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O Brasil de 2026 vivendo o Brasil de 1964

Precisamos conversar mais. Já há algum tempo tenho percebido que o diálogo acabou, agora é quem vence. Agora pergunto: vencer o que se nós não vamos mandar em nada? O que estará vencido para o povo brasileiro? A vingança, o ódio, a derrota do outro? Quem vai lucrar com tudo isso? O povo é que não vai. A high society (alta sociedade) sim, os poderosos, os bilionários, entre outros.

Agora, grande parte da população assalariada, que faz conta para chegar até o fim do mês, que paga carro e casa com financiamento, gasta no mercado para sustentar a família, trabalha para sobreviver, e ainda assim se orgulha do que vai perder, está dando de bandeja para quem vai ganhar ainda mais. Existe algo de muito errado.

Talvez estejamos distorcendo os fatos, pois não estamos disputando um torneio de futebol e torcendo para um time, é sobre uma Nação, sobre nossas vidas e dos nossos filhos e netos, isso não é brincadeira. É vida real. Não gostar de alguém está tudo bem, mas isso não é sobre você, é sobre todos.

Acho realmente que milhões de brasileiros, depois de 37 anos, ainda não aprenderam de fato o que é uma democracia, talvez precisem viver a ditadura para entender qual foi a luta das Diretas Já. Talvez, só passando pela tortura e barbáries de uma ditadura aprenderão a se proteger, e não entregar a faca nas mãos de que sabe usar a favor próprio.

E não adianta dizer: só viveu os horrores quem fez coisa errada. Meu bem, leia a história e se informe, teve muito inocente morto e desaparecido. Teve jovens que apenas por estarem na rua, voltando para casa, pegos e torturados. Quem sabe os jovens de hoje deixassem de ser tão desrespeitosos nas ruas não é mesmo? Queria ver falar o que bem entende e ter represálias.

Eu sou a favor da democracia, da igualdade, do respeito com a mulher, contra o preconceito, a favor da educação e da cultura. Tenho orgulho de ser brasileira, mas vergonha ainda maior e medo de ser colônia do Tio Sam.

“Como nossos pais”

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado pra nós
Que somos jovens…

(Belchior/1976)

“Viver é melhor do que sonhar”

(na voz de Elis Regina)

“O Bêbado e o equilibrista”

Chora a nossa Pátria, mãe gentil

Aldir Blanc e João Bosco. 1979

“Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão

Quando vendermos todas as almas

Dos nossos índios num leilão”

(Renato Russo de 1978, mas só lançada em 1987)

Entre o bem e o mal

A triste realidade de constatar que a polarização deixou uma parte da humanidade extremamente ruim, destilando o ódio, e a outra do bem, que não consegue viver em paz. Como podemos ver, o mau tenta a qualquer custo destruir o bem. Por quê? Valores que antes eram importantes, como o caráter – que já não tem mais tanta importância –, deixaram de existir, ou de ser valorizado. A “modernidade” distorcida criou um desvio que não tem remédio, não tem tratamento, apenas vai, sem rumo e sem preocupação com as consequências que podem trazer, mesmo porque arruma-se outras saídas para se defender.

Enquanto uns lutam pela paz, outros querem mais a desordem, a briga, o poder físico de espaço, lugar, dinheiro. Destruir as virtudes ou a honra, reputação moral, são tantos os maus feitos que nem dá para enumerar, só sentir. Perdemos o controle de tudo, não há mais nada que possa ser feito, esses atributos são mundiais.

Os inúmeros preconceitos que estão aí só nos mostram o tamanho da insensatez das pessoas, por mais que se fale sobre o assunto mais aparecem pessoas destilando seus ódios, como se alguém nesse mundo fosse perfeito ao ponto de apontar o dedo para o outro sem se preocupar com seus defeitos e imperfeições. Afinal, quem aqui está apenas desfilando ou passeando pela Terra? Quem não tem um único probleminha na vida ao ponto de zombar de outros? Ou ainda, achar que está por cima?

Estamos vivendo o cada um por si, e tentando dar continuidade à vida à sua própria sorte. Em casos como preconceitos e diferenças sociais, vimos os acontecimentos sendo levados como se a vítima fosse culpada e o culpado fosse a vítima; ora, fatos são fatos e ponto final. Até quando teremos que assistir a essas desigualdades? Até quando?

Essa crônica é o ponto de vista de uma pessoa que vive nesta sociedade, nesse País, e acompanha os fatos com muita leitura. Não estou replicando falas de ninguém, apenas expresso minha visão, principalmente de tudo o que anda acontecendo. Sei que não existe somente a maldade, ainda temos seres humanos do bem, e são muitos, só não estão em evidência tanto quanto os maus, mas isso não importa, o que interessa é que por causa dessas pessoas (do bem) “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” (trecho da música “Nossos pais”, de Belchior).