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Os vazios que carregamos

Todos carregamos vazios que, quando não são reconhecidos, acabam interferindo na forma como nos relacionamos com os outros. Eles influenciam nossas escolhas, nossas atitudes e até a maneira como permitimos que as pessoas se aproximem de nós. Nas relações amorosas, isso se torna ainda mais evidente, porque é nelas que muitas das nossas fragilidades aparecem com mais força.

Quando encontramos alguém que nos chama a atenção, muitas vezes apresentamo-nos com uma versão que não existe por completo. Queremos causar uma boa impressão, mostrar o melhor de nós e esconder aquilo que ainda não conseguimos compreender ou curar. Mas, depois, quando a convivência se aprofunda, o que estava escondido começa a aparecer.

Temos uma versão para cada momento e lugar, porque aprendemos a agir de formas diferentes conforme o ambiente em que estamos. Não somos exatamente os mesmos em casa, no trabalho, na escola ou entre amigos. Por isso, é tão comum estranharmos quando alguém fala de uma pessoa que conhecemos muito bem e apresenta uma versão dela que nunca vimos.

É nesse ponto que os relacionamentos revelam nossas fragilidades. Em uma separação, por exemplo, muitas vezes percebemos que a imagem que tínhamos do outro era incompleta. Não porque tudo tenha sido mentira, mas porque ninguém se mostra inteiro o tempo todo. Cada pessoa carrega partes que tenta esconder, proteger ou negar.

Chegamos aos lugares carregados de histórias. Em determinadas situações, existe dentro de nós um vazio que precisa ser preenchido. Nem sempre encontramos alguém capaz de ocupar esse espaço marcado por tristeza, rejeição e abandono, sentimentos que, ao longo do tempo, vão se acumulando silenciosamente.

Quando esses vazios não são reconhecidos, eles começam a pesar sobre o outro. Ninguém é totalmente livre de problemas, traumas ou lembranças difíceis. Aos poucos, vamos guardando sentimentos que não sabemos nomear, até que se torna insustentável carregá-los sozinhos. Então, por vezes, despejamos em quem não tem responsabilidade por essa dor.

Ao fazer isso, sentimos um alívio temporário, como se parte do peso tivesse saído de nós. Porém, quando julgamos, cobramos ou culpamos o outro por aquilo que também nos pertence, alimentamos um ciclo de sofrimento. Pessoas adoecem carregando culpas que nem sempre nasceram nelas, mas foram transferidas por alguém que chegou mostrando uma versão incompleta de si mesmo.

Por isso, antes de tentar mudar alguém, é preciso olhar para dentro. Procurar conhecer a si mesmo, entender de onde vêm seus sentimentos e reconhecer o que o incomoda é mais importante do que tentar transformar o outro. Mude você. Traga para sua vida a paz que tanto procura.

Procure ajuda quando for necessário. Ninguém se cura sozinho; precisamos uns dos outros. O ser humano foi feito para viver em grupo, para se apoiar, aprender e reconstruir caminhos. Achar que somos autossuficientes para curar todas as nossas dores pode apenas prolongar aquilo que já nos machuca.

Somos humanos, feitos de sentimentos. Ninguém é totalmente ruim ou bom; somos uma mistura de tudo. Temos lados diferentes, mudamos ao longo do dia e carregamos versões que nem sempre compreendemos. Ainda assim, podemos melhorar, se quisermos, e escolher não jogar no outro aquilo que precisa ser cuidado em nós.

Reconhecer os próprios vazios não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Quando deixamos de culpar o outro e começamos a olhar para dentro, abrimos espaço para relações mais verdadeiras e para uma vida mais leve. Mude hoje; amanhã pode nem existir mais.

Sobre ser

Quando saio, principalmente em lugares lotados, observo como as pessoas se comportam. É verdade, sou uma observadora inata, e foi por causa disso que fui estudar sobre o comportamento humano. É curioso entender que o Ser tornou-se outro significado.

Nada pode ser generalizado, sempre tem as exceções, mas alguns casos não podem passar despercebidos. Por qual motivo alguém precisa diminuir o outro e querer competir com aquilo que não entende? Cada qual tem suas habilidades; ninguém sabe tudo, se soubesse não precisaria estar no Planeta Terra. Não precisa crescer, é feio, pega mal competir com aquilo que você não sabe.

Outras pessoas precisam ser mais bonitas, mais elegantes, mais ricas, mais interessantes, mais chics, mais, mais, mais. Menos, educado, gentil, respeitoso, acolhedor, humilde, gente. O que tornou essa mudança? Provavelmente o consumo exacerbado, a competição, o querer, o sobressair-se. E tudo mudou, estamos vivendo o enquadramento de padrão, se não for tudo isso, é o diferentão, excluído.

Se for para ser excluído desse mundo insano de padrão, prefiro, dou muito mais valor para minha saúde mental do que para qualquer padrão de vida imposto. Faço exercício físico todos os dias, mas não posto. Tenho uma família linda, mas não posto. Faço minhas conquistas, mas não posto. Fico feliz num jantar em família, mas não posto. Vivo apesar das telas? Sim, mas não posto.

A vida é para ser vivida em particular, não é pública, ter a necessidade de chegar e se mostrar não é vida, é obrigação. Conversar não é ser superior ao outro, é saber ouvir o outro e aceitar as suas limitações, você não sabe tudo, lembra? Quem quer saber demais é chato, não é bem-visto, não faz falta.

Aprenda a fazer falta, daí sim você será uma pessoa lembrada, quando todo mundo sabe de você não sente saudade, vai conversar o que se já sabe de tudo? Decida se você quer Ser, ou ser?

As dores e angústias de Ser

Será que todo sorriso é de alegria? Quantos dramas cada um carrega na alma, quantas vezes precisamos mostrar um sorriso, mas estamos chorando por dentro? Cada Ser sabe das dores e angústias da sua vida.

Somos julgados pela postura, por um dia que não estamos bem para conversar, por uma palavra mal interpretada; são tantos os motivos, e dificilmente o real motivo é percebido, aquele que está guardado no fundo do peito, mas ninguém sabe, aquela lágrima que ninguém vê, o pedido de ajuda está nos olhos, mas quem enxerga?

Imagino como deve ser difícil para uma pessoa pública ser e parecer estar bem todos os dias, mas não está. E, sem dúvida, aquelas pessoas que falam e desfazem de alguém não se colocaram no lugar do outro para saber se está tudo bem. Não, não está tudo bem todos os dias, não se é feliz todos os dias; aliás, felicidade já se sabe que não é permanente, mas sim um estado.

Tem dias que não estamos bem fisicamente, mentalmente, ou simplesmente não estamos bem e ponto. Seres humanos são assim, então por que não respeitar essa condição? Se todos somos iguais, como pode haver tanta falta de sensibilidade com o outro? Precisamos nos aprimorar para as pessoas ou para nós mesmos?

Cada passo na vida e cada evolução que temos é nossa, portanto, viver para agradar não é o que devemos fazer, já que todas as consequências do que faço, somente eu vou arcar. Então, a pessoa mais importante sou eu mesma.

Isso não é egoísmo nem arrogância, é pura e simplesmente a lógica da vida, ou alguém já viu uma pessoa pagar pelos erros do outro? Não me venha com ‘Eu passei por isso por causa de fulano’. Não foi isso, passou porque aceitou estar junto, aceitou a situação, se estava lá foi por escolha. Nossos erros são pagos por nós mesmos, se não aprendo uma lição o problema é meu.

Antes de julgar alguém, pense em você primeiro, provavelmente não é o dono da verdade, mesmo porque se fosse já nem julgaria. Cada um de nós carrega mágoas, traumas, sonhos não realizados, não dá pra sair falando dos outros se a vida é igual pra todos. A única diferença são as pessoas com quem convivemos, família e endereço, mas os sentimentos são os mesmos.

Da próxima vez que pensar em falar desse ou daquele, pense primeiro em você, pode ser que você mesmo não esteja bem e queira apenas aliviar a sua angústia mostrando que o outro está pior do que você. Pense nisso.