Essa tal felicidade

 Palavrinha muito falada e pouco vivida. Por que todo mundo quer ser feliz? Você sabe a definição do que é felicidade? Vamos conversar sobre o assunto?

Ser feliz, estar feliz, fui feliz. Várias conjugações de ser, estar e ter sido. Mas na vida real, sem regra gramatical, o que esse sentimento significa? Olhe para sua própria vida e defina. Você se sente feliz em tempo integral, todos os dias? Se a resposta é não, você está certo, o conceito dessa palavra é feito por momentos felizes e outras séries de fatores que muita gente pode não concordar. Um exemplo disso é a  ética com a vida e o prazer nas pequenas coisas.

A grande maioria associa felicidade a poder, riqueza, fama, prazeres. Não é. Somos seres que precisamos mais do menos, se é que me entende. Uma pessoa que busca a fama sonha com o reconhecimento, ser amado, reverenciado, assim como na riqueza, quando se conquista tudo o que é material, luxo. E o que se precisa realmente para ser feliz?

Se você se desgastar com a busca incessante desses prazeres sem deixar tempo para seu descanso, para sua paz, adoecerá seu corpo, e você precisa que ele esteja saudável para viver. Já os prazeres momentâneos são inerentes a você. Dormir, comer, são necessários e naturais, é vida.

Acontece que, enquanto se busca a felicidade naquilo que não é necessário para sua vida, na verdade está tentando não sentir dor, mas a dor também é necessária e acaba. Ela vem, você aprende, sobrevive e ela vai embora. O medo faz com que se encontre prazeres, muitas vezes destrutivos.

Se somos seres livres, por qual motivo nos apegamos às coisas e pessoas achando que assim seremos felizes? Porque temos medo de admitir nossos erros, nossas escolhas.

Mas e se focarmos nas pequenas coisas, que nem são pequenas, mas aos olhos do ser humano passam desapercebidas grande parte dos dias? A natureza, a brisa, o sol, o pé na areia, uma flor, o mar, a serenidade de um rio, a água que se bebe, a comida que te alimenta. Mas o homem parou de dar importância para isso, colocando em evidência só os seus interesses, e hoje estamos convivendo com a revolta da natureza, nosso corpo está adoecendo mais pelo ecossistema errado, pela insensatez, pelo descaso com o que realmente importa. E todos querem a tal da felicidade.

Como ser feliz num mundo em que a busca pelo prazer é mais importante do que a saúde? O dinheiro e as coisas tomaram um lugar primordial na vida. Volto a falar da tecnologia que nos levou à loucura e ao sofrimento, a frustração do Ter, porque o Ser já nem faz falta mais.

Pessoas que se inflamam por não aceitar a opinião do outro, o pensamento entra em atrito com o sentimento e vira essa baderna que assistimos todos os dias. Matam, agridem sem prudência nenhuma. É necessário medir o que importa. Está se dando mais atenção ao que não importa, por isso a felicidade não chega e nem vai chegar.

Ser feliz não é ostentar, sorrir ou mostrar o que se tem, ser feliz é estar em paz com sua vida, é entender que o essencial é o que basta. Virtude, ética, razão e emoção andam juntas, nem muito nem pouco, tem que haver equilíbrio. A felicidade é muito menos do que temos e do que somos, é uma tentativa de fugir da dor. Não mude pelo mundo externo, pense e sinta na mesma sintonia, se não houver sinergia não haverá equilíbrio.

Se preocupe mais com suas escolhas, o seu tempo aqui tem prazo de validade. Você é a sua história, os seus sentimentos, o que vai deixar na lembrança de quem te conhece. Você nasceu pelado e vai embora sem corpo.

 

 

Da geração de 50 para 2000

O que mudou da geração dos anos 50 até hoje? Na década de 50 foi quando tudo começou a acontecer, principalmente no Brasil. A indústria automobilística se instalou por aqui, a economia do país começou a crescer, o desenvolvimento chegou, o Brasil não era mais um lugar à parte do mundo.

Surgiu a Bossa Nova, o ‘rock’ in rol, o chiclete, a brilhantina, o rabo de cavalo, as saias rodadas, a juventude começou a descobrir um novo mundo. A rebeldia estava presente, e a perspectiva de futuro era grande, muitos foram os jovens que brilharam em suas carreiras. O que diferenciava do nosso mundo de hoje era a educação que prevalecia no meio da sociedade, a hierarquia.

A partir daí, as próximas décadas viriam com mais transformações, na vida, no comportamento, nas conquistas e lutas pelos direitos. A política era relevante, a população era engajada, mas a repressão tomava lugar preponderante, e muita coisa aconteceu. Jovens foram torturados, exilados, a imprensa não tinha liberdade, o medo predominava. Os jovens dos anos 60 e 70 que sofreram com sua coragem na mudança do comportamento, no sexo, na paz e amor dos ‘hippies’ que transformariam uma geração.

Nos anos 80 foi a revolução no modo de vida, no crescimento econômico, as diretas já, que mudaram totalmente nossa história. Em 1985, o Brasil se libertou e nossa sociedade passou da ditadura (regime militar) à democracia. Foi um período histórico, que tenho orgulho de ter vivido, hoje estudado e processo importante do nosso país.

A discoteca, as músicas inesquecíveis daquela época, a moda de lurex, calça boca de sino, os cabelos femininos, como Farrah Fawcett, o ‘glamour’, a vida de verdade sem ostentação, simplesmente com vontade de viver intensamente, estudando, trabalhando e tendo em vista um futuro num país que tinha tudo para chegar ao topo do primeiro mundo, com seu povo alegre e acolhedor. Mas a partir do fim dos anos 90 as mudanças, ainda mais radicais, nos inseriram em um novo século, que mudaria tudo o que não imaginávamos; então, o que aconteceu depois do ano 2000?

Parece que tudo virou de cabeça para baixo, ainda que nos sintamos transformados com a chegada da ‘internet’, do celular e da aposentadoria da velha e boa máquina de escrever, foi bom. Tudo começou a mudar rápido, as transformações não pararam de chegar, nem tínhamos nos acostumados com uma coisa e já vinha outra. Isso começou deixar as pessoas ansiosas, com sede de informação, e com pressa de tudo. De um ICQ e MSN só no computador passamos para um ‘smartphone’ que faz tudo. Filma, grava, manda mensagem, liga, recebe ligação, faz foto de todo tipo, fala e, ao que parece, fotografa seu cérebro também.

Imagina você lendo uma propaganda e de repente começa a aparecer em tudo o que você abre no celular! Daí você pensa. Como sabe que eu quero ver isso? Pois é, essa tal tecnologia sabe tudo mesmo, até o que você pensa. Dia desses assisti a um vídeo que falava sobre isso, fiquei assustada ao saber que esse pequeno aparelho que carregamos nossa vida dentro pode ser o maior traidor, mas no qual confiamos. Será que isso é bom? Eu acredito que não, quero ter liberdade e privacidade nos meus pensamentos, não quero que um computador tenha domínio sobre mim nem que destrua vidas por tanta facilidade.

Existem meios para tudo, te rastreiam e podem te colocar em situações bastante complicadas com toda essa modernidade, que, ao mesmo tempo que é bom, não é. Um assunto bastante difícil de falar, afinal muita gente gosta de tudo isso e não imagina como é viver sem. Mas, assim como eu, muita gente sabe como era receber um telegrama, uma carta de um amigo distante, ligar do orelhão e acabar a ficha no meio da ligação, levar convite de casamento na casa dos convidados e servir picles espetado no melão envolto com papel alumínio.

 É, era simples, diferente, mas a gente era mais feliz. As fotos que a gente tirava só ia ver depois que revelava, algumas queimavam, outras saíam sem cabeça, e estava tudo bem, porque o sorriso na foto era por pura felicidade e não para provar uma felicidade que não existe.  A discoteca era um lugar para dançar, se divertir e poder dançar aquela música lenta com seu crush, palavra que nem existia naquela época. Aliás, existia sim, mas era marca de refrigerante. Os amigos eram de verdade, a vida era mais simples, o amor era de verdade, a comida não era gourmet, ninguém tinha vergonha de gostar de pão com mortadela. A gente era feliz. E você, é ou ainda é feliz?

 Os anos 2000 chegaram, mas não percebemos.

Dando continuidade ao assunto da última crônica – Inteligência Artificial –, quero abordar aqui a evolução que estamos vivendo e o que não percebemos. A forma de comunicação dos humanos evoluiu de símbolos desenhados para a escrita e isso mudou tudo, imagina agora.

A escrita nasceu no antigo Egito e, quando começou, não foi fácil com que chegasse às pessoas aquele novo modo de se comunicar, levou tempo e entendimento, aquilo poderia fazer o homem parar de pensar passando a confiar num papel. A internet foi um meio rápido de chegar ao maior número de pessoas no mundo, no começo também teve a recusa de alguns e o deslumbramento de outros. Com o tempo foi tomando espaço e, hoje, é o meio de comunicação que conhecemos e aprendemos a conviver.

Agora surge a Inteligência Artificial para nos assustar e contestar seu uso. Certamente que em breve será usada pela maioria da população mundial, e mudará nosso jeito de pensar e enxergar essa nova ferramenta. Mais uma vez seremos desafiados a mergulhar num novo modo tecnológico, que pode nos ajudar, mas também pode atrapalhar. Como tudo não é cem por cento, o que podemos esperar?

As crianças desse novo mundo não se adaptam aos velhos tempos, estão à frente do que nós fomos e tudo isso que não entendemos é porque eles vão dominar, não nós. Assim talvez fique mais fácil de compreendermos tanta coisa nova chegando, mas temos que entender que os novos tempos precisam chegar e, para isso, o velho precisa ir.

Se parar para pensar tem muita coisa que não faz mais sentido e ainda perdura aos nossos olhos, sem que percebamos o quanto está obsoleto. O conflito com o novo sempre existiu, um dia fomos os jovens incompreendidos, hoje estamos na oposição ao mundo dos jovens, talvez ainda não compreendamos que nada mudou, somente nós é que estamos vivenciando tudo novo junto com eles, os jovens, e por isso não entendemos.

É complexo e confuso, mas um dia isso não será mais assim porque os jovens de hoje serão muito mais preparados para as mudanças, já nasceram nesse mundo de mudanças constantes, de entenderem com mais facilidade as diferenças entre as pessoas, gostos, modos de vida. Quando envelhecerem, suas mentes estarão sempre atuais, porque vieram para mudar, para aprimorar e para entender.

Estou certa de que agora sim enxergo o novo mundo. Negamos durante muito tempo os anos 2000, mas não tem mais como negar, ele chegou e estamos vivendo intensamente, só não tínhamos percebido ainda. Bem-vindo ao século XXI.

Inteligência artificial, não precisa mais pensar?

Dia desses me surpreendi quando entrei num site de língua portuguesa e lá estava: ‘Digite aqui seu texto que nossa inteligência artificial corrige pra você’. Eu nem tinha a intenção de escrever nada, apenas uma pesquisa que estava fazendo. Mas aí pensei: como será o aprendizado dos jovens a partir de agora?

Desde que o antigo celular passou a ser smartphone deixamos muita coisa de lado. Quase não se liga mais para as pessoas, pois é só passar uma mensagem escrita ou de voz que conversa do mesmo jeito, ou ainda as fotos postadas que indicam onde você está, mapas de localização – até o Google manda todos os lugares que você esteve no mês!

Meu Deus! Somos todos encontrados, quer você queira ou não. Então, adeus privacidade. Mas agora os tempos mudaram, e as inovações não param, com a IA não precisa mais pensar nem tentar aprender, o robô faz por você. Já estava fazendo até a limpeza da sua casa, mas agora pode também pensar por você, caso queira.

Como será que estaremos daqui a dez anos? Sentados no sofá com o smartphone na mão pedindo comida, esperando o robô escrever pra você, trocando canal de TV e colocando as músicas que quiser no streaming de sua preferência, jogando, conversando, trabalhando, o que mais?

Será que vamos dirigir? Acho que não, o carro vai te levar por meio de computador programado. Escola não existirá, afinal algumas profissões não existirão mais, e eu estou correndo perigo, logo mais o robô vai escrever livros, artigos. Vamos continuar a existir?

As máquinas estão invadindo nosso universo já faz um tempo. O ruim disso é que estamos ficando cada vez mais sem movimento, usando quase tudo pelo comando de voz, sem que seja necessário levantar para acender a luz, ligar o som, colocar o relógio para despertar e outras coisas mais. Agora a evolução chegou ao cérebro também, é só um clique e esperar o cérebro artificial fazer por você. O quão importante isso será?

Ou seja, não tem mais volta, a tecnologia tomou conta e só nos resta seguir junto, nos adaptando nesse mundo louco. Nos disseram que seria assim, com robôs e tudo muito futurista. Não é exatamente como fantasiamos ou como certos desenhos mostravam, mas tá bem parecido, e hoje é real.

Daqui a dez anos a gente volta a falar nesse assunto, se ainda existir o ser humano. E, se existir, não faço ideia de como vamos conversar, talvez por chips telepáticos. Aguardemos. Até lá.

Àquele diário!

Lembra daquele diário que era segredo absoluto trancado a sete chaves? Era uma forma de desabafo para colocar pra fora os mais secretos desejos, acontecimentos e mesmo raiva de alguém ou da gente mesmo. Te fazia muito bem escrever tudo aquilo que não queria contar pra ninguém. Fazia mesmo e você nem sabia. Escrever sobre você te faz compreender as verdades que não quer enxergar, pois nesse momento não dá para mentir, só você está lendo e sabe o que sente.

É a forma mais sábia de se conhecer, o autoconhecimento. As palavras têm força tanto na escrita quanto na fala, mas escrevendo está gravando tanto na mente quanto no papel. A maneira de se fazer um diário é boa porque não vai ter o julgamento de ninguém, é só pra você mesmo, e isso traz segurança para colocar todo o seu sentimento, e a partir daí consegue desvendar seus medos e inseguranças.

Será que é por isso que hoje existe tanto problema emocional? Ninguém mais tem um diário, nem mesmo os adolescentes. Quantos suicídios acontecem, e não tem idade para isso. O número de problemas emocionais só aumenta, principalmente depois da pandemia. Nunca se ouviu falar tanto em terapia, ansiedade e depressão como agora. Acho que éramos mais inteligentes e não sabíamos.

Hoje o diário são as redes sociais, aquilo que não era pra ninguém saber agora é escancarado, e ainda precisa ter likes. Mas o estranho desse diário virtual é que só se mostra a felicidade total, todo mundo se ama, está sorrindo, em lugares maravilhosos, amigos, roupas, lugares, um luxo! Será?

A vida real atrás de tudo isso ninguém quer mostrar. Lembra daqueles medos e inseguranças, os problemas familiares, amorosos e com os amigos? Isso não existe no novo diário, e onde resolvem? No consultório do terapeuta e do psiquiatra, porque a vida é de mentirinha.

Não precisa ficar mostrando todos os seus passos, todas as suas conquistas, isso causa sofrimento porque a necessidade de mostrar que tá tudo lindo te angustia. Aquilo que é importante pra você pode não ser para quem vai ver. A felicidade é sua e não precisa de aplauso. Nós vivemos como somos por dentro e não como somos por fora. Viva mais off do que on, no fim das contas é só com você mesmo.

As relações humanas e a falta de humanidade.

De acordo com a história da humanidade, fomos divididos em clãs, vivíamos em grupo. Desta forma a população de cada nação se formou e cresceu. Até que naquele período uns ajudavam os outros, mas, e agora, o que é que aconteceu que não existe mais essa ligação entre as pessoas? Talvez a individualidade, o querer ter razão, ser melhor em tudo, ou o faço por mim, mas não faço pelos outros.

Podemos dizer que o que mais existe hoje de tóxico é a intolerância com as diferenças, ninguém quer saber de lidar com aquilo que não gosta. Mas não podemos e nem devemos ser todos iguais, mesmo porque viemos de famílias diferentes, não só pelas pessoas que nela habitam, mas principalmente por valores, crenças e costumes que cada família carrega.

Somos todos iguais por estarmos inseridos na mesma sociedade, da qual nos são apresentados desde muito pequenos os mecanismos existentes. Se parar para pensar tem um ritual, regras que estão estabelecidas que são incorporadas por todos sem questionamento nenhum.

As religiões são parte dessas diferenças, mas isso não invalida aquela ou outra pessoa apenas por ter aquela crença, continua sendo da mesma sociedade em que você está também. Mas não é assim que acontece. Existe uma competição insana pelas crenças, o que gera verdadeiros conflitos, sendo que basta entender e aceitar o que cada um é ou prefere ser.

Os conflitos nada mais são do que a insuficiência do ser humano para lidar com aquilo que não aceita no outro, precisa atacar para se sentir melhor. Mas será que isso é o suficiente? Afinal, o que se ‘ganha’ com isso? Angústia, o vazio que forma dentro daquele que atacou e tudo continua da mesma forma. Não temos o controle de tudo, apenas de algumas coisas da nossa própria vida, algumas coisas. Da morte, por exemplo, não temos.

Essa angústia gera conflitos consigo mesmo, vai sempre de encontro com aquilo que não se consegue mudar, é um monstro criado por você mesmo que briga constantemente com a sua insuficiência de querer mudar o que não lhe compete.

As relações humanas estão à beira da loucura, ou já se tornaram loucura? Todos os dias sabemos de notícias de absurdos que acontecem por intolerância, por desprezo e egoísmo. O egocentrismo prevalece de uma forma assustadora, sem ressentimento. Vale a pena viver para ser o melhor, o certo, o mais bonito, o mais inteligente, ou não deveríamos voltar a querer de fato viver o aqui e agora sem essa exposição toda e sermos de verdade quem somos?

Não esqueça que sua vida começa e termina um dia. Se não estiver disposto a enfrentar os altos e baixos, correr riscos e não aprender a lidar com os finais, então não vale a pena viver. Concentre-se mais em você, esquece os outros, temos prazo nessa passagem. Se perde tempo em querer brigar para vencer, vai acabar sem tempo para viver.

 Costela de Adão 

Já escrevi muitos textos sobre mulher, seus direitos e seu lugar nesse mundo machista, um mundo cada vez mais crescente. É incrível que isso ainda aconteça em pleno século XXI, ano 2023, que nem acreditávamos que existiria. Aprendemos que quando chegasse o novo milênio o mundo acabaria, não aconteceu e o machismo continua por aqui, triste realidade. O mundo não acabou, mas acabou o encanto, a simplicidade da vida que vivíamos – hoje, se não for pra mostrar aos quatro cantos, não tá valendo.

Como podemos ter alguém do sexo feminino à frente do mundo dominado por homens? Mulher ter opinião, posicionamento em discussões, liberdade, autonomia? Afinal, se nos contaram que fomos feitas pela costela de Adão é porque somos submissas aos homens, por isso eles mandam. Ah!! agora tá explicado. Não, não devemos obediência nem somos seres a servir um homem só por um pedaço de costela. O que é uma costela perto do que é uma mulher de corpo e alma? Tanto é que a responsabilidade de colocar um Ser no mundo foi dada à mulher e não ao homem.

Será que precisará de mais mil anos para que a mulher seja compreendida como um Ser livre em suas ações, com capacidade para ser e fazer o que quiser? Sem que haja machistas colocando lugares, restringindo e menosprezando só por ser mulher? Como ainda pode ter quem fale que a mulher passa dificuldade por não ter um marido, um companheiro, seja qual for a palavra usada, como pode isso?

A violência contra a mulher para ser considerada uma violência precisa ter morte, ficar desfigurada? A maldade contra a mulher não tem limites, e muitos por aí estão sossegados por não terem matado, ainda. Para os ignorantes é preciso explicar que violência não é apenas física, mas verbal, psicológica, cárcere, escravidão, todas são violências. Portanto, para quem acha que por não bater não está praticando um ato violento, fique atento, muita coisa acabou com a chegada do ano 2000, mas as mulheres ficaram mais atentas a quem são de fato.

Não podemos e não devemos aceitar insultos e desprezos. Grandes mulheres fizeram história de lutas e de conquistas, e vamos continuar mostrando que podemos mais do que nos é ofertado. O mundo não existiria se não fosse o homem e a mulher, por isso não existe o melhor. É preciso aprender a ouvir, podemos transformar, somar, dividir. Precisamos do olhar humano, do amor, do respeito daqueles que um dia chegaram ao mundo pela força de uma mulher.

Prazer em conhecer

Sou mulher, escritora, mãe, avó, curiosa e observadora. Às vezes tenho a impressão de que enxergo além do que estou vendo no comportamento das pessoas, às vezes vejo naquela atitude a criança que cresceu, mas os medos, e os gestos, ainda guardam aquela infantilidade que não acompanhou o tamanho daquele adulto, bem ali na minha frente.

Sou apaixonada pelo comportamento humano, por como funciona a mente, e o porquê de cada ser reagir da mesma forma em situações que a gente acha que aquilo é só nosso, mas não é. Todo mundo faz tudo igual, mudando apenas uma coisinha aqui e outra acolá. Por isso estudei muito; ainda estudo, li muito sobre o assunto. Fiz cursos e hoje escrevo sobre isso, das mais diversas formas.

O ser humano é esquisito, tem sentimentos de soberania como se fosse único na Terra, mas na verdade é só mais um, aquele pontinho no meio de tantos outros iguais, que sente dor, angústia, solidão, tristeza, alegria, que passa mal, precisa de um médico, corta as unhas, escova os dentes, e outras coisinhas tão comuns dos seres humanos, que o mais soberbo faz também.

A sociedade do mundo nunca entendeu que somos todos a mesma coisa, mudando apenas as fases da vida, um dia lá em cima e outro embaixo, um dia sem nada e em outro conquistando tudo que deseja, e vice-versa. Um dia alguma coisa me preocupa, me entristece, mas passa, como tudo passa, como tudo tem prazo de validade, até nós.

Aprendi com minha maturidade que nada tem mais valor do que a vida, a família e o amor. A vida porque é sua, é única, e só você pode cuidar e dar um sentido a ela, um caminho. Mas se errar não adianta culpar ninguém; lembra que a vida é tua? As consequências do que você é, também. Já a família é a única certeza que temos de pessoas que sempre estarão ao nosso  lado; salvo raras exceções, e que te amam de verdade. E o amor? É o sentimento mais nobre que podemos ter, traz paz, não te deixa doente, acumulando tensão, somatização de raiva, e se transformar na vítima da vida. O amor é leve.

Viver para você e por você, seja feliz como queira, desde que não prejudique ninguém, pois isso não é ser feliz, é ser incapaz. Família, a que nascemos, a que formamos, somos todos membros desse núcleo, ligados pelo sangue que nos une. Cuide, acolha, esteja sempre presente, tudo começou com eles, também termina com eles. Ame, ame muito e de verdade. Não fale para todo mundo que ama, não é verdade, afinal esse é um sentimento nobre e não uma palavra, apenas. Use-a com cuidado, apenas com quem te faz sentir o amor verdadeiro.

Por fim olhe por você, estamos aqui por nós e não pelos outros. Se preocupe com suas atitudes, com o que fala, como trata os outros, isso é o que faz de você um ser único, jamais existirá outro como você. Não decepcione quem te ama. Se seguir cuidando da sua vida, do seu caminho e dos seus sonhos terá cem por cento de chance de ser feliz. O que fica é o que fomos, e não o que acumulamos. Viva, ame e permaneça com sua família. Isso é a vida.

E quando a velhice chegar?

Se nos preparássemos para envelhecer não teríamos tantas expectativas. Ficar velho não é apenas rugas, pele flácida, dificuldade para andar, limitações. Envelhecer é missão cumprida no trabalho, nos propósitos que você carregou. Na família que você nasceu, na família que você construiu e, se assim foi, nos filhos – se os teve, nos netos, nas outras gerações.

Mas e essas gerações que vieram após você ter iniciado essa família, estão juntas acompanhando o seu envelhecer? Pois é, nem sempre o seu legado é reconhecido e respeitado, depara-se com a ingratidão e o interesse pelo que você vai deixar para as gerações que vieram. Triste realidade, mas ela existe.

Não ser mais ativo e independente é, na maioria das vezes, um símbolo de não se ter mais utilidade, ser esquecido e, quando não, entregue a mãos desconhecidas, pois sua família está ocupada demais para cuidar de você. Mas não para brigar pelo que lhe pertencerá um dia.

Por mais que apresente às pessoas sobre o que realmente faz sentido nesta vida, não muda nada, os bens materiais são mais importantes do que o amor e reconhecimento, o acolhimento que tanto é necessário nesse momento. Nascemos criança e no final voltamos a ser crianças crescidas, enrugadas por cansaço, por tanta batalha, só resta mesmo esquecer de tudo e não fazer mais nada, assim a alma não sofre mais, não temos mais nada a fazer, a nos preocupar – chega o Alzheimer.

A saúde mental não é preparada para esse esquecimento, seja ele seu ou dos entes queridos. A alma prefere esquecer de tudo, apaga a mente. As expectativas de uma ‘melhor idade’, como chamam, deixa uma interrogação. Isso é a melhor idade? Melhor para quem? Apenas se tiver saúde física, saúde mental e independência; sim, muitos têm.

Viver na solitude é o melhor remédio, depois de tudo, ainda poder ser dono de si, viver em paz. E quando fechar os olhos saber que foi muito bom cumprir a sua estadia aqui com louvor, e deixar saudades

Crônicas, artigos e críticas literárias