Entre a política e a miséria esquecida

Em um país marcado por contrastes profundos, a desigualdade social ainda expõe uma realidade dolorosa: milhares de famílias continuam vivendo sem acesso ao básico. Essa situação revela não apenas a pobreza material, mas também o abandono de uma população que permanece invisível aos olhos de muitos governantes e da própria sociedade.

Enquanto pessoas brigam por posicionamentos políticos na internet e dividem opiniões entre este ou aquele candidato, famílias do Norte e do Nordeste continuam vivendo em extrema miséria. Nem esses candidatos, nem muitos outros políticos, voltam o olhar para essa população esquecida no país.

O problema não está apenas na falta de recursos, mas também na ausência de prioridades. Quando a discussão pública se resume a disputas partidárias e gestos de campanha, a realidade de quem vive sem comida, água, moradia digna e acesso a serviços básicos permanece invisível.

Enquanto viraliza uma dancinha teatral, carregada de má intenção contra a pátria a que pretende servir, ainda existe um povo que sequer imagina o que a vida oferece fora da realidade em que vive. Falta comida, pois o clima semiárido dificulta o cultivo; falta água para beber; faltam acesso à educação e atendimento médico. Tudo isso só muda com intervenção humana.

Essas pessoas não interessam a grande parte da população e, muito menos, aos políticos, que visam apenas ao poder. Enquanto isso, crianças crescem com fome e completamente alheias ao mundo. Muitos vão envelhecer sem nunca saber que existe muito além das casas de taipa, feitas de barro, ou das palafitas dos ribeirinhos. Ao mesmo tempo, outros continuam ignorando a existência desse povo.

Como o mundo não é feito apenas de pessoas que visam ao próprio umbigo, existe, desde 1993, o projeto social Amigos do Bem, comprometido em melhorar a qualidade de vida dessa população. Com a ajuda de voluntários, o projeto leva dignidade para essa região.

Hoje, essas famílias recebem apoio e, em troca, trabalham para conquistar uma vida melhor, inclusive com garantia de moradia em casas de alvenaria e condições básicas de sobrevivência. Elas participam de projetos sociais levados para a região, como o beneficiamento de castanhas e a produção de peças de cerâmica para venda, o que gera fonte de renda.

É inaceitável que ainda exista miséria neste país, com toda a produtividade da nossa terra, um vasto território, plantações, pastos e usinas. Mesmo assim, a miséria ainda ronda muitas regiões sem projetos e sem o devido olhar do poder público. Precisamos de políticas públicas para diminuir essa situação, com investimentos em educação, saúde, saneamento básico, energia elétrica, água potável e alimentos.

As crianças e os adolescentes precisam de educação. Com acesso ao ensino, poderão transformar suas vidas e, dessa forma, ajudar suas famílias a descobrirem que existe um mundo além daquele que conhecem. A vida é muito mais do que sabem. Existe uma luz se mais pessoas ajudarem. Somos 221 milhões de brasileiros, e podemos contribuir com essa parte da população que ainda vive em condições precárias.

Nossos governantes precisam honrar o país, não a si mesmos. O Brasil pode mudar essa realidade se os gastos públicos forem direcionados às melhorias necessárias e se o dinheiro for usado para construir um país melhor. Essa mudança não depende apenas de governos, embora eles tenham papel fundamental. Também exige que a sociedade enxergue essas pessoas, reconheça sua dignidade e apoie iniciativas capazes de transformar a realidade de quem ainda vive à margem. Enquanto isso não mudar, continuaremos caminhando a passos curtos rumo a um Brasil sem fome.

Os vazios que carregamos

Todos carregamos vazios que, quando não são reconhecidos, acabam interferindo na forma como nos relacionamos com os outros. Eles influenciam nossas escolhas, nossas atitudes e até a maneira como permitimos que as pessoas se aproximem de nós. Nas relações amorosas, isso se torna ainda mais evidente, porque é nelas que muitas das nossas fragilidades aparecem com mais força.

Quando encontramos alguém que nos chama a atenção, muitas vezes apresentamo-nos com uma versão que não existe por completo. Queremos causar uma boa impressão, mostrar o melhor de nós e esconder aquilo que ainda não conseguimos compreender ou curar. Mas, depois, quando a convivência se aprofunda, o que estava escondido começa a aparecer.

Temos uma versão para cada momento e lugar, porque aprendemos a agir de formas diferentes conforme o ambiente em que estamos. Não somos exatamente os mesmos em casa, no trabalho, na escola ou entre amigos. Por isso, é tão comum estranharmos quando alguém fala de uma pessoa que conhecemos muito bem e apresenta uma versão dela que nunca vimos.

É nesse ponto que os relacionamentos revelam nossas fragilidades. Em uma separação, por exemplo, muitas vezes percebemos que a imagem que tínhamos do outro era incompleta. Não porque tudo tenha sido mentira, mas porque ninguém se mostra inteiro o tempo todo. Cada pessoa carrega partes que tenta esconder, proteger ou negar.

Chegamos aos lugares carregados de histórias. Em determinadas situações, existe dentro de nós um vazio que precisa ser preenchido. Nem sempre encontramos alguém capaz de ocupar esse espaço marcado por tristeza, rejeição e abandono, sentimentos que, ao longo do tempo, vão se acumulando silenciosamente.

Quando esses vazios não são reconhecidos, eles começam a pesar sobre o outro. Ninguém é totalmente livre de problemas, traumas ou lembranças difíceis. Aos poucos, vamos guardando sentimentos que não sabemos nomear, até que se torna insustentável carregá-los sozinhos. Então, por vezes, despejamos em quem não tem responsabilidade por essa dor.

Ao fazer isso, sentimos um alívio temporário, como se parte do peso tivesse saído de nós. Porém, quando julgamos, cobramos ou culpamos o outro por aquilo que também nos pertence, alimentamos um ciclo de sofrimento. Pessoas adoecem carregando culpas que nem sempre nasceram nelas, mas foram transferidas por alguém que chegou mostrando uma versão incompleta de si mesmo.

Por isso, antes de tentar mudar alguém, é preciso olhar para dentro. Procurar conhecer a si mesmo, entender de onde vêm seus sentimentos e reconhecer o que o incomoda é mais importante do que tentar transformar o outro. Mude você. Traga para sua vida a paz que tanto procura.

Procure ajuda quando for necessário. Ninguém se cura sozinho; precisamos uns dos outros. O ser humano foi feito para viver em grupo, para se apoiar, aprender e reconstruir caminhos. Achar que somos autossuficientes para curar todas as nossas dores pode apenas prolongar aquilo que já nos machuca.

Somos humanos, feitos de sentimentos. Ninguém é totalmente ruim ou bom; somos uma mistura de tudo. Temos lados diferentes, mudamos ao longo do dia e carregamos versões que nem sempre compreendemos. Ainda assim, podemos melhorar, se quisermos, e escolher não jogar no outro aquilo que precisa ser cuidado em nós.

Reconhecer os próprios vazios não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Quando deixamos de culpar o outro e começamos a olhar para dentro, abrimos espaço para relações mais verdadeiras e para uma vida mais leve. Mude hoje; amanhã pode nem existir mais.

Quando falta liderança, sobra vergonha

O futebol brasileiro sempre foi tratado como símbolo de alegria, talento e orgulho nacional. Mas, nos últimos anos, a Seleção parece ter perdido algo que vai muito além da técnica: perdeu comando, maturidade e identidade. Em campo, não basta vestir a camisa mais pesada do mundo; é preciso honrá-la com liderança, garra e responsabilidade. Quando um time cheio de estrelas não encontra alguém capaz de conduzi-lo nos momentos decisivos, o resultado deixa de ser apenas uma derrota esportiva e se transforma em um retrato incômodo de despreparo, vaidade e falta de compromisso. Afinal, quando falta liderança, sobra vergonha.

Não entendo de futebol, mas durante a Copa do Mundo, ao assistir a vários jogos, percebi algo que fez toda a diferença para uma equipe chegar à final: a liderança dentro de campo. Não me refiro apenas à liderança do técnico, que orienta e comanda a equipe do lado de fora, mas à presença de um líder entre os jogadores. E esse líder, literalmente, o Brasil não tem. Pelo menos nesta Copa não teve, e o que se viu foi um time sem alma, coração e força. Algo que sobrou em outras seleções.

Desde o primeiro jogo enxerguei uma equipe desentrosada, à espera da entrada de um “ídolo” que não lidera nada, nem dentro nem fora de campo. Ao contrário: demonstra completa imaturidade, assim como o restante do time, que parece aguardar uma ordem que nunca chega.

Fiquei impressionada com a competência das seleções africanas. Algumas já eram conhecidas, mas outras estrearam com uma força surpreendente — e que estreia! A seleção de Cabo Verde, por exemplo, foi excepcional quando comparada à nossa: jogou com vontade, raça e entrega, algo que não vimos em nossos jogadores. Além dela, muitas outras seleções entraram em campo com essa mesma determinação, assim como equipes europeias e a Argentina. Falem o que quiserem, mas eles jogam pela pátria: cantam o hino com vontade, demonstram amor à camisa, correm, lutam e são capazes de virar o jogo nos minutos finais. Isso se chama garra.

Messi, no auge de seus 39 anos, deu um verdadeiro exemplo em campo e superou, em atitude e entrega, nomes como Neymar e Vini Jr, que no último jogo caminhou em vez de correr, à espera do chamado “ídolo” para tentar mudar a partida. Neymar entrou, mas o que se viu foi mais do mesmo: perdeu jogadas, brigou e terminou a participação com atitudes imaturas, mesmo tendo feito um gol de pênalti. Foi uma demonstração de despreparo para o mundo inteiro assistir.

O que existe na Seleção Brasileira é falta de preparo psicológico e de entrosamento. A maioria dos jogadores atua fora do país, sai muito cedo, defende clubes estrangeiros e recebe salários milionários. Ainda imaturos, agarram as oportunidades financeiras, mas parecem ter perdido a raça pelo futebol que existia antes. Não se vê amor, tampouco preocupação em representar bem o Brasil. Depois da derrota, apenas um jogador voltou ao país. Isso é amor à pátria? Para mim, isso revela falta de interesse pelo próprio país.

No jogo que garantiu a vaga para a semifinal, Messi pediu calma à torcida que estava inquieta com o resultado. Isso é controle emocional, maturidade e preparo. Ele conduziu sua seleção com competência, e os outros jogadores sabiam com quem podiam contar. Afinal, quem é o nosso líder?

O “menino Peter Pan” não cresceu, não amadureceu e continua preso à molecagem. Nunca conseguiu fazer algo realmente decisivo pela nossa Seleção e, ainda assim, depois de tudo, surge um vídeo projetando-o em 2030 segurando a taça. Piada? Se jovem ele nunca conseguiu se consolidar como um verdadeiro líder da Seleção, dificilmente será perto dos 40 anos que conseguirá. Diferentemente de Messi, que, aos 39 anos, ainda disputa em alto nível e talvez conquiste sua segunda Copa consecutiva.

Recentemente, vi uma foto da Seleção Brasileira de 1958, campeã mundial com Pelé. Os jogadores estavam em uma estação de trem, aguardando a partida. Não havia regalias, roupas estilizadas nem todo o luxo que vemos hoje. Ainda assim, jogavam futebol de verdade. Isso me fez pensar: quantos gostariam de ser jogadores hoje apenas pelo amor ao futebol, sem ganhar milhões? Talvez poucos. Talvez a Copa do Mundo nem tenha mais a mesma importância para quem entra em campo. Nós torcemos pelo país; eles, aparentemente, por outros interesses.

A Seleção Brasileira deixou de ser a melhor do mundo há muito tempo. Sem preparo psicológico, liderança e união, talvez nem tenhamos chance real na próxima Copa. O Brasil precisa rever seus conceitos, inclusive a divisão clara de poderes e interesses que também interfere no futebol e acaba afetando a alegria de um povo. Vivemos na ilusão de dias melhores, acreditando em promessas que jamais serão cumpridas, em pessoas vendidas, em poderosos sem caráter e em um futebol que um dia foi motivo de orgulho, mas que hoje se tornou símbolo de vergonha nacional.

Em tempos de extrema informação, como proteger a saúde mental?

Em tempos de extrema informação, o que devemos fazer para filtrar o que chega até nós para não adoecer a nossa saúde mental? Sei o quanto é difícil fazer essa seleção, mas precisamos entender que nem tudo é verdade, nem todas as pessoas que aparecem na internet “informando” têm conhecimento do que falam. Muitas vezes é apenas uma opinião sobre um fato particular, e pode não fazer o mesmo sentido para você.

Antes da internet, fazíamos pesquisas em enciclopédias em casa ou em bibliotecas municipais. E sabe qual era a diferença? Não existia fake news da forma como vemos hoje. Ali estava a história que todos aprendiam na escola, não tinha como burlar com tanta facilidade. Hoje, a avalanche de notícias e opiniões que recebemos pode ser falsa. Todo cuidado é pouco.

Não é estranho nos depararmos com pessoas completamente violentas em suas opiniões por terem se influenciado por outras pessoas vazias, maldosas ou sem preocupação nenhuma com a informação. Uma pessoa que se preocupa com a cultura dificilmente cairá numa armadilha de influenciadores medíocres.

Nem tudo que se lê é verdadeiro, nem tudo o que falam é a realidade. As influências malignas existem exatamente para atrapalhar o desenvolvimento, para dar medo ou encher de coragem os desavisados.

Estamos em meio ao caos mundial, e muitos se aproveitam disso para explorar os mais fracos, os que preferem acreditar na dissolução entre os povos, na maldade, na violência, e acabam fazendo o que, de fato, os próprios influenciadores não fazem.

Precisamos entender que essas pessoas que propagam o mal precisam ser canceladas: quem não tem espaço, não entra. É muita discórdia e pouca informação, é mais confusão armada do que união. O mundo está perdendo a humanidade e entrando nas trevas.

Ainda podemos mudar isso. Em vez de querer ter razão a qualquer custo, mesmo que estejamos errados, precisamos ter discernimento sobre o que é melhor para todos. O mundo sempre teve suas diferenças, e cada um cuidava da sua nação. Mas estamos regredindo. Paramos de evoluir e estamos voltando a tempos que nossos ancestrais lutaram para superar. E agora, a era 2000 quer regredir?

Decadência cultural e valores castos. O dinheiro e o poder subiram mais do que à cabeça: ultrapassaram a moral. Vamos deixar acontecer?

Procedimentos estéticos vão além da aparência

Procedimentos estéticos vão além da aparência. Entrevistei a Dra. Mayara Rozas, dermatologista de São Paulo, ela contou que, após anos de atendimento, percebeu que muitas mulheres chegavam ao consultório buscando mudanças no rosto motivadas por questões emocionais.

Com isso, passou a investigar melhor a intenção por trás de cada procedimento. Nem sempre a mudança era necessária; muitas vezes, o desejo vinha de perdas, separações, luto ou da pressão para se encaixar em padrões de beleza.

Quando a origem do incômodo está em ansiedade, tristeza ou depressão, mudar a aparência não resolve a dor. Primeiro é preciso cuidar de dentro; depois, se fizer sentido, cuidar de fora.

De que adianta buscar uma aparência deslumbrante se a saúde física e mental está em desequilíbrio? O corpo também expressa emoções, e ignorar esses sinais pode mascarar problemas mais profundos.

Antes de qualquer procedimento, vale perguntar: eu realmente preciso disso? Qual é o motivo dessa vontade? A decisão vem de mim ou de uma dor que ainda não foi cuidada? Sem essa reflexão, o risco é entregar o próprio rosto — e a própria saúde — a profissionais que enxergam apenas uma fonte de renda.

Precisamos de mais profissionais como a Dra. Mayara Rozas, que olham para além da estética e percebem o que está gritando por mudança dentro de cada paciente. Procedimentos não são ruins; o perigo está em fazê-los sem equilíbrio emocional, sem necessidade real ou sem cuidado profissional. Antes de mudar a aparência, é preciso curar o que está ferido por dentro.