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Elegância não se posta, se pratica

“Quem não te conhece que te compre”: quem nunca ouviu essa frase? Ela parece simples, quase popular, mas carrega uma verdade incômoda sobre aparência e realidade. Há pessoas que falam sobre postura, educação, inteligência e boas maneiras como se fossem exemplo daquilo que defendem. No entanto, muitas vezes, basta observar um pouco mais de perto para perceber que o discurso não combina com a prática.

Na semana passada, vi o post de uma pessoa conhecida falando sobre o que seria ser chique. O texto mencionava postura, elegância e inteligência. Se eu não a conhecesse, talvez concordasse com boa parte do que estava escrito. O problema é que, ao ler com atenção, percebi que aquilo não parecia uma reflexão sincera, mas um recado indireto para alguém que, provavelmente, havia incomodado aquela pessoa. E, convenhamos, usar as redes sociais para mandar indiretas enquanto se fala de elegância é tão deselegante quanto aquilo que se diz criticar.

Quando se quer dar um recado, manda-se uma mensagem no privado, conversa-se diretamente ou, em muitos casos, escolhe-se o silêncio. Elegância não é transformar incômodo pessoal em espetáculo público. Também não é expor nas redes aquilo que se cobra dos outros, mas não se pratica na própria vida. A verdadeira postura aparece justamente quando não há plateia, quando ninguém está curtindo, comentando ou aplaudindo. É aí que se revela quem age por convicção e quem apenas gosta de parecer superior.

Vivemos tempos em que a falta de postura aparece tanto no mundo virtual quanto no real. As pessoas parecem cada vez mais rápidas para julgar, atacar e humilhar, mas muito lentas para refletir sobre a própria conduta. Basta lembrar da criança escoltada no estádio por pedir a camisa do Neymar. Xingar uma criança por rivalidade entre times é insanidade e covardia. Esse tipo de comportamento mostra como a intolerância tem sido naturalizada, como se a agressividade fosse apenas parte da paixão ou da opinião de cada um. Mas não é. Falta respeito, falta limite e falta humanidade.

Por isso, antes de apontar o dedo, é melhor olhar para si. Falar de conduta é fácil; difícil é praticá-la quando somos contrariados, feridos no orgulho ou expostos a situações que testam nossa paciência. Ser chique, no fim, não está no discurso bonito, na frase de efeito ou na pose de superioridade moral. Está nos atos, na coerência, na forma como tratamos os outros e na capacidade de resolver conflitos sem transformar tudo em exposição. Talvez a verdadeira elegância esteja justamente em falar menos, agir melhor e viver com mais verdade aquilo que se cobra do mundo.