preconceito

Preconceito significa pré-conceito, quando se pressupõe alguma coisa sem conhecimento, sem fundamento, repúdio, aversão a algo ou alguém. São inúmeros os motivos descabidos para esse tipo de comportamento, colocando pessoas em situação de completo desprezo, por uma condição a qual consideram inferior, desprezível. Mas quem é superior a quem? Existe mesmo uns melhores que outros ou piores? O que pode colocar um simples mortal no pedestal e outro no chão? Classe social, cor, opção sexual, ou quantas outras características inventadas para o ego? 

Em qual momento o mundo ruiu dessa forma? Quantos valores avessos, quanta desordem, maldade, em nome de uma vida falsa, vazia, sem amor, sem significado real. A busca tornou-se o nada, o amor ficou em segundo plano, a bondade perdeu lugar nesse mundo de faz de conta. Eu sou, Eu posso, Eu tenho deu lugar ao psicótico. Anda junto a arrogância, a intolerância; não quero, não aceito, não concordo. 

É, a vida virou um jogo de interesses, quem pode mais; na verdade, ninguém. Estamos em guerra uns com os outros, não se aceita mais opinião, a ascensão, o diferente. O egocêntrico tem destaque; a maldade, o errado, isso todos querem ver, é notícia, é assunto. Ser diferente é estar fora da atualidade, o melhor é ser igual. “Alice no país das maravilhas” é pra lá que eu vou. 

Qual é o seu nome?

Em algum momento da vida muitos de nós já tivemos a impressão de perder a identidade, ou porque se aprisiona a alguém ou a um propósito. Dedicar-se totalmente, seja lá o que for, não te direciona a um caminho, te deixa estagnado, longe da sua verdade, longe de quem você realmente é. 

Deixar a sua realidade só te fará amargurado, frustrado e deprimido. Quantas pessoas vemos dessa forma por não ter sido o que sonhava. Quantas vidas já fizeram um caminho inverso por acomodação, medo de tentar, medo de enfrentar. 

A vida só tem sentido quando damos sentido a ela, quando encaramos os desafios e a vontade de ser quem se quer. Se permitir inserir onde quer que seja. Ninguém tem o direito de tirar isso de você. 

Ter um nome não é simplesmente ser a ou b, atrás daquele nome existe alguém que é, que faz, que tem personalidade própria. Veio ao mundo para uma missão muito importante, ser feliz.  

Eu sou uma pessoa, com nome, sobrenome e dona da minha imagem, daquilo que sei e do que aprendo todos os dias. E você, qual é o seu nome?  

O passado é uma roupa que não nos serve mais

Apenas uma coisa não importa mais, o passado. Não tem mais como mudar, se foi ruim – passou, se foi bom, passou também. As vezes lembramos com dor, com arrependimento, com mágoa; mas pra quê se não vai mudar? É melhor esquecer. A mágoa ou tudo o que nos faz triste, faz mal pra saúde, adoece a alma. Lembrar do que foi bom faz bem, volta a sensação de prazer, volta o momento de encantamento, de saudade, mas também passou. 

Vivemos o presente, o agora, não dá pra deixar passar, é preciso fazer, viver, alcançar os seus ideais, porque um dia será um passado, mas se não for bem feito no presente, vai doer. O nosso passado é importante para o nosso crescimento, experiência. Olhamos e não nos vemos naquela pessoa, talvez hoje faria tudo diferente; mas não era para acontecer hoje, era lá mesmo, no passado. 

Um pouco louco isso, um pouco sábio, mas se hoje nossas roupas já não nos servem mais, que dirá o passado, quando era mais jovem ou menos velha, era uma menina, ou uma mulher – um pouco jovem, mas hoje não sou mais. Daqui há alguns anos hoje terá passado, será um passado, mas eu também não serei mais a mulher de hoje, serei do passado. 

Quem é a sua família?

A família é o maior bem que podemos ter, é onde encontramos suporte para enfrentar os altos e baixos, amor e acolhimento. Nos tornamos adultos de acordo com a infância que tivemos; o que se carrega para a vida, é o que aprendemos nos primeiros anos de vida. 

Por esse motivo, a família tem um papel fundamental. Grande parte dos problemas que enfrentamos, são decorrentes de traumas, principalmente na infância. A criança nasce pura, sem conceitos ou maldade, somos nós, os adultos que ensinamos os nossos conceitos e crenças. Por isso o alicerce deve ser muito bem pensado, os exemplos nas atitudes é que determinam o que se aprende, de nada adianta falar se os atos são outros.  

Nenhuma família é perfeita, mas devemos honrar pelo básico, respeito e educação, pilares de uma vida equilibrada, e isso aprende-se em casa. Uma família desequilibrada cria filhos desequilibrados, sem rumo, sem um caminho definido, crescendo e conhecendo um mundo sem saber seu papel. É aí que os problemas começam a aparecer. E a família onde esteve que não mostrou o caminho, não estava presente? 

Traumas, tristezas profundas – depressão – medos, incertezas; ninguém nasceu assim, então em que momento isso se criou? É preciso tocar na ferida para se libertar, entender os seus problemas. A família não teve a intenção de ferir, mas cada um traz consigo sentimentos diferentes uns dos outros. Dentro de uma mesma família os irmãos não são iguais, são criados pelo mesmo pai e mesma mãe, mas são pessoas diferentes, recebem uma mesma bronca, mas a encaram de outra forma, uns ferem, outros não. 

Mas a base de tudo é o amor, se houver amor, carinho e respeito, já estamos a meio caminho andado para ser feliz no núcleo familiar, o resto enfrentamos com mais facilidade, entendendo que o outro não tem culpa de ter acontecido isso ou aquilo comigo. Vou entender que eu erro também, e posso reconhecer isso. Mas para que seja assim deve existir amor, o alicerce de tudo na vida, sem amor nos tronamos pessoas amargas. Liberte-se, acredite que você pode ser feliz, enterre sua tristeza, perdoe seus pais, eles só estavam tentando acertar. 

O prícnicpe caiu do cavalo

O dia que você nasceu o mundo já estava pronto, certo? Alguém te disse que poderia mudar as leis e regras estabelecidas ao longo da sua vida? Fazendo uma reflexão simples, chegamos à conclusão que já estava tudo pronto, como se tivéssemos um manual a seguir, sendo que se ousar a seguir diferente terá que enfrentar uma sociedade que vai te olhar torto, caso não siga as regras da vida. 
 

Imagina só uma mulher que não sonha com o casamento de véu e grinalda, ou mais que isso, quer ser mãe, mas não quer casar. Trabalha, ganha bem, é independente, mas quer viver sozinha, ter liberdade, não sonha com o príncipe encantado. Como assim? Então vamos lá. Abordo esse assunto com total liberdade e respeito por opiniões alheias, mas fala sério, a vida é uma regra de fases, e ai de você não cumprir, te cobram como se fosse obrigado a ser exatamente aquele robô, que durante várias encarnações seguiu as regras como se a vida precisasse passar por fases, como num jogo. 
 

Nasce, cresce, fica grandinho e já começam as cobranças: terminou o Ensino Fundamental, o Ensino Médio, vai fazer Faculdade, qual? Namora? Vai casar? Casou? Quando vem o herdeiro? E o segundo? E não para. Imagina a mulher que não quer casar? Precisa ter coragem e voz para se impor diante de tantas regras que não precisamos seguir. Ser quem se quer ser é uma das tarefas mais difíceis, diante de um mundo que já está pronto quando chegamos. Quebrar regras é desafio, é coragem. 
 

As mulheres, não generalizando, não sonham mais com a carruagem e o príncipe que fará o “Felizes para sempre”. Hoje, as novas mulheres enxergam diferente, ficam anos com a pessoa, ou moram juntos por um tempo, ou cada um no seu quadrado, ou nunca. O casamento é um sonho que está desabando, o bom mesmo é sentir saudade, sentir vontade, sentir, simples assim. O dia a dia acaba com qualquer sonho, enterra, afoga, destrói o sentir. 
 

Se temos o livre arbítrio porque somos escravos de regras? Me refiro a regras a serem seguidas para a nossa evolução enquanto pessoa. Podemos ser um profissional acadêmico ou técnico, ser autônomo ou contratado, casar ou não, namorar ou não, essas regras. Já as de comportamento em sociedade, como respeito, direitos e educação, essas são nossa obrigação enquanto seres humanos, gente, cidadãos. Devemos seguir para uma boa convivência. Podemos e devemos escolher aquilo que se quer, sem ser egocêntrico ou arrogante, sendo apenas você. Fique atento, escolha seu caminho, mas não se esqueça que o outro tem o mesmo direito. Respeite. 

O medo de sentir medo

Eu tenho medo. E você, tem medo ou prefere chamar de cuidado? Mas tem quem tenha medo de falar que tem medo, porque a palavra atrai o medo. Mas, se você entra no avião, senti pânico, pensa que pode cair, sabe Deus quantos quilômetros de distância está do chão, sua frio, passa mal, isso é medo ou receio? É medo! Você passa à noite, sozinho, numa rua deserta, tem medo ou receio? Medo! Aprendeu a dirigir, mas não pega o carro, é medo ou receio? Medo! 

Então por que tem quem diga que não é medo? Não pega bem, é melhor ter receio. De nada adianta trocar a palavra, o sentimento é o mesmo, e sua mente, não mente. Portanto, só deixará de sentir medo quando enfrentar o que te aflige, somente você pode matá-lo. Enquanto isso não acontece, você tem medo! 

E depois de amanhã?

Amanhã pode ser tarde, imagina depois de amanhã. Vai bater o arrependimento, a tristeza; eu devia ter feito, falado, batido, beijado, mas não fiz. Daí vem o “se”; se não fez, não era pra ser feito. Na vida não existe o acaso, existe o certo. Às vezes algo não acontece porque não é para acontecer, não adianta forçar, não seria bom, não te pertence.  

Chega depois de amanhã, e aí sim se conhece a resposta, com mais calma, refletindo e conformando com o resultado, pois não seria positivo. Que bom que me foi tirado, que bom não ter feito, depois do feito, não há o desfeito, é pra sempre. 

Talvez ainda chegue o dia em que os humanos pensem mais antes de agir, assim passará por menos frustrações e arrependimentos por situações que jamais se desfazem quando malfeitas. Uma palavra, um gesto que poderia ser evitado, mas não pensado, pode atrapalhar uma vida inteira. Pense antes de agir, o depois de amanhã pode ser um alívio. 

O tempo não para

A gente corre contra o tempo, e ele não para. Você chora, 

sofre, entra em desespero, mas o tempo não para. Enquanto 

você sofre e chora tem alguém chorando de felicidade, de emoção. 

Outras tantas estão trabalhando, discutindo em reuniões ou tramando 

contra, rindo e falando. E o tempo não para. 

O avião levantando voo, outros aterrissando no destino que alguém queria muito conhecer ou chegando para ver quem fazia anos que não se via. Outros de volta para casa, ou para o trabalho. Os carros passando, buzinando, brigas, batidas, gente correndo de carro e a pé. Mas o tempo não para. 

Gente morrendo, gente nascendo, gente morrendo de emoção, gente morrendo de rir, gente morrendo de medo e de alegria. E você aí chorando, mas o tempo não vai parar para sua dor passar. O mundo tem pressa, a hora passa, os minutos voam e os segundos são instantes. O tempo não para e não tem replay para vir onde errou ou que momento acertou. 

Tudo acontece no mesmo instante que você chorou… 

Chorão

O livro ‘Se não eu, quem vai fazer você feliz?’ de fato é uma história de amor. O leitor não vai encontrar a vida do Chorão desde pequeno, seus dramas de família ou percalços da adolescência até a vida adulta. É uma história de duas pessoas que tiveram aquele encontro ‘casual’ na hora certa.  

A história discorre de quando e como se conheceram, todas as fases que passaram juntos em quase vinte anos de convivência e muito amor. As conquistas profissionais e pessoais, fatos engraçados e dramáticos, mas principalmente a pessoa atrás daquela imagem, um homem sensível, focado no trabalho e com muito amor no coração. 

Sofreu muito com a morte do pai, também com as brigas na banda, as críticas que recebia dos fãs, os problemas que surgiram com o sucesso. Tudo isso levou o ídolo que fazia a plateia interagir com ele como nenhum outro a sair de cena precocemente. Isolado, sem que ninguém pudesse fazer nada. Nunca mais voltou aos palcos. 

Uma história gostosa de ler, que conta fatos muito particulares da vida de Chorão e Graziela, uma trajetória feliz, mas com desfecho trágico. Leitura rápida e de fácil entendimento, que, com certeza, vai levar os fãs mais sentidos com sua morte a entender melhor como foi a verdadeira história.  

Resenha

Um rapaz bonito que chamava a atenção por onde passava, usava um skate nos pés e um jeito marrento de ser, mas só quem o conhecia sabia que aquilo era só um escape para o rapaz mais tímido e amoroso que existia atrás daquela aparência. Um poeta, um homem apaixonado, que de tanto amar preferiu sair de cena antes para não deixar o seu amor ficar infeliz ao seu lado. Um ato de amor. 

Conheceram-se em 1994. A primeira troca de olhares foi no calçadão de Santos, daí por diante o ‘acaso’ não parou mais, até que se encontraram numa balada da cidade. Sem saber que era ele, Graziela avistou de longe um rapaz com uma mecha de cabelo vermelho fluorescente. Decidida, foi até ele para falar exatamente sobre esse detalhe; quando ele se virou, viu que era o Chorão. Logo depois disso passaram a se encontrar, até que começou o namoro, da forma mais tradicional, o pedido oficial. Daí surgiu a música ‘Proibida pra mim’. A banda explodiu em 1996, com uma demo entregue a Tadeu Patola que chegou às mãos de Rick Bonadio, e assim o Brasil conheceu ‘Charlie Brown Jr’. 

O amor desse casal foi algo difícil de imaginar que possa existir, com cumplicidade, respeito, parceria e muito amor envolvido. Conheceram-se quando ele ainda não era nada, passaram dificuldades juntos, caíram várias vezes, mas nunca desistiram nem do amor nem do sonho. Ele tinha um propósito na vida, dar uma casa para a família. Conseguiu muito mais do que isso, conquistou o que nunca imaginou que fosse capaz de conseguir, ao lado daquela que esteve junto em todos os momentos, e isso pode ter sido o pilar que sustentou sua vida por mais tempo. 

A banda ‘Charlie Brown Jr’ passou por duas fases difíceis; a primeira foi desmontada pela saída de todos os integrantes, o que deixou Chorão arrasado. Na segunda, não só teve problema com a saída de Pinguim, também como um processo que tirou a paz de Chorão, mas também com os inúmeros compromissos burocráticos e shows, que só cresciam. 

Não havia nada errado com a banda na época de sua morte, mas havia muita coisa errada com Chorão. Não conseguia se livrar das drogas, não se sentia mais feliz com aquilo tudo; procurava algo para fazer sentido em sua vida. Como forma de não levar seu grande amor para baixo com ele, saiu de casa alguns meses antes da sua morte. Dizia que ia voltar, mas o seu estado não permitia que voltasse. Foram inúmeras as vezes em que Graziela tentou tirá-lo daquela situação. Ele até concordou com um primeiro tratamento para se livrar da dependência química, mas não prosseguiu. 

Foi então que, em 6 de março de 2013, o Brasil perdeu mais um ídolo do rock nacional, mais um poeta, mais uma banda que poderia estar aí com suas letras sensíveis, algumas nem tanto, mas feitas através do coração que batia naquele peito que transbordava amor.  

Não encontrei uma pessoa rude e pesada nas páginas desse livro. Conheci um Chorão que não se via nos palcos, aquele jeito despojado de ser parecia ser a sua melhor versão, mas não era, a sua melhor versão era o Alexandre, o homem, o marido, a pessoa atrás dos bastidores, e esse quase ninguém conheceu. 

Tem uma fala de Graziela no final do livro que diz: “Atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher”, mas para ela “esse ditado nos deixa, como mulheres, numa posição coadjuvante. Não há um real reconhecimento de que a “grande mulher” também trabalhou, lutou e sofreu, não participou apenas da colheita e das alegrias”. 

 Eu digo: Ao ‘lado’ de um grande homem existe uma grande mulher. 

Este livro você encontra na livraria do site

Renato Russo

Vinte e quatro anos sem o ícone da música brasileira, Rento Russo. 

Uma obra completa da vida e trajetória do vocalista da Legião Urbana, o maior ídolo do rock brasileiro. O autor conta em detalhes sobre a política brasileira desde a idealização do presidente da República, Jucelino Kubichek, em construir a capital do Brasil à concretização de Brasília em 1960, com destaque em 1964, quando houve o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, quando o então presidente João Goulart foi deposto do cargo e assumiu o general Humberto de Alencar Castelo Branco até o fim da ditadura no País. Mais de vinte anos contados em detalhes, passagens assustadoras daquela época. Um livro para quem viveu esses anos e para quem só sabe pela história.  

Renato Manfredini Junior nasceu em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro.  De família de classe média alta, Renato teve toda estrutura cultural necessária para se transformar em um dos artistas mais inteligentes da música brasileira. Na infância, morou dois anos com a família em Nova York, onde adquiriu um inglês fluente e que mais tarde, já no Brasil, estudou na Cultura Inglesa para não perder a fluência do idioma.  

Aos treze anos foi morar em Brasília, onde fez muitos amigos, muitos deles se tornariam também ídolos da música. O livro mostra passo a passo todo o seu desenvolvimento, a escola, a faculdade, trabalho e a música. À época, muitos artistas foram morar na cidade com os pais, que tinham cargos em bancos, militares e diplomatas. No caso de Renato Russo, seu pai era assessor da presidência do Banco do Brasil. Na cidade ainda havia Herbert Viana, com o pai piloto da Presidência, e Dinho Ouro Preto, de pai diplomata. Todos se conheceram em Brasília. 

O autor faz uma esplanada em vários artistas que estiveram na cidade para fazer shows, muitos nomes surgem no decorrer desta história. As grandes bandas de rock dos anos 80 saíram de Brasília, em meio a uma política conturbada, mas os jovens não se intimidavam e saíam às ruas para protestar. Essa é uma situação recorrente durante todo o livro, pois o autor vai e volta em datas para um maior entendimento dos fatos decorridos. 

Renato Russo foi, sem dúvida, um filho da revolução, como diz o próprio nome do livro, não só por ter crescido e vivido a ditadura, mas também por não tolerar e não se calar diante de tudo que não aceitava. Por muitas vezes se envolveu em situações complicadas e até foi preso. Mas nada disso o fazia se calar, suas músicas são prova disso.  

Muitas delas foram censuradas, trocavam palavras ou até mesmo proibiam, mas a sua expressão estava lá, falava versos de indignação e os fãs repetiam com firmeza, como por exemplo: “Que país é esse”? e “Será”. Certa vez disse que não queria cantar essa música a vida toda, pois acreditava que um dia iria passar. Será? 

As fases da sua adolescência mostram sua transformação. Um fato marcante foi a doença descoberta aos 15 anos, epifisiólise – desgaste da cartilagem do fêmur. Isso o levou a passar mais de um ano sem poder se movimentar, época em que escreveu e leu muito. Aos dezessete anos mostra a transformação do garoto certinho, que trocou a camisa social pelas camisetas, adotou calças rasgadas e tornou-se um punk. Depois formaria a sua primeira banda, em 1978, com os amigos Fê Lemos e André Pretorius, a Aborto Elétrico.  

Em 1982, depois de ter deixado a banda e tocado voz e violão como, Trovador Solitário, Renato Russo formou a banda que mudaria sua vida, a Legião Urbana, juntamente com Dado Vila Lobos e Marcelo Bonfá; posteriormente entraria Renato Rocha.  

Foram muitas as histórias até chegar à sua morte, em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, no Rio de Janeiro, acometido pela Aids. Triste ver o fim de um ídolo de uma geração, de uma inteligência espetacular, um artista que interagia com seu público como nenhum outro; embora com temperamento difícil, mas que contagiava por onde passava. Deixou uma legião de fãs, que se multiplicam até hoje. Suas músicas são imortais, sua história continua mais viva do que nunca. Todo fã deveria ler “Renato Russo o Filho da Revolução”, para entender o porquê se posicionava com ênfase em tudo o que não aceitava, seus questionamentos, sua personalidade marcante. Vale muito a pena ler. Um livro rico na história política e da geração do nosso país, entre os anos 1960 e 1980. Contada lado a lado a construção da história do maior e legendário artista dessa geração, que mesmo após vinte e quatro anos da sua morte continua vivo e atual em suas canções.  

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há” 

Renato Russo 

Resenha

Nascido no Rio de janeiro em 27 de março de 1960 no Bairro do Humaitá ganhou o mesmo nome do pai, Renato Manfredini Junior. Pai bancário, tinha cargo de destaque como assessor da Presidência do Banco. Banco do Brasil e mãe dona de casa. Moravam no Alto da Boa Vista, viviam bem. 

Sua mãe nutria o desejo de morar em Brasília, recente inaugurada. Em visita ao primo dela que morava na cidade, Carminha queria criar os filhos lá, Renato tem uma irmã mais nova, Carmem Tereza. 

Seu pai achou que logo que a cidade fosse inaugurada, pela sua qualificação seria tranquilamente transferido, mas não deu certo. A família passou dois anos morando nos Estado Unidos para estudos do pai Renato. Mais uma vez na volta quando tudo parecia estar certo quando outro funcionário conseguiu a transferência. Somente em 1972 a transferência se concretizou 

Renato sempre foi ótimo aluno, escrevia muito bem e gostava de ler. A música fez parte da sua vida desde muito pequeno que junto de seu pai ouvia música clássica ou música norte americana. 

Aos oito anos na temporada de Nova York foi matriculado numa escola pública e impressionou a professora quando precisou listar os livros que já havia lido, relacionou mais de trinta. A professora chamou a mãe e disse que ele não havia entendido a lição, mas Carminha disse que tinha entendido sim, tinha lido todos. 

Quando foram morar em Brasília eram bloco de apartamentos destinados a funcionários dos bancos, a família estava no bloco do Banco do Brasil, assim como todos os moradores. Lá Renato fez amigos como Claudia Valença, também do Rio de Janeiro, Inês Serra e Luiz Gustavo. Estudou inglês sempre, a família questão do idioma. Era rodeado de cultura, seu pai sempre o levava em concertos de música erudita no Teatro Nacional, apresentações de orquestra internacionais, garantia ao filho acesso ao conhecimento. Enciclopédias, livros de referência, clássicos da literatura universal. 

Estudou no colégio Marista em Brasília, em sua classe havia filhos de advogados, médicos, engenheiros civis, bancários entre outros. Os filhos de militares eram identificados apenas com FP (Funcionário público). 

O amigo Luís Gustavo Valença levou Renato com 14 anos para colaborar no Jornal Diário de Brasília, escrevendo reportagens e artigos para o suplemento infantil, com supervisão de jornalistas profissionais. Recebiam por semana pautas e prazos para a entrega dos textos. Havia também prêmio para o melhor trabalho do mês. 

Assim como Renato, Gustavo tbm gostava de música e iam no apartamento da família cantar e imitar artistas americanos. Renato mostrava os discos trazidos de NY. 

Em 6 de outubro de 1975 foi descoberto uma epifisiólise, um desgaste da cartilagem, o fêmur se solta. Renato, precisou ser operado às pressas. Colocou 3 pinos na perna direita, mas sua recuperação foi de muito sofrimento, as dores não passavam, até que seus pais decidiram procurar a opinião de outro médico e foi assustadora. Os pinos tinham se soltado e precisou passar por uma nova cirurgia. Quando se recuperou havia crescido. Mas o problema deixou sequelas, quem o conhecia via que ele mancava. 

Foram muitos os músicos dos anos 80 que moraram em Brasília, cada um deles tinha o pai com função no governo ou em bancos. Haviam muitos jovens por lá e moravam em quadras destinadas a função do pai. Renato conheceu um rapaz, Luiz Gustavo muito popular na redondeza que contou para ele que um colega do Colégio Dom Bosco tinha ganhado uma guitarra Gibson do pai que acabara de chegar dos Estados Unidos, o pai desse amigo era piloto do Geisel. Assim Renato quis ver a guitarra de perto e pediu para que o levasse até lá, esse amigo era Herbert Viana, que morava na quadra destinada a graduados da aeronáutica, caso do pai de Herbert Viana que era responsável pela segurança do espaço aéreo do Presidente da República.  

Aos 17 anos Renato a partir de uma matéria publicada no Correio Brasiliense sobre os Punks, fica interessado. Fica sabendo da vinda da banda Pistols para o Brasil, muda totalmente sua aparência sempre muito séria passa a usar calça jeans rasgada, camiseta branca e acessórios como botas coturno. 

Renato entra na faculdade de jornalismo na CEUB, já que seu sonho era ser escritor e cineasta, sonhava em receber a estatueta de melhor roteirista. Continuava com o curso da cultura inglesa. 

Em 78 havia agentes infiltrados na faculdade e no curso de jornalismo havia um, tão despreparado que perceberam quem era 

 “Urbana Legio Omnia Vincit” ou “Legião Urbana Vence Tudo”, até mesmo a cinebiografia de seu ídolo mestre. 

Junto com o amigo Alex de Seabra querendo fazer uma banda lembram de Fê lemos que Renato conhecer na Cultura Inglesa que era baterista, e Petroius amigo da escola Americana. Quando falam com Fê sobre a banda topa na hora, assim nasce o “Aborto elétrico”. Começam a tocar na Colina com André Petroius, Renato Manfredini e Felipe Lemos. Em 79 Renato opta por usar o nome fictício de Érico Russo, nome traduzido para o português da sua primeira banda imaginária. 

Renato era irônico e não deixava passar nada. Na sala de aula da faculdade retrucava com a opinião dos mestres. Na mesa do bar “Chorão” discutiam sobre os rumos do Brasil, em outras escrevia poesias em guardanapos, entre uma cerveja e outra. 

FRASE DE RENATO 

“Considero-me a voz da geração Coca-Cola, que são os filhos da revolução. Sou um filho perfeito da revolução, por isso minha poesia não reflete nada” 

Flávio irmão de Fê entra na banda também. Todas as músicas do aborto elétrico são escritas por Renato Russo com punho social e político. 

Nesta fase se torno agressivo com a família, muda totalmente seu jeito de ser e se vestir, para a preocupação da mãe. 

Dinho Ouro Preto e Dado Villa Lobos tornam-se amigos de escola em Brasília. Dinho começou a ouvir um barulho estridente que vinha de longe, desceu e foi a pé até chegar no local. Quando viu era uma banda que tocava na calçada, daí viu que eram da quadra próxima a sua casa. O Aborto elétrico ao ver o grupo de filhos de diplomata se assusta com a presença, acabam de ganhar mais fãs 

Renato da aula de inglês na cultura inglesa, onde estudou desde que chegou a Brasília. Era o professor roqueiro muito querido pelos alunos. Um dia em conversa informal com a secretária da Cultura, Renato entregou uma fita cassete gravada com um ensaio do Aborto elétrico, e dispara: “guarda com você porque um dia vou ser famoso” 

Um show aberto pela Universidade de Brasília, Renato anuncia a banda Aborto elétrico, o povo havia vaiado outras bandas antes deles. Depois de cantar “Que país é esse” e “Fátima”, teve poucos aplausos. O som já não estava bom. Renato se enfurece com o público e grita. “Vocês não entendem nada, nem faz força pra entender” o público começa a vaiar. Renato rebate: “Vocês não estão preparados para esse som” as vaias aumentam e o show acaba. 

Renato trabalhou no Jornal da feira, vinculado à coordenadoria de comunicação do Ministério da Agricultura indicado pela amiga Leo Coimbra, fez teste como todos os outros e passou. Destaca-se na profissão como novato, é observador, objetivo e faz suas entradas ao vivo pelo orelhão. 

Nas férias os irmãos Fê e Flávio foram viajar, quando voltaram Renato foi à procura deles e anunciou que não queria mais tocar no Aborto Elétrico. Os irmãos decidem manter a banda com Ico Ouro Preto irmão de Dinho. A banda marca um show no Centro Olímpico da UnB (Universidade de Brasília), mas Ico com medo de subir ao palco desaparece. Pouco antes de começar o show Fê avista Renato na plateia e chama o amigo para tocar, Renato com sorriso irônico aceita e toca. Foi um sucesso, a banda nunca tinha contagiado tanto, mas Renato disse que a banda acabaria ali. Renato passa a tocar seu violão de doze cordas e cantar sozinho, “O trovador solitário”, como ele mesmo se denominava. Não agradava muito, mas continuou. 

“A música Eduardo e Mônica se inspirou num casal amigo que conversavam muito sobre história antiga e músicas da coleção do Eric Clapton”. 

Renato estava insatisfeito com o “Solitário trovador” e começa a escrever no papel a versão em inglês e francês da sua próxima banda, até chegar em “A Legião Urbana”. Até que faz um convite aos amigos: – Vamos montar a Legião? E assim começou com Marcelo Bonfá na bateria, Renato no baixo e Paraná na guitarra e paulista no teclado. Foram tocar em Pato de minas no festival do Rock. A banda assistida por policiais fardados é mau vista, mas seguem em frente. Logo depois sobe Plebe Rude com a música “votem em branco”. Assim que acaba o show os policiais perguntam à banda da Plebe Rude: Vocês são a banda de Brasília? Sim, vão todos para o posto policial montado. Legião Urbana e Plebe Rude tem que provar que são de Brasília, Renato se exalta reclamando da liberdade de expressão, mas os policiais não dão bola. São liberados mas com uma condição, tem que ir para a rodoviária e voltar no primeiro ônibus. 

Após o incidente, os shows passaram a ser nas redondezas de Brasília. Renato ficou sabendo que a banda Blits tocaria na cidade, ligou para para um colega do jornal da feira que estava produzindo o show e pediu para a Legião Urbana abrir o show, foi atendido. 

Hermano Viana irmão de Herbert Viana, é jornalista da Revista “Pipoca moderna”, assiste a um ensaio da Legião Urbana e entrevista Renato Russo e publica a matéria com o título “Ai de ti Brasília”, dando referência às bandas recém saídas da capital brasileira. Assim a banda em 1983 toca no Circo Voador. Começam uma ponte entre Rio/São Paulo 

Renato defendia o punk no Brasil e fez um comentário: 

“O punk apareceu no Brasil por falta de opção de músicas para jovens. O lance antes da abertura política, era o jovem escolher a lavagem cerebral: a MPB ou a discotheque”. 

São contratados pela EMI não costumavam lançar bandas de Rock, quiseram mudar a sonoridade da banda, mas não foi aceita pelos seus integrantes. Muitos contratempos com a gravadora, tensão e frustração, resolvem voltar para Brasília. Renato passa dias infelizes, brigas com a família, até que um dia sobe para o quarto e corta os pulsos. Socorrido à tempo pelos pais é levado ao hospital. Sem conseguir tocar tem um show marcado e pede para Renato Rocha tocar o baixo, ele aceita. Até que chega o produtor de som Amaro Moço 

Consegue fazer o som que a banda quer. No primeiro mês do lançamento do primeiro disco da legião foram vendidas 1,200 cópias, era janeiro de 1985 e o Rock in Rio começava, com bandas nacionais e internacionais de peso, a legião ficou fora para a revolta de seus integrantes. Depois das rádios tocarem a música “Será” a vendagem do disco ultrapassa cinco mil cópias. 

Renato depois de doze anos morando em Brasília muda novamente para o Rio, fica próximo da família. Renato não ficava quieto com brigas durante os shows, mandava parar, se irritava. Aproveitava para fazer discursos e colocar sua opinião, como este no dia seguinte à morte do ex presidente Médice. 

“Muitas vezes eu penso que só morre gente boa, gente que faz bem ao mundo. No entanto, a morte de um ditador me conforta, e, creio, conforta todas as pessoas que sonham com um Brasil livre e bonito. Então, vamos fazer deste show a celebração da morte de mais um facista”. 

Em abril de 1987, no auge da carreira com mais de 1 milhão de cópias vendidas entre os dois discos, Renato diz que quer parar, precisa se tratar, reconhece que o sucesso escapou de seu controle. Estava envolvido com cocaína e desejava parar. “Tudo o que é excesso não presta. Excesso de discos vendidos ou excesso de talentos, que não é meu caso”. 

Em 1988 a banda Legião Urbana volta a se apresentar em Brasília, desta vez no estádio Mané Garrincha. Renato queria o estádio embrulhado para presente, dizia que seria o show da sua vida. Neste dia a cidade estava tumultuada, integrantes do PCdoB circulavam com faixas pedindo a saída de José Sarney e do Governador de Brasília à época, José Aparecido de Oliveira, o clima estava quente. 

Quando saíram do hotel para o estádio haviam muitos ônibus sendo apedrejados, uma verdadeira confusão. A banda teve que atrasar a entrada devida a confusão que se formou no estádio, pessoas pulam alambrado. Quando começaram Renato, como de costume começou a conversar com a plateia e começou a contar uma fábula.  

“Narra a história de três anjinhos designados por Deus para proteger três países diferentes. Um fica sabendo que vai para o México, o segundo para a Tchecoslováquia. O terceiro anjinho, depois de receber um cartão com o seu destino, se encolhe num canto, chorando. Ao ser perguntado sobre o país para o qual seria enviado, grita, desesperado: “Pro Brasil, não! Pro Brasil, não”!. 

Que país é esse? Que país é esse? Renato emenda o refrão com a terceira estrofe: 

“Terceiro mundo se for piada”, a plateia delira. 

Renato era ácido, provocativo. Fez algumas brincadeiras com a plateia, mas teve uma que não foi tolerada, imita de forma grotesca um portador de deficiência mental. Nesse momento sobe ao palco um homem que se irritou com a brincadeira e dá uma gravata em Renato Russo. Com dificuldade de se livrar do agressor dá golpes com o microfone. Os seguranças correm para o palco e conseguem tirar o agressor. Era visível que estava assustado. 

Como não era de fugir de suas atitudes, pouco depois do incidente, já enfurecido, comente: 

“Eu disse que essa cidade era estranha” e canta o refrão mais famoso da história do rock “Conexão amazônica”. 

Em outro momento do show Renato começa uma confusão na plateia com a polícia. Para com o show e se aproxima da confusão e dispara:  

“Para, agora! Solta ele! Tu leva o microfone na cabeça, não tem que dar porrada não! Que história é essa de mão na cara”?! e ainda emenda  

-E cidade babaca…” 

A plateia começa arremessar bombinha de São João no placo, Renato não perdoa e chama os seguranças, diz que da próxima vez vai embora. Por conta disso resolve punir o público, anunciou que ia pular três músicas, o povo começou a xingar a banda. Renato fala mais, agride verbalmente e de forma agressiva quem estava jogando as bombinhas. Visivelmente nervoso afinou o violão e começou a tocar “Faroeste caboclo”, canta também “Será”, mas cinquenta e oito minutos depois de começar o show a banda sai do palco. O publicou esperou a volta da banda, mas não voltaram. A plateia indignada começa a destruir tudo, quebradeira e até fogo. Do lado de fora apedrejam o ônibus, muitas pessoas feridas. A banda chega ao hotel, Renato usa cocaína e fica mais agitado. Renato decide ir para a casa da família no meio da noite. Descobrem que está lá e o telefone não para de tocar a noite toda e na frente do prédio repetiam. “Legião não voltem mais”. Renato precisou sair pela porta dos fundos para ir ao aeroporto com segurança para o Rio de janeiro, e Brasília está a procura dos culpados. 

Em abril de 1993, Renato decide se internar depois de muitas brigas com a banda, Dado em uma turnê pelo Nordeste deu por encerrada, cancelaram todas as datas agendadas. Nesta fase Renato começa a escrever muito, escreve de Junior para Renato indagando a personalidade. Em 1996 numa entrevista para Jô Soares fala sobre sua recuperação nas drogas: 

“-Eu estava seguindo o caminho do Kurt Cobain, aquele rapaz do Nirvana. Muito depressão…”  

Passou por fases na música em Inglês e Italiano, na última foi para a Itália aprender o idioma, não foi fácil, mas realizou a vontade de gravar na língua de origem de sua família, os Manfredini. 

Suas idas a Brasília são raras, vai mais para ver o filho Giuliano que foi morar com os avós em Brasília. Renato pouco falava do filho, disse apenas que tinha sido um acidente, um belíssimo acidente que mudou a sua vida, mas são poucas as informações em torno do seu filho. 

Em 1989 Renato se apaixona por um americano e moraram juntos por um tempo, mas logo a relação acabou e Scott começou a se relacionar com mulheres Renato ficou depressivo e entrou na heroína. 

Depois da separação Renato entra em depressão e não quer mais aparição pública e precisa de medicação. Ainda tem boatos de que está com aids, mas ele só confirma para os amigos mais próximos. 

Pouco antes de finalizar as faixas do último disco sua irmã, Carmem Tereza liga para o irmão e percebe que não está bem e tenta estimular para o futuro, ele não queria mais continuar na música, mas pensava nos outros integrantes Sugere que volte a dar aula de inglês ou realizar um sonho antigo de fazer cinema. Pensa inclusiva em levar para as telas suas músicas, “Faroeste caboclo e Eduardo e Mônica” (Faroeste caboclo foi lançado em 2013 e Eduardo e Mônica em 8 de março de 2020). 

8 de outubro, o empresário da Legião, Rafael Borges chama Dado para irem visitar Renato. Ao chegarem no apartamento o pai de Renato quem abre a porta, levam um susto ao verem o amigo na cama extremamente magro, Dado vai ao banheiro e chora. pergunta ao médico o que pode ser feito, o médico a resposta é clara:  

-Não tem jeito 

Renato vira para o amigo e se despede com um tchau. 

Sua mãe estava cuidando do neto em Brasília enquanto o pai estava no rio ao lado do filho. No dia 9 de outubro o coração de mãe amanhece apertado queria antecipar sua ida para o Rio de janeiro que estava marcada para dia 11, mas seu marido disse que não precisava porque ele estava bem. 

No dia 11 de outubro pouco antes das 2h da manhã toca o telefone, Carminha atende o telefone, seu marido com voz calma avisa: 

-Carminha, o júnior acabou de falecer. 

Em um acesso de fúria e chorando muito grita que ele não podia ter feito isso com ela, devia estar do lado dele, ela o colocou no mundo e deveria estar nessa hora também. Pega o primeiro voo e vai para o Rio de janeiro. 

A notícia da morte de Renato Russo corre por todo país. Ao final da cremação do corpo do cantor a mãe da uma declaração: 

“ 

-Ele quis chegar ao fim. Ele não se suicidou, mas simplesmente não lutou. Ele quis chegar ao fim porque ele me disse: “Mãe, o meu lugar não é aqui, eu  

quero ir embora, eu quero ir para um lugar melhor.” 

Em 22 de outubro Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá voltam a EMI. Em entrevista coletiva comunicam que a Legião não existe mais. Dado lembra que os três tinham decidido que, caso algum deles deixasse a banda, o que fosse feito por qualquer um dos três não levaria o nome Legião Urbana. Conclui: 

-Renato partiu, automaticamente, o grupo não existe mais. E não faria o menor sentido continuar a existir. Renato é insubstituível. 

O álbum duetos, gravado Renato e outros cantores teve uma faixa curiosa com Marisa Monte, Celeste. Ela aceitou a participar quando foi lançado em 2010, mas não queria entrar em estúdio sozinha, achou que ficaria estranho ele não estar. Lembrou que tinha uma fita no seu acervo pessoal, havia um registro da música em que cantava com Renato no intervalo de uma sessão de gravação de “The Stonewall, em dezembro de 1993 e entregou a Carlos Trilha. Foi um trabalho difícil, mas é feito o dueto com as duas vozes, e Marisa Monte canta o verso que mais gostava junto com a voz de Renato. Quem ouve esta faixa no volume alto consegue ouvir que depois que acaba a música Renato diz: 

-Acabou?! 

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