Suzane

Poderia ser uma ficção policial, mas é realidade. Nas 279 páginas do livro o leitor irá encontrar uma história sórdida, com passagens dignas de um filme de terror. O autor faz uma reportagem narrativa, dando detalhes de três anos de pesquisa e entrevistas.  

O livro foi vetado na sua primeira tentativa pela juíza Sueli Zeraik Armani, do STF, alegando prejuízo irreparável à imagem de Suzane. Mas um mês depois o Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes permitiu a publicação garantindo a liberdade de expressão.  

À época do crime Suzane Cursava Faculdade de Direito pela PUC. Nascida numa família de classe média alta paulistana, pai Engenheiro e mãe Psiquiatra, já demonstrava ter uma personalidade fria, já que a família reagia sem muita emoção. Em um dado momento o autor relata que não costumavam se abraçar, nem mesmo em ocasiões especiais, um traço forte da origem alemã de Manfred  Richthofen. 

O crime é relatado em detalhes, desde como foi feito o marrete até o último golpe. A frieza com que recebeu a notícia, já que havia ligado para a polícia avisando que sua casa tinha sido assaltada, não esboçou nenhuma emoção, preocupou-se mais em como deveria proceder com o funeral do que pensar em saber como havia acontecido e quem foi; este foi o primeiro momento suspeito da polícia. 

Já na prisão Suzane precisou se defender do PCC; segundo consta, assassinos de pai e mãe, filho, pedófilo é jurado de morte. Aliou-se a criminosas como sequestradoras e assassinas para se defender. Teve um caso homoafetivo, mas também coleciona muitos defensores e aliados a ela, como o advogado e tutor/pai Denivaldo Barni e seu filho Barni Jr. 

O autor também dá detalhes dos irmãos Cravinhos no presídio e o arrependimento de Daniel (namorado de Suzane na época) ter se deixado manipular por ela, Suzane. Em um determinado momento do planejamento do crime, Daniel já havia desistido de matar, quando Suzane mentiu, disse que era abusada pelo pai desde pequena, levando Daniel à ira e voltando ao plano. Ficou sabendo da mentira já na cadeia, não se conformando com a frieza que a namorada revelou. Daniel está em regime aberto hoje, já seu irmão Cristian, voltou para a cadeia quando tentou subornar um policial. 

Suzane tem planos para o futuro, namora um marceneiro e pensam em casar assim que for promovida ao regime aberto. Mas esse plano inclui a mudança do seu nome, para desvincular sua imagem com o crime que cometeu, e vai usar o sobrenome do futuro marido.  Em algum momento não será mais possível encontrar com Suzane Von Richthofen, a criminosa, pois será Suzane Louise Olberg das Dores, Cristã. 

Um livro intenso, sangrento e às vezes difícil de continuar devido às inúmeras informações de tamanha crueldade, frieza, sordidez deste crime e outros contados por presos nessa obra. Uma narrativa rica em detalhes, mas que deixa alguns acontecimentos sem muita explicação. Uma história de uma mente nociva que pode mudar tudo, de uma menina de alto nível social a presidiária, e sem família. 

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Elis Regina

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O livro retrata a intensidade vivida por João Marcelo nos poucos 11 anos ao lado de sua mãe, Elis Regina. A história é impactante logo no começo, como se ali houvesse uma criança relatando um sofrimento calado, uma ruptura repentina que mudaria sua vida. 

Fala sobre o envolvimento de Elis com as drogas, da perseguição que sofreu ao ponto de ficar sem telefone para não ser gravada. Desmistifica a situação na qual a imprensa colocou seu pai, Ronaldo Bôscoli, como vilão, reconhece seus erros, mas compreende e fala com carinho sobre o pai. 

Tem repúdio a certas pessoas que conviveram com sua mãe, sem dar nomes. Chama de vampiros, parasitas, puxa-sacos, bajuladores, encostos, que logo depois da sua morte sequer deram apoio a ele, uma criança de 11 anos que sofreu a angústia da perda da mãe. 

Mas também tem passagens divertidas da sua infância, uma criança levada. Elis é retratada como uma mãe doce, mas severa, que em meio à sua vida atribulada entre shows e viagens, nunca deixou de estar presente. Envolveu-se pelo mundo da música, chegou a acompanhar a mãe em Los Angeles com Tom Jobim. Aprendeu tudo sobre produção, gravação e esse foi o seu futuro. Fala com muito carinho dos irmãos, Pedro e Maria Rita, e do padrasto César Camargo Mariano, por quem tem muita admiração. 

Um livro dinâmico, com uma linguagem clara e relatos íntimos de uma artista talentosa, amada e intensa, mas que ao se envolver com as drogas e dois casamentos desfeitos, deixou de acreditar nela e no seu potencial. Perdeu-se num vazio que a levou à morte precoce. 

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Rita Lee

Ora divertido, ora sarcástico, ora irônico, um livro repleto de passagens pra lá de curiosas, uma vida muito louca de uma pessoa muito inteligente e cheia de vida, sonhos e coragem. Ultrapassou seus próprios limites; nunca seguiu regras, quebrou todas, mas com tanta irreverência tornou-se um dos maiores nomes da música brasileira. 
 

Nascida em São Paulo e filha de um americano e uma brasileira, Rita Lee passou sua vida num casarão, como ela mesma descreve, na Vila Mariana, na Capital São Paulo, onde morou até jovem entre idas e vindas. Usa uma linguagem bastante peculiar, chama os pais pelo nome e a família, por harém, já que eram seis mulheres. Dá nome a tudo, inclusive ao jeep que ganhou do pai e deu o nome do mesmo, Charles. 
 

Conta como começou desde os Mutantes, passando pelo grupo Tutti Frutti; que lhe rendeu temas de novela, e chegando ao que foi de maior sucesso com a parceria com seu marido, Roberto Carvalho. A saída dos Mutantes não foi muito digerida por Rita Lee, diga-se que existe até um certo ressentimento pelo ocorrido, mas há de se levar em consideração como isso foi feito e consequências que vieram depois, quando ela, como Rita Lee, já era sucesso. 
 

Sobreviveu a uma ditadura cruel, se envolveu com drogas, foi presa, mas nunca perdeu sua majestade. Um livro intenso, divertido e dramático em alguns momentos. Uma mulher incrível e apaixonada por seu marido. Um livro para quem ama Rita Lee, viveu o auge dos anos 70 e 80 e não se esquece das músicas apaixonantes que marcaram uma época. 

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Sidney Magal

Com linguagem simples e objetiva, a autora descreve todas as fases vividas pelo cantor, desde sua infância até os dias atuais. Conta detalhes, intimidades da vida de Sidney Magal; sua infância, origem, influência artística e familiar.   

Um visual literário inovador. Tópicos que destacam momentos da carreira, entrevistas com pessoas que passaram por sua vida, trajetória, dramas e sucesso. Conta de forma muito envolvente a história de um artista que atraiu milhares de seguidores numa época em que o País explodia na MPB. Sidney Magal chegou para marcar, com gestos e danças nada convencionais para o momento, mas caiu nas graças do povo, e ainda hoje, por onde passa, deixa seu carisma e arrasta os fãs fiéis. 

Para quem gosta e admira o cantor, neste livro vai descobrir que Sidney Magal não só é o artista que todos conhecem, mas um homem apaixonado pela sua família e, principalmente, gente como a gente. 

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Palavra de mãe dói?

“Ser mãe é padecer no paraíso.” Qual será o sentido dessa frase? Quem será que inventou? Uma mãe desorientada, um psicólogo, um filósofo? 

É, a maternidade é o maior aprendizado do amor, do cuidado, da proteção, mas também ensina o quão difícil é ter que falar duras palavras para quem se ama incondicionalmente; ferir aquele pedacinho seu. 

Ao mesmo tempo que uma mãe se sente plena com a maternidade, sente-se tolhida, como se não fosse só uma pessoa, pois vive dois, três, quatro; quantos for necessário. O mais difícil é se fazer entender que não importa o número, o amor sempre será o mesmo, a proteção, o cuidado, tudo se multiplica num coração materno; todos são um pedacinho nosso. 

Mas esse paraíso tem alguns espinhos no caminho, e às vezes pisamos neles, e daí vem a dúvida, errei muito ou pouco? Feri? Sim, feriu, mas nunca é por mal, é sempre por excesso de amor. Mas os filhos não entendem, e aquela palavra, aquele conselho, doem como um punhal, ecoam na consciência para sempre, como se sua mãe vivesse na sua mente. Pior é que carregamos essas palavras como uma herança. E mesmo que um dia tenha nos feito mal, quando menos esperamos, repetimos com nossos filhos. Carregamos esse paraíso por gerações, e as palavras passam e continuam a doer. 

O que você fez com a criança que já foi um dia?

Já parou para pensar onde está a criança que você foi um dia? Se olhar para o mais profundo do seu íntimo, ainda encontrará qual foi o seu encantamento com a vida?  

A criança nasce pura, não tem maldade nem sentimentos de ódio ou inveja, traz consigo o mais nobre dos sentimentos, o amor. Mesmo que ao crescer comece a se deparar com situações de conflito, ainda assim sonha, ama e consegue viver em harmonia. A infância é o primeiro contato que se tem com os sentimentos, por isso sofrem quando são repreendidas brutalmente ou incompreendidas; claro, estão aprendendo. 

Mas é o período em que se adquire os traumas para a vida, por excesso ou falta. O excesso pode ser de cuidado, de castigo, de proteção, de palavras que jamais deveriam ser dirigidas a uma criança. Nada disso é levado em conta pelos adultos, que já são deteriorados pelo tempo. Criança não pode e não deve ser tratada como adulto, nem em gestos e muito menos em palavras; machuca, sangra por dentro. E assim vai se perdendo lentamente a pureza, o olhar sem maldade de uma criança. A falta pode ser de amor, de presença, de carinho ou até de repreensão, na medida certa. Repreenda, mas dê carinho; proteja, mas mostre os erros também; seja firme, mas seja doce também. 

Feche os olhos, imagine que está no seu quarto de criança. Você chega como adulto que é hoje, abrace a criança que foi um dia. O que você diria, qual conselho pediria a ela(o)? Sim, é a criança que tem o mais valioso para ensinar, não é o adulto. E o que você diria a ela(o), pediria desculpas por quem se tornou ou agradeceria pelo mesmo motivo? Em qual momento você teria mudado tudo, não deixar que a vida te rasgasse e deixasse de ser quem você era? 

Lembre-se da sua infância, do que você gostava de fazer, com quem gostava de ficar. Tente resgatar o que está no seu íntimo, quem você é de verdade está lá ainda, guardado. Talvez hoje apenas seja quem as pessoas querem que seja, mas o seu Eu interior está aí, e só você pode resgatá-lo. Não tente se enganar, viva o que quer viver, do jeito que quer. Não se preocupe em excesso com os padrões que a vida nos impõe. Somos seres diferentes uns dos outros, é só olhar para trás e ver que cada um viveu de uma maneira. As alegrias e os traumas não são os mesmos. Vamos respeitar mais a nós mesmos, a partir do momento que você se respeita e se aceita, a vida fica mais fácil. Faça como a criança que você foi um dia, viva; não agrade a ninguém, agrade você. 

Pensamento e intuição

O pensamento é uma massa que vibra, logo tudo o que se pensa é vibrado na mesma proporção, seja medo, raiva, insegurança, felicidade…

Cuidado com seus pensamentos, ele pode transformar a sua vida no pior significado, alimentar os sentimentos em realidade. Aprenda a ter o autodomínio, você é quem determina o que entra e o que sai da sua vida, seja seletivo, aquilo que se pensa é o que te define, é o que você faz, o que você mostra. Não adianta tentar esconder atrás da cortina a sua verdade se o que se mostra é tão simplesmente aquilo que se pensa e acaba sendo colocado em atitude.

Aquilo com que se compromete é o seu mais profundo interior, é o seu segredo em forma de conquista, de coragem de ser verdadeiramente aquilo que vive no seu pensamento, mas não havia se revelado. Pensar fala muito mais de você do que sua boca.


Intuição

É um pressentimento, uma sensação de que algo vai acontecer, pode ser bom ou ruim, algo que te incomoda te deixa inquieto. É um sentimento que atordoa, que te deixa ansioso. Uma confusão sentimental, um ato de importância para alcançar o mais alto nível de conhecimento da sua alma. Uma intuição jamais deve ser desprezada, sempre que achar que deve fazer algo, faça, pode ser a sua chance de alcançar o sonho desejado, ou talvez aquilo nunca volte a acontecer, pode não haver a segunda chance. Esteja sempre muito conectado com o que sente, apenas você é capaz de saber com clareza se algo que está na sua frente pode ser bom ou não.

É bom ressaltar que deve estar sempre consciente das situações, não confunda copiar todo mundo, ir na onda da moda com a sua realidade, a sua verdade, os seus princípios e ideais. Nem tudo o que se apresenta é o que se esperava, ou o que está de acordo com sua vida. Seja consciente e sério com você, não caia em armadilhas, ilusões que não te levarão ao seu lugar, atente para a sua ideologia, para o que você acredita e no que quer. Siga sua intuição, não ao que te sugerem o tempo todo. Ouça o seu Eu falando, você vai sentir que vem de dentro, e não de fora.

O Brasil está na UTI


Nunca passamos por uma situação tão triste como essa, nunca tivemos tanto controle de liberdade como agora. De repente a vida ficou triste, nada mais podemos fazer, até quando? Enquanto não param de crescer os números de mortos, não vemos nenhuma solução. Onde vamos parar, ou aonde querem que paremos? O poder virou uma doença, contagiosa destrutiva.

Nunca achei que felicidade fazia parte de bens materiais, do ter, isso é transitório e não traz sentimento, mas traz orgulho, apego, soberba, coisas que não fazem nada de útil para sua missão nesta vida, não preenche o vazio que muitas pessoas sentem, apesar de toda riqueza, fama e acúmulos. Morrem nesse vazio e não fizeram nada do que deviam ter feito.

A verdadeira felicidade está nas coisas que não têm preço, como a natureza, a risada gostosa, fazer carinho num bichinho, ouvir uma música que te remete a um tempo que não volta mais, um beijo em quem se ama, um abraço. Não podemos mais nem nos nossos pais. Triste.

Levaram embora nossa felicidade, nossos encontros, confraternizar com a família e amigos, comemorar, brindar a vida. Viajar, ter liberdade, planejar, sonhar, contar com o dia seguinte. Agora tanto faz.

Eu não ligo mais a televisão, não tenho nada para ver que me faça bem. Notícias? Morte, número de mortos, enganações, roubo, malandragem; eu quero ver sobre a vida. Novelas? É tudo o que está acontecendo lá fora, brigas, armações, falsidade, ‘esperteza’, violência. Não quero ver isso, quero ver o amor, o passeio, as risadas, as coisas boas da vida.

Hoje tenho vontade de ter tudo o que tinha no passado, recuperei meu aparelho de som com toca disco, CD e rádio, Ô coisa boa que é trocar de CD, colocar vários LPs para ouvir na caixa acústica antiga. Leio muito livro, compro novos e releio antigos, pego receita no meu caderno de receitas que minha mãe e minha avó me passaram. Eram (e são) tão boas, com glútem, lactose e vida; hoje não tem mais vida a comida, tudo é proibido em nome do corpo perfeito. Cuido sim da minha saúde, mas não deixei de ter prazer no que eu gosto.

Ouço Cazuza, Tim Maia, Caetano, Chico, Bethânia, Paralamas, Queem, Barry White, Michel Jackson, Steve Wander, Ray Coniff, Burt Bacharach e tantos outros do passado, que nunca morreram, são músicas eternas, de qualidade que não acaba; no CD ou LP.

Vivo hoje com a felicidade de ter minha família viva, pois laços não se perdem. Sou feliz porque tenho dois filhos, são a minha vida, meus companheiros, meu marido, que está ao meu lado para o que der e vier, meu neto, que faço tudo por ele, meus pais, minha irmã e sobrinhas, e amo todos. Por fim, por mim, que apesar do que querem destruir na vida do ser humano, não conseguirão destruir quem você é, sua história, seu caráter, sua família e principalmente, o que é meu ninguém tira.

Esse recado quero deixar como um alento para as pessoas que, assim como eu, estão cansadas de tanta barbárie aos nossos olhos e não ter como findar. Mas uma coisa temos, a certeza de que não estamos sozinhos, tem alguém muito maior cuidando de nós, eu creio.

Em oração pelo Brasil e pelo mundo, dias melhores virão!

Fazemos parte desta história da humanidade

Tenho ouvido alguns comentários do tipo: “Não tem nada pra comemorar este ano”. Oi? Como não? Tá certo que o ano de 2020 foi bem conturbado, mas também foi um marco na história e nós, que estamos aqui, fazemos parte desta história da humanidade. Independentemente de pandemia e afins, estamos historiando esse marco. 

Agora, falando do assunto que me trouxe a escrever sobre isso. Se eu e você chagamos até aqui, depois de ter passado por toda essa turbulência, com saúde e vivos para entrar num novo ano, não temos nada pra comemorar? É sério? E como temos! 

Você pode dizer: “Mas você não perdeu ninguém da sua família para a Covid”. Não é uma questão de desrespeito, muito pelo contrário. Sei muito bem o que esse vírus fez e significou para a humanidade, mas falo sobre superação, independentemente de tudo que possa ter causado o ano de 2020. Este ano fez com que as pessoas parassem, desligassem o motor automático e passassem a reconhecer a sua família, a si próprio como um ser vivo e não uma máquina que tudo faz sem parar, em busca constante por mais coisas do que para você, de olhar para seu lar e não para sua casa dormitório, que ocupa espaço com outras pessoas; essas pessoas são a sua família. Parar de falar “não tenho tempo”, todos encontraram tempo para sentir saudades, lembrar do pai e da mãe, fazer uma chamada, mesmo que de vídeo, mas falar com as pessoas. 

Então chegamos no fim do ano depois de tudo o que pudemos aprender com o tempo, com os sentimentos, com as perdas. Perdemos pessoas queridas, emprego que muitos já se arrastavam para continuar, mas encontraram outras saídas. Encontraram dentro de casa o que é o amor, e o melhor lugar do mundo de estar, em casa. 

Estamos a menos de dois dias da passagem do ano, vivos, com saúde, com comida na mesa, um teto para morar, família e chegamos até aqui, e isso não é motivo para comemorar? Somos seres que tivemos o privilégio de estar aqui neste momento, mesmo que alguns não achem o mesmo, mas estamos aqui. Agradeça ao invés de reclamar, comemore sim a sua passagem. 2020 tem muito mais a ser comemorado do que qualquer outro ano. Celebre sua vida com alegria, não perca essa oportunidade. Olhe para a vida com olhos de águia, faça seu voo mais alto e agradeça tudo o que passou, tudo o que superou. Você foi um vencedor! 

Diferenças Sociais

Século XXI e os anos dois mil chegaram, um século esperado ansiosamente pelos relatos que crescemos ouvindo, de ali acabaria o mundo. Mas não aconteceu. Muita coisa mudou nesses 21 anos que se passaram, muita evolução tecnológica na medicina, nas carreiras e no modo de vida, mas nada disso ajudou na evolução humanitária, salvo algumas pessoas que ainda têm olhar para os seres que não fazem parte dessa ‘evolução’ tão sombria e tão cheia de ódio espalhada pelo mundo.

Do que valeu chegarmos até aqui, sendo que o homem foi corrompido pela ganância e orgulho? Do que vale tanta evolução se não serve para o crescimento da pessoa, do Ser que habita em cada um?

O trabalho dignifica o homem, sim, mas desde que tenha a sensibilidade de entender que nada do que conquistar é seu de verdade, que se souber dividir com aqueles que necessitam mais do que você não estará perdendo nada, mas sendo um humano com capacidade de entender que ninguém domina nada, que não é dono de nada, mas é responsável pelo o que faz ou deixa de fazer. Sua vida não depende do que você tem ou juntou, mas de quem você é.

Moramos num País com a maior diferença social que existe, enquanto alguns não se cansam de arrumar brechas para ganhar sempre mais, outros não têm o que comer, vivem em pobreza extrema, sem saneamento básico, sem nada. Se o Brasil é um País rico em terras, onde se planta tudo nasce, e o maior exportador agropecuário, por que tanta diferença social? Aonde ficou a solidariedade?

Recentemente minha filha, que é jornalista, fez uma matéria com uma família de comunidade com 11 filhos em extrema pobreza. Uma das crianças, com 7 anos, disse que seu maior sonho era comer bolo de chocolate. Essa declaração foi tão impactante que inúmeras pessoas se prontificaram em mandar o bolo de chocolate. Eles não só receberam mais de um bolo como cestas básicas, roupas, material de higiene e uma pequena festa de aniversário, coisa que nunca tiveram.

Infelizmente, essa situação é comum em todos os cantos do nosso País, crianças que nunca comeram muitas outras coisas, que não têm sequer um pacote de bolacha recheada para comer uma coisa gostosa fora de hora.

Em contrapartida, temos famílias e crianças consumindo um panetone de R$ 150 ou mais, e que não raro parte vai para o lixo. É comum saber de crianças obesas por comerem lanches, fast foods pedidos por aplicativos, ou ainda muitas delas passando por terapia porque não comem, não vão bem na escola particular, mas recebem os presentes que querem, as viagens, jogos e afins, sem sequer saber que existem outras crianças iguaizinhas a elas que nunca comeram um bolo de chocolate.

A sociedade está completamente errada, com valores invertidos, sem significado algum, sem que nossas crianças saibam das diferenças, dos absurdos que acontecem. Não é verdade esse mundo que é apresentado.

Essa nova geração também crescerá dando pouca importância para essa diferença, não aprenderam a compartilhar, mas sim acumular. Não acumulam bens, mas jogos, aparelhos, cartas, celulares e ainda aprenderam a mostrar o que têm, disputar e exigir.

Devemos olhar para uma nova forma de sociedade de direitos para todos, de ter comida na mesa não ser um privilégio de alguns, mas de todos. Ter uma casa, água e emprego, isso não é sorte, é vida. Essa vida não foi dada para uma classe social, ela é dada a todos. Ser rico ou pobre não faz diferença nenhuma no sopro da vida, afinal, quando cada um deixar esse corpo deixará tudo, os pertences, o carrão e a casa, as pessoas que ama; e assim também deixará o pobre a sua casa, os seus pertences e a quem amou. Essa foi a maior prova deixada por Deus de que somos todos iguais, chegamos sozinhos e vamos sozinhos. Deixe sua arrogância e orgulho de lado, se torne um pouco melhor, ainda dá tempo, e leve com você a luz que deixou por aqui.

Crônicas, artigos e críticas literárias