, depois, quando a convivência se aprofunda, o que estava escondido começa a aparecer.

Temos uma versão para cada momento e lugar, porque aprendemos a agir de formas diferentes conforme o ambiente em que estamos. Não somos exatamente os mesmos em casa, no trabalho, na escola ou entre amigos. Por isso, é tão comum estranharmos quando alguém fala de uma pessoa que conhecemos muito bem e apresenta uma versão dela que nunca vimos.

É nesse ponto que os relacionamentos revelam nossas fragilidades. Em uma separação, por exemplo, muitas vezes percebemos que a imagem que tínhamos do outro era incompleta. Não porque tudo tenha sido mentira, mas porque ninguém se mostra inteiro o tempo todo. Cada pessoa carrega partes que tenta esconder, proteger ou negar.

Chegamos aos lugares carregados de histórias. Em determinadas situações, existe dentro de nós um vazio que precisa ser preenchido. Nem sempre encontramos alguém capaz de ocupar esse espaço marcado por tristeza, rejeição e abandono, sentimentos que, ao longo do tempo, vão se acumulando silenciosamente.

Quando esses vazios não são reconhecidos, eles começam a pesar sobre o outro. Ninguém é totalmente livre de problemas, traumas ou lembranças difíceis. Aos poucos, vamos guardando sentimentos que não sabemos nomear, até que se torna insustentável carregá-los sozinhos. Então, por vezes, despejamos em quem não tem responsabilidade por essa dor.

Ao fazer isso, sentimos um alívio temporário, como se parte do peso tivesse saído de nós. Porém, quando julgamos, cobramos ou culpamos o outro por aquilo que também nos pertence, alimentamos um ciclo de sofrimento. Pessoas adoecem carregando culpas que nem sempre nasceram nelas, mas foram transferidas por alguém que chegou mostrando uma versão incompleta de si mesmo.

Por isso, antes de tentar mudar alguém, é preciso olhar para dentro. Procurar conhecer a si mesmo, entender de onde vêm seus sentimentos e reconhecer o que o incomoda é mais importante do que tentar transformar o outro. Mude você. Traga para sua vida a paz que tanto procura.

Procure ajuda quando for necessário. Ninguém se cura sozinho; precisamos uns dos outros. O ser humano foi feito para viver em grupo, para se apoiar, aprender e reconstruir caminhos. Achar que somos autossuficientes para curar todas as nossas dores pode apenas prolongar aquilo que já nos machuca.

Somos humanos, feitos de sentimentos. Ninguém é totalmente ruim ou bom; somos uma mistura de tudo. Temos lados diferentes, mudamos ao longo do dia e carregamos versões que nem sempre compreendemos. Ainda assim, podemos melhorar, se quisermos, e escolher não jogar no outro aquilo que precisa ser cuidado em nós.

Reconhecer os próprios vazios não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Quando deixamos de culpar o outro e começamos a olhar para dentro, abrimos espaço para relações mais verdadeiras e para uma vida mais leve. Mude hoje; amanhã pode nem existir mais.

Procedimentos estéticos vão além da aparência

Procedimentos estéticos vão além da aparência. Entrevistei a Dra. Mayara Rozas, dermatologista de São Paulo, ela contou que, após anos de atendimento, percebeu que muitas mulheres chegavam ao consultório buscando mudanças no rosto motivadas por questões emocionais.

Com isso, passou a investigar melhor a intenção por trás de cada procedimento. Nem sempre a mudança era necessária; muitas vezes, o desejo vinha de perdas, separações, luto ou da pressão para se encaixar em padrões de beleza.

Quando a origem do incômodo está em ansiedade, tristeza ou depressão, mudar a aparência não resolve a dor. Primeiro é preciso cuidar de dentro; depois, se fizer sentido, cuidar de fora.

De que adianta buscar uma aparência deslumbrante se a saúde física e mental está em desequilíbrio? O corpo também expressa emoções, e ignorar esses sinais pode mascarar problemas mais profundos.

Antes de qualquer procedimento, vale perguntar: eu realmente preciso disso? Qual é o motivo dessa vontade? A decisão vem de mim ou de uma dor que ainda não foi cuidada? Sem essa reflexão, o risco é entregar o próprio rosto — e a própria saúde — a profissionais que enxergam apenas uma fonte de renda.

Precisamos de mais profissionais como a Dra. Mayara Rozas, que olham para além da estética e percebem o que está gritando por mudança dentro de cada paciente. Procedimentos não são ruins; o perigo está em fazê-los sem equilíbrio emocional, sem necessidade real ou sem cuidado profissional. Antes de mudar a aparência, é preciso curar o que está ferido por dentro.

A Culpa que não é sua. Quando a falta de caráter se disfarça de amor

Por que nos relacionamentos tóxicos a mulher se culpa de algo que ela não fez? Sabemos que em relações narcisistas o autor faz com que a vítima se sinta culpada, ele transforma o seu erro em culpa para a mulher. E quando não há um narcisista na relação, como podemos identificar a mesma culpa?

Como eu disse em uma crônica passada, estamos diagnosticando comportamentos como se todas as pessoas tivessem o transtorno de personalidade narcisista, mas não é. Vamos desenrolar esta situação. O erro de uma pessoa pode passar como um pedido de desculpa, uma conversa sincera sobre algum episódio que possa ter acontecido, mas estamos falando de alguém leal em admitir seus próprios erros, será?

Que lealdade é essa se confessa um erro? Já não é leal, certo? Se errou faltou lealdade com você, mas acreditamos e passamos uma borracha como se fosse muito diferente de um relacionamento tóxico, isso não é tóxico? Ser enganada, ouvir a confissão e reagir como se fosse diferente? Você está errada, as pessoas montam palco, se mostram arrependidas, falam bonito e continuam iguais.

Normalmente, só irá perceber a farsa tempos depois, e sabe por quê? A mentira não se sustenta por meses, é apenas por alguns dias, em seguida o comportamento volta ao seu modo natural, sem perceber. É por isso que muitos casais não tomam decisões no momento, tudo fica confuso entre a verdade e a mentira, mas a verdade sempre aparece.

Quantas mulheres são enganadas pelos seus parceiros com personalidades ditas normais, mas com falta de caráter? E assim segue o jogo do amor debaixo do pano que esconde a verdadeira face de cada um. Mulheres vivendo com homens dissimulados e que não têm o rótulo de narcisista, mas machucam e desrespeitam a mulher da mesma forma. E sentem-se culpadas.

Podemos sempre superar as dificuldades, colocando-nos sempre em primeiro lugar, aprendendo que a sua vida, a liberdade, vale muito mais do que qualquer casamento no qual você não é respeitada.

Mulheres, aprendam a se valorizarem, a entender que não dependem de um homem. A mulher vive muito bem sozinha, já o homem, sempre precisará de uma mulher. Liberte-se e viva sua vida como nunca conseguiu viver antes, afinal devemos ser felizes para nós, e não para a sociedade.

Resumo impactante:

Nem toda dor nasce de um diagnóstico, mas toda falta de respeito deixa marcas. Este texto expõe a culpa silenciosa que muitas mulheres carregam quando são enganadas, manipuladas ou desvalorizadas por parceiros que não recebem o rótulo de narcisistas, mas ainda assim ferem profundamente. A mensagem é clara: amor não deve aprisionar, confundir ou diminuir. A verdadeira libertação começa quando a mulher entende que não precisa se culpar pelo erro do outro — e que sua liberdade vale mais do que qualquer relação sem respeito.

Medo de envelhecer ou de depender?

Será que temos receio de envelhecer ou, na verdade, de depender? Essa pergunta ajuda a compreender por que uma geração de mulheres — e de homens — com mais de sessenta anos ocupa as academias com uma presença inédita em comparação às gerações anteriores.

Hoje, sabemos que movimentar o corpo sempre foi uma questão de saúde, embora, por muito tempo, esse cuidado tenha sido associado sobretudo à aparência. Envelhecer é inevitável, mas compreendemos melhor que esse processo não acontece apenas por fora: ossos, músculos, órgãos e mente também perdem vitalidade com o passar dos anos.

Por isso, é necessário olhar para o envelhecimento que ocorre de dentro para fora. Esse cuidado, antes pouco valorizado, precisa ocupar um lugar central nas escolhas de quem deseja chegar à maturidade com autonomia.

De que adianta manter rosto, cabelo e corpo aparentemente bem cuidados se, por dentro, a estrutura que sustenta a vida está se enfraquecendo? Antes de tudo, é preciso cuidar de músculos e ossos, por serem eles que garantem mobilidade, equilíbrio e liberdade para viver com menos dependência.

Musculação, caminhada, natação e outras formas de movimento representam investimentos essenciais no futuro. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maiores são as chances de preservar independência e qualidade de vida.

Quando os músculos não são estimulados, a mobilidade diminui. Caminhar, levantar-se e deslocar-se são movimentos básicos para manter a própria jornada; cuidar deles não significa recusar a idade, mas evitar a perda desnecessária de autonomia.

Cuidar da aparência continua sendo válido, desde que sem a pretensão de esconder o tempo. Envelhecer também revela experiência, história e vida vivida; fazê-lo com capacidade de movimento é sinal de consciência e evolução.

Todos vamos envelhecer, e a finitude faz parte da vida. Ainda assim, podemos escolher chegar a essa fase com mais disposição, saúde e condições de conviver por mais tempo, e com mais qualidade, com quem amamos.

Cuidar do corpo é sinal de evolução; envelhecer sem atenção à própria saúde é uma escolha. Como você prefere chegar à terceira idade: com liberdade ou dependência?

Transtorno antissocial e a liderança.

Em um mundo com tantos líderes de ego inflado, sem empatia com o próximo, sem remorso por explorar, manipular e desrespeitar regras sociais, como poderemos esperar algo tão fundamental de empresas para cuidar da saúde mental de seus funcionários? Será que sucumbirá essa nobre decisão?

Esses malfeitores são chamados de sociopatas, ou transtorno do comportamento antissocial, e não são poucos. Aparecer nos dias de hoje é quase uma lei para prosperar e ser reconhecido, mas essa nova maneira de ter reconhecimento fez com que algumas pessoas mesclassem a necessidade com a fome de mostrar poder.

Um empresário de sucesso não precisa fazer papel de influencer nas redes sociais para demonstrar poder, ao contrário disso, quem pensa que está abafando na verdade está demonstrando incapacidade de gerir uma empresa de portas fechadas. Porém, há quem aja desta forma, expondo problemas internos com funcionários nas redes. Um tiro no pé.

Se não devemos falar sobre nossa vida particular, que dirá dos problemas de uma empresa. Quem com sanidade mental teria um comportamento desse? Tem quem faça. Esquece apenas que isso fala mais sobre seu caráter do que sobre seus funcionários, ou seja, se fala mal deles é porque não tem comando, e quem não tem comando não tem respeito. Quem confiará numa empresa que age assim?

Imagina a NR1 que está aí para salvar trabalhadores de líderes assim? Os próprios líderes estão expondo o comportamento abusivo nas redes sociais, nem precisam ser investigados. Santa ignorância. Precisamos de líderes com mais sanidade mental.

Sua empresa precisa de gente para estar à frente de tudo o que você não sabe; ninguém sabe tudo, nem o empresário. Dar voz a quem entende, respeitar o trabalho e necessidades de todos, compreender que comando não é estar tudo como você quer; gerir uma empresa não é fazer birra, é ter capacidade e trazer os funcionários para você.

Dar incentivo, reconhecer o trabalho, acertar no time e, principalmente, respeitar e ser respeitado, essa é uma regra para a vida. Quem deseja ser referência não é apenas o seu produto que fará esse processo, mas o próprio patrão com sua empatia e educação acima de tudo. Nenhuma empresa conseguirá cuidar da saúde mental se o gestor não tiver essa saúde, todo o resto desanda.

Embora a lei aplique multa em quem não respeitar as regras, sabemos que pode haver resistência. O importante é que agora temos uma lei, e infelizmente, para termos o respeito de quem contrata, é preciso multar. Poderia ser muito natural, afinal, respeito não se compra, é um dever do ser humano, ou deveria ser. Só esperamos que seja cumprida.

Narcisista ou mau caráter?

Quantas vezes passamos o pano para alguém que só é mau-caráter mesmo? É muito comum ouvirmos que uma má atitude é narcisismo, é trauma de infância, mas na verdade apenas estamos dando diagnóstico para mau-caráter. Nem todo mundo é narcisista!

Manipular, mentir, enganar sempre foi um ato maldoso. Um mau-caráter é aquele que age com um comportamento moralmente incorreto, na falsidade e deslealdade, não é uma pessoa honesta e tampouco confiável.  A princípio, a pessoa utiliza uma máscara para esconder sua verdadeira face, é atenciosa, um amigo ou parceiro muito gente boa, mas em seguida, sem perceber, começa a armadilha discreta.

O narcisista é cruel, faz tudo a favor de si mesmo, tudo tem que ser como idealiza, é quase um psicopata. Embora seja parecido, o mau-caráter segue algumas facetas, mas o intuito é utilizar o outro parecendo uma boa pessoa, enquanto isso planeja sua derrocada, e sentindo-se confortável nessa situação. Promove uma imagem, sabe que está fazendo aquela pessoa sofrer, e continua na mesma posição.

Sabe aquele que comete os mesmos erros? Então, sabe que está errado e continua como se não fizesse nada. Trai, engana, mente, derruba e ainda assim age como se fosse a conduta certa, sem remorso.

Ainda existe aquele que rouba, inventa, toma o lugar do outro, se faz de amigo e te destrói. Quantas pessoas passaram em nossa vida assim e não percebemos? Na família, nos relacionamentos entre casais e amigos, que traem sua confiança, destroem suas expectativas, frustram a sua impressão sobre elas.

Dói pensar nisso, mas é a realidade que não conseguimos enxergar antes, é perceber o quanto fomos enganados, o quanto pode ter achado que era apenas um trauma, um diagnóstico não revelado, mas era mesmo apenas mau-caráter.

Vivemos num mundo repleto de pessoas que estamos diagnosticando como se fosse um problema de saúde mental. Sempre existiu e continuará existindo a falta de caráter, independente da história de vida, porque mudar todos podemos, é só querer e saber o quanto podemos estar afetando a vida de alguém que amamos. Só não muda quem não pretende sair dessa posição de conforto.

Devemos olhar mais para nós, distanciar de pessoas que só nos fazem mal, nos curar em primeiro lugar, e não tentar curar o outro. Se não olhar para você ninguém irá te socorrer, e não estamos aqui para sermos estragados por alguém, e sim para vivermos a nossa vida dignamente e em paz. Entender que pensar em si não é egoísmos, é amor-próprio.

Feche a porta e abra sua vida

Em muitos momentos, vivemos no automático e esquecemos de desligar e olhar para dentro; quase sempre isso acontece no momento da dor. Não seria melhor darmos atenção aos nossos sentimentos, à nossa intuição? Sem dúvida, mas não é assim.

Perseguimos a busca, e qual busca? Pode ser financeira, carreira, conhecimento, ou até mesmo preenchimento de vazio, e quem não toma conta disso, deixa a vida te levar, como se não tivesse destino. É aí que mora o pecado consigo mesmo. Quando deixamos de nos olhar como prioridade, deixamos que o fluxo da vida siga sem cuidados, e nem sempre é aquele caminho que desejamos.

Não dizem que a vida é curta? Então, por que deixar sem seu olhar? Um dia seu corpo já não responde mais com a vitalidade de antes; o tempo passou e não viveu o que sonhou, e vem a culpa. É por isso ou aquilo; tem que ter um culpado, a terceira pessoa, mas a verdade está em primeira pessoa, você mesmo. Por que deixou passar, ou por que não fez nada para mudar? E a resposta é: não sei.

Sabia o que não queria mais, o que incomodava, o que sonhava, mas preferiu e deixou passar como se nunca fosse chegar o fim. O que mais importa são nossas realizações, os propósitos que temos, a evolução.

Fechar a porta e deixar ir não é fraqueza, é maturidade e cuidado consigo. É se importar com a saúde, bem-estar e saber dizer não! Quando o seu comportamento é de não permitir, você está consciente da sua vida, e isso só diz o quanto é forte e sábio para aceitar ou não o que te acontece externamente. Abrir-se para a vida é o que se espera; priorizar-se não é egoísmo, é amor-próprio.

Os problemas sempre existirão, mas não precisa acolher e dar abrigo. Tenha coragem para entender, analisar e não aceitar. A felicidade é feita de momentos, e esse pode ser o melhor momento, quando não se aceita o que dói.