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Inteligência artificial, não precisa mais pensar?

Dia desses me surpreendi quando entrei num site de língua portuguesa e lá estava: ‘Digite aqui seu texto que nossa inteligência artificial corrige pra você’. Eu nem tinha a intenção de escrever nada, apenas uma pesquisa que estava fazendo. Mas aí pensei: como será o aprendizado dos jovens a partir de agora?

Desde que o antigo celular passou a ser smartphone deixamos muita coisa de lado. Quase não se liga mais para as pessoas, pois é só passar uma mensagem escrita ou de voz que conversa do mesmo jeito, ou ainda as fotos postadas que indicam onde você está, mapas de localização – até o Google manda todos os lugares que você esteve no mês!

Meu Deus! Somos todos encontrados, quer você queira ou não. Então, adeus privacidade. Mas agora os tempos mudaram, e as inovações não param, com a IA não precisa mais pensar nem tentar aprender, o robô faz por você. Já estava fazendo até a limpeza da sua casa, mas agora pode também pensar por você, caso queira.

Como será que estaremos daqui a dez anos? Sentados no sofá com o smartphone na mão pedindo comida, esperando o robô escrever pra você, trocando canal de TV e colocando as músicas que quiser no streaming de sua preferência, jogando, conversando, trabalhando, o que mais?

Será que vamos dirigir? Acho que não, o carro vai te levar por meio de computador programado. Escola não existirá, afinal algumas profissões não existirão mais, e eu estou correndo perigo, logo mais o robô vai escrever livros, artigos. Vamos continuar a existir?

As máquinas estão invadindo nosso universo já faz um tempo. O ruim disso é que estamos ficando cada vez mais sem movimento, usando quase tudo pelo comando de voz, sem que seja necessário levantar para acender a luz, ligar o som, colocar o relógio para despertar e outras coisas mais. Agora a evolução chegou ao cérebro também, é só um clique e esperar o cérebro artificial fazer por você. O quão importante isso será?

Ou seja, não tem mais volta, a tecnologia tomou conta e só nos resta seguir junto, nos adaptando nesse mundo louco. Nos disseram que seria assim, com robôs e tudo muito futurista. Não é exatamente como fantasiamos ou como certos desenhos mostravam, mas tá bem parecido, e hoje é real.

Daqui a dez anos a gente volta a falar nesse assunto, se ainda existir o ser humano. E, se existir, não faço ideia de como vamos conversar, talvez por chips telepáticos. Aguardemos. Até lá.

As relações humanas e a falta de humanidade.

De acordo com a história da humanidade, fomos divididos em clãs, vivíamos em grupo. Desta forma a população de cada nação se formou e cresceu. Até que naquele período uns ajudavam os outros, mas, e agora, o que é que aconteceu que não existe mais essa ligação entre as pessoas? Talvez a individualidade, o querer ter razão, ser melhor em tudo, ou o faço por mim, mas não faço pelos outros.

Podemos dizer que o que mais existe hoje de tóxico é a intolerância com as diferenças, ninguém quer saber de lidar com aquilo que não gosta. Mas não podemos e nem devemos ser todos iguais, mesmo porque viemos de famílias diferentes, não só pelas pessoas que nela habitam, mas principalmente por valores, crenças e costumes que cada família carrega.

Somos todos iguais por estarmos inseridos na mesma sociedade, da qual nos são apresentados desde muito pequenos os mecanismos existentes. Se parar para pensar tem um ritual, regras que estão estabelecidas que são incorporadas por todos sem questionamento nenhum.

As religiões são parte dessas diferenças, mas isso não invalida aquela ou outra pessoa apenas por ter aquela crença, continua sendo da mesma sociedade em que você está também. Mas não é assim que acontece. Existe uma competição insana pelas crenças, o que gera verdadeiros conflitos, sendo que basta entender e aceitar o que cada um é ou prefere ser.

Os conflitos nada mais são do que a insuficiência do ser humano para lidar com aquilo que não aceita no outro, precisa atacar para se sentir melhor. Mas será que isso é o suficiente? Afinal, o que se ‘ganha’ com isso? Angústia, o vazio que forma dentro daquele que atacou e tudo continua da mesma forma. Não temos o controle de tudo, apenas de algumas coisas da nossa própria vida, algumas coisas. Da morte, por exemplo, não temos.

Essa angústia gera conflitos consigo mesmo, vai sempre de encontro com aquilo que não se consegue mudar, é um monstro criado por você mesmo que briga constantemente com a sua insuficiência de querer mudar o que não lhe compete.

As relações humanas estão à beira da loucura, ou já se tornaram loucura? Todos os dias sabemos de notícias de absurdos que acontecem por intolerância, por desprezo e egoísmo. O egocentrismo prevalece de uma forma assustadora, sem ressentimento. Vale a pena viver para ser o melhor, o certo, o mais bonito, o mais inteligente, ou não deveríamos voltar a querer de fato viver o aqui e agora sem essa exposição toda e sermos de verdade quem somos?

Não esqueça que sua vida começa e termina um dia. Se não estiver disposto a enfrentar os altos e baixos, correr riscos e não aprender a lidar com os finais, então não vale a pena viver. Concentre-se mais em você, esquece os outros, temos prazo nessa passagem. Se perde tempo em querer brigar para vencer, vai acabar sem tempo para viver.

As crianças do mundo pedem socorro

Criança no meu tempo brincava na rua, gostava de brinquedo, de pular corda, brincar de roda. Criança respeitava adulto, se vestia como criança, passava de fases (da vida), se sentava à mesa nas refeições, assistia TV com a família, e nada disso resultou em problemas. Traumas, quem não tem? Não me lembro de meus pais fazerem coisas para me ver quieta, quando saíam com os amigos eu ia junto. Ninguém se distraia com telas, jogos eletrônicos, amigos virtuais, a vida era em família, de verdade.

Daí chega alguém e vai falar, ‘que papo mais careta, o mundo mudou, evoluímos, estamos nos anos 2000’, e eu digo: Que pena, não imaginava que evoluir era chegar nesse caos que vivemos hoje, nos mesmos anos 2000 que você exalta tanto. Crianças viciadas em jogos e precisando de tratamento psicológico, com doenças que antes acometiam basicamente adultos, e agora elas carregam o fardo dos anos 2000. Comida fácil, embrulhada e quentinha, que chega em casa, mas não foi a mamãe quem fez, foi a lanchonete famosa que produz em massa lanches e mais lanches, sem o cuidado do que contém ali. Mas e daí? Temos remédios para tudo, equipamentos hospitalares de última geração, dietas.

E os joguinhos da internet que tiram os pequenos do mundo real por horas? Não têm hora para entrar em casa, tomar banho, colocar pijama e jantar. Depois a cama arrumada e ouvir historinhas ou rezar pro anjo da guarda. Não, vão se deitar lembrando do jogo que perderam pro amigo, ou pior ainda, pro desconhecido que joga junto; se é criança, adulto, quem sabe? Mas está em casa, no quarto, pois então está seguro. Será mesmo?

Os esperados anos 2000 chegaram, e tudo mudou. O mundo virou de ponta cabeça, surgiram as pessoas que não têm medo de nada, xingam, humilham, enganam, trapaceiam, iludem crianças com armadilhas, um verdadeiro show de horrores. O que era para ser um espaço importante para a evolução do mundo, transformou-se em desespero. Nossas crianças estão sendo mortas por pessoas que usam a internet para o mal. Desafios que matam, coação.

O que de pior ainda tem para acontecer? Chegar a esse ponto de matar crianças que jamais, no mundo do século passado, se tornavam alvo; a não ser pelo pior da história em que crianças foram alvo, mas isso não poderia se repetir. Criança tem que ter o direito de viver sua infância. É preciso que se defenda, que seja garantido que crianças vivam como crianças.

Nunca acreditei que o mundo fosse acabar, mas hoje entendo que o ser humano é que está acabando com o mundo, acabando com a graça da vida, a liberdade, a alegria. Vivemos cada um por si, não sabemos se ao sair voltamos, sem garantia de nada, nem mesmo com nossas crianças, que estão cada vez mais expostas e jogadas ao fogo do mundo. Bem-vindos ao globo da morte, o mundo.

O mundo está imundo

As principais notícias que se ouve nos dias de hoje sobre o mundo são aterrorizantes. É difícil acreditar que não acontece mais nada de bom, é briga, guerra, doença, manifestos, crimes, parece que a humanidade retrocedeu alguns séculos. Vejo acontecerem fatos que, sinceramente, hoje nem deveriam mais ser lembrados, mas que voltaram com muita intensidade.

Desde a minha infância ouvia que o mundo acabaria no ano 2000, não era exatamente naquele ano, mas neste milênio. Vinte e dois anos depois nos vemos numa imersão tão suja, com tantas revelações, máscaras caindo, acontecimentos tão improváveis com o que imaginávamos – lembro-me dos filmes ultra avançados com seres evoluídos; que ilusão, não há evolução nenhuma. Apesar de todas as mudanças, que, assim como eu, muitos de vocês que estão lendo também viram as transformações, o que deveria ser para o bem transformou-se para o mal, para destruição.

Sentimos que o mundo começou a acabar a partir deste milênio, pouco a pouco. É triste ver o abismo chegando cada vez mais perto, e sentindo que não temos força para lutar contra, estamos cercados, precisamos unir forças para não permitir que o mundo seja (mais) destruído.

A natureza está cada vez mais nos dando alertas de que está tudo errado e precisamos parar. A Terra precisa de paz, precisa de amor, precisa repartir. Por que tanta discórdia se a solução não é essa? O capitalismo tomou conta, tornou-se uma guerra. O que mais precisamos que aconteça para aprendermos que podemos lutar contra o que não queremos?

Estamos atravessando um mar de lama e, se não houver nada para que isso pare, não sobrará ninguém para contar, tanto  pela destruição feita através das  armas de fogo quanto pela destruição humana. Nosso clima, de tanto desmatar, construir arranha-céus, mexer no habitat de animais e da natureza, o homem conseguiu destruir o Planeta, e continua.

Além desta destruição ainda temos a da mente humana que corrompe, que mata, que desafia as leis da natureza, que manipula, cria o medo, o ódio, a desunião, a competição, como se alguns tivessem o privilégio de mandar e desmandar na população do mundo.

Qual a razão de ter a sagacidade de tirar privilégios de um ser igual a você? Destruir vidas em nome de tomar posse de um lugar, de uma terra que não pertence a nenhum de nós? Tirar a liberdade de Ser como se o outro não fosse como você? Tirar vidas, colocar pessoas em situações de obediência a alguém que veio e vai embora sem aviso prévio, assim como você? Desculpe, mas esse retrocesso no tempo, nos esperados anos 2000, no século XXI não dá pra encarar mais. Ou o mundo muda e as pessoas se conscientizam que todos somos iguais e sem privilégios, sem posses, sem ser melhor do que ninguém, ou seremos engolidos por algumas centenas de loucos que pensam que mandam e comandam o mundo como querem. Esse não é o mundo que queremos.

Lutar por um mundo melhor é um direito de quem não está nesta sintonia, nesta energia do mal. Somo muitos na energia do bem, e por isso sentimos o que acontece mesmo que longe de nós, isso é compaixão. Estão querendo acabar com a humanidade, querem dominar, mandar, exercer força sobre nós, e podemos impedir. Diga não à guerra, diga não à violência, diga NÃO.

Doa a quem doer

Se valer da derrota de outro não é vitória, é incompetência. Achar que está por cima apenas porque detém de meios incompatíveis com a verdade, não faz de você o ser mais inteligente. Ao contrário do que pensam, a pessoa inteligente age com educação e respeito pelo outro, desempenha o que sabe com sabedoria; diferentemente de quem age com a prepotência, ou ainda pior, com o desprezo e o tanto faz.

A grande disputa é com o próprio ego, que não aceita saber menos ou não ter a mesma competência do outro. Então, é preciso uma estratégia, e claro que não é usando a inteligência, mas o pior lado do ser humano, a maldade.

Se ao pensar em fazer algo ruim para alguém parasse para pensar nas consequências que isso possa vir a repercutir na própria vida, acho que em sã consciência não faria. Sempre que se comete o mal, como um bumerang, a vida traz de volta. A lei da atração. Pode demorar, mas a vida traz de volta.

Não há nada melhor do que uma consciência tranquila, um agir sabendo que está fazendo o bem para você mesmo, plantando e colhendo frutos bons e não podres. Cada vez que fizer algo que gratifica não só você, mas também o outro, lá na frente terá sua recompensa.

O foco aqui é o quanto de vantagens alguns se estão valendo em detrimento a outros. Qualquer coisa que se conquiste que não seja de forma legal não é seu, não fez por merecer, enganou ou se fez parecer alguém que não é, e isso não te qualifica, te empobrece ainda mais; lembrando que pobreza não é só financeira, mas pior ainda, de espírito.

Pode estar achando que é papo careta e que ninguém mais pensa assim. Realmente muita gente hoje olha apenas para o seu próprio umbigo sem pensar em ninguém, o doa a quem doer. Agora te pergunto, você já fez doer ou já foi doído por quem pensa assim? Foi bom? Achou justo estar desse lado? Afinal, ninguém pensa mais em ninguém, não é mesmo?

Acontece que nossas conquistas dependem de nós mesmos, se não fizer a lição de casa da vida da maneira certa, se passar a vida colando do coleguinha ou dedurando para ser o primeiro da classe, um dia será descoberto e o professor vai te deixar atrás de todo mundo para começar tudo outra vez. Vai sentir vergonha, vai doer muito, mas é assim que se aprende a tarefa da vida. Ou se faz direito ou vai sofrer as consequências. No final, quando acaba o ensino, se aprendeu deixará boas lembranças, se não aprendeu terá que rever tudo e ainda será esquecido. Faça certo enquanto há tempo, não sabemos quando o ensino vai acabar.

‘Horizonte Perdido’, Muito mais do que uma ficção.

Não costumo fazer resenha crítica sobre filmes, mas esse, especialmente, me chamou a atenção. Assisti pela primeira vez nos anos 1970, ainda era criança, mas saí encantada do cinema com meus pais e minha irmã, tanto que nunca esqueci das cenas e da trilha sonora, que ouço até hoje. É claro que não compreendi, na época, a mensagem que o filme passou, apenas que ali as pessoas não envelheciam e eram felizes.

Ultimamente ando recordando muitos momentos daquela época tão feliz da minha vida, anos 1970 e 1980, que deixaram uma história que volta e meia retorna. Procurei o filme na internet e encontrei, na íntegra, e resolvi escrever porque fiquei impressionada com a mensagem que passa ser tão atual, parece mais uma profecia do que viveríamos hoje.

O autor, James Hilton, escreveu este romance em 1933, e em 1937 foi transformado em filme pela primeira vez, tendo seu remake em 1973. A história se passa numa fuga da guerra na China, e um dos aviões que levava um diplomata e mais quatro americanos é sequestrado e cai num deserto de neve do Tibet. Seus integrantes, todos vivos, são encontrados por um povo local, perto do acidente, e são levados para um lugar chamado Shangri-la, onde as pessoas não envelhecem e são felizes. É aí que vem toda a mensagem do filme.

Em meio a um lugar paradisíaco e uma trilha sonora lindíssima, com músicas do maestro Burt Bacharach e letras totalmente intuitivas a uma vida como deve ser vista e vivida por cada um de nós. Não estou aqui para influenciar ninguém, mas para chamar a atenção do mundo no qual estamos vivendo; como eu mesma já retratei várias vezes nas minhas crônicas, um mundo competitivo, maldoso, onde as pessoas se digladiam diariamente por um lugar, uma posição, status, poder, assuntos que são recorrentes de muito tempo, mas que só pioram.

Não quero a longevidade, mas uma vida em paz, em que cada um segue o seu caminho, olhe para sua vida com gratidão sem querer a destruição da humanidade, do nosso Planeta. Uma vida na qual se possa enxergar mais a beleza do que é viver. Cada um viver a sua vida.

No filme, o mestre do Vale fala que a loucura no mundo já existe; lembrando que esse romance foi escrito em 1933, ou seja, o caos já existe muito antes disso tudo. Diz que os comandos são obtusos, os humanos estão confusos. Que o mau se autodestruirá, o mundo chegará um dia a procurar uma nova vida. Então, pede para que sejamos gentis e pacientes, ter o amor fraternal. Um novo mundo sairá das ruinas. Isso não te lembra o que estamos vivendo hoje? Teria sido uma profecia?

Vejo que estamos vivendo esse mundo problemático que está levando o ser humano ao caos da existência neste Planeta, com discursos de ódio, intolerância, briga por poder, e nós no meio disso tudo.

O filme é uma ficção, mas a nossa realidade não, e não podemos negar o caos em que o mundo se encontra. Desta forma, vejo que há muito tempo que o ser humano está passivo na destruição, vendo e não agindo contra os desmandos e interesses que não são da maioria. Estamos vendo o Planeta sendo engolido pelas tragédias, mas parece que está tudo bem, pois apesar de tudo continuamos a viajar, a reclamar e ver as tragédias como se a culpa não fosse nossa. Afinal, não estamos fazendo nada para que isso acabe, muito pelo contrário, estamos assistindo a destruição achando que mês que vem acaba, que daqui a alguns meses chegará alguém para colocar ordem nisso tudo, que ano que vem será melhor.

Não há mais tempo para esperar um salvador, somos nós mesmos. Se cada um entender que temos o poder de mudar nossas atitudes, juntos mudaremos o mundo. Abaixo vou colocar o trecho de uma música do filme, que também é reflexiva, para pelo menos se inspirarem no que é bom e em como podemos mudar nossa vida com pouco, é só querer.

 “Quando você olha para si mesmo – você gosta do que vê? Se você gosta do que vê, você é a pessoa que deve ser. Porque o seu reflexo reflete em tudo que faz, e tudo que você faz reflete em você. Quando você acorda todos os dias, você gosta de como você se sente? Se você gosta de como você se sente, você não tem nada a esconder. Quando você se deita para dormir – você gosta dos seus sonhos? Se você gosta de todos os seus sonhos, a vida é tão feliz quanto parece. (Música: Reflections, cantada por Sally Kellerman)

O ar que nos sufoca

Sobrevivemos à tempestade que foi 2021, chegamos até aqui, aos trancos e barrancos, com dúvidas, insegurança, medo, angústia, uma mistura de sentimentos e sensações que nem dá para descrever. O que importa é que chegamos, apesar de toda turbulência.

E agora, o que podemos esperar? Conforme se aproxima o fim deste ano, sentimos que muita coisa ainda está para acontecer. Não sabemos quase nada, mas para quem conseguiu entender o que essa pandemia trouxe, sabe que devemos ficar atentos ao que fazemos, pensamos e como agimos diante das situações. Não somos nada, nem mesmo sabemos nos defender do invisível; nos trancamos quando tudo começou porque não sabíamos o que era.

Mas o homem não está aqui para nascer, crescer e pensar em si. Está aqui para aprender e descobrir os mistérios da vida. Temos os cientistas, os médicos, que logo se empenharam em descobrir o que era e como curar ou parar com a transmissão. Faltando pouco para completar dois anos de pandemia, começamos a respirar um pouco mais aliviados, principalmente no Brasil, que apesar das divergências em torno da vacina, o brasileiro disse sim à esperança trazida pelo medicamento, e nossa população alcançou um número expressivo de vacinados, diferentemente dos chamados países de ‘primeiro mundo,’ que não conseguiram imunizar a maior parte da população por negação à vacina.

Ao chegarmos no fim deste ano turbulento, mas em certo ponto animador por termos desafiado e, ao que parece, dominado o vírus, nos vemos no meio de um outro recomeço de doenças respiratórias pelo mundo afora, inclusive aqui. Poderíamos estar aliviados, mas por que não estamos? Cresce a cada dia o número de pessoas infectadas, agora com H2N3, ômicron, delta, e o que mais vier. Por quê? As vacinas não deram certo ou o homem não aprende?

Depois de tudo o que passamos nos deparamos com um homem pior ainda, individualista e orgulhoso de seu próprio egoísmo e desdém para com o outro. O que foi mesmo que se falava no começo? ‘Não é só pensar em você, é pensar no outro também, um proteger o outro’. E cadê essa preocupação tão falada? Nunca existiu, e sabe por quê? A corrupção não se dá apenas em desvio de dinheiro de um ‘bom vivant,’ mas também na maldade, no egoísmo, na classificação social, de cor, de raça, de esperteza, e tantas outras.

Isso tudo não significa nada na vida. Não estamos sozinhos, pois vivemos em grupo o tempo todo, e por isso já deveria ser mais do que entendido que sem o trabalho do outro, sem o comprometimento, companheirismo, não temos nada. Talvez por isso estagnamos. Enquanto existir o egocentrismo, a competição, o ódio, teremos que enfrentar a destruição da humanidade com pandemias, catástrofes, perdas.

O ser humano está morrendo sufocado, sem poder respirar, pois o problema é no pulmão, nas vias aéreas, no afogamento pela enchente, pela fumaça do fogo. Para calar as palavras, para parar de destruir a natureza, para respeitar o ar contaminado por metais pesados que nos levam à morte. A comida modificada para vender mais, para adoecer e precisar de mais medicamentos que nos curem disso e nos adoecem daquilo, até nos deixar loucos e não resistir às doenças mentais de querer mais, de ser mais e morrer sufocado sem respirar.

Será que o mundo vai acordar e entender que ninguém veio para ficar? Viver é muito mais simples e bonito. Se todos abrirem os olhos e fizerem a sua parte, todos se ajudam e tudo se transforma. Mas enquanto o mundo for regido por ódio, intolerância, desprezo e poder, iremos sofrer com tudo isso, que não acaba.

Sobrevivemos à tempestade de 2021 e chegamos até aqui. O que podemos esperar agora?

Mais informação, menos informado

Informação não significa rede social. É comum se deparar, cada vez com mais frequência, com pessoas passando informações sem preparo algum para o assunto, apenas mesmo contando com milhares de seguidores que absorvem tudo como verdade.

Não vou relatar aqui os inúmeros assuntos, mas para aqueles que dizem respeito à saúde deveria haver uma política mais severa por se tratar de vidas que, por muitas vezes, levam a tragédias.

Não acaba por aí, pois há todo tipo de assunto criando polêmica na internet, pessoas brigando por assuntos que não conhecem com outras que conhecem menos ainda. Que preguiça! É triste ver tanta informação descabida analisada por tantas pessoas que até ontem não sabiam nem o que estavam fazendo no mundo.

Todo excesso é perigoso, porém falar demais, e, principalmente, sobre o que não domina, também é perigoso. A vida real não está estampada nas telas do celular, está atrás dele, onde pessoas de verdade vivem com seu trabalho, suas contas a pagar, seus problemas, sem glamour algum; muito diferente de quem esbanja sabedoria, mas que na verdade deu certo na internet e passou a ganhar muito bem pra enganar.

Chegamos à conclusão de que ter nas palmas da mão tanta informação não serve para nada, apenas causa mais discórdia entre pessoas. A maldade passou a ser um divertimento sádico, que também causa tragédias. Mas quem é culpado? O desocupado e frustrado que vira gigante atrás do teclado ou a pessoa que, às vezes até por ingenuidade, quer mostrar um fato curioso, mas que aos olhos de um sádico vira uma ofensa?

A internet não chegou para virar terra de ninguém, chegou para ajudar, facilitar, aproximar as pessoas. O fato é que a vida se transformou num grande pega-pega, quem ganha, quem é melhor. Ninguém mais sabe para onde ir. Sabe-se tanto, mas também não se sabe nada ao mesmo tempo. Estão todos correndo em busca de alguma coisa, para não sei o quê, para mostrar para alguém o que não sabe.

Passar conhecimento sobre aquilo que estudou, aprendeu e pode ajudar, essa é a maneira certa de colaborar com o crescimento de outras pessoas, aí sim é uma informação de conteúdo. Agora, ir para uma telinha para atrair gente só pra crescer seu número, seu engajamento, não faça isso, não estará colaborando com nada, e de gente interesseira o mundo já tem demais.

Paz no mundo

Desde os primeiros relatos do mundo percebemos que sempre houve discórdia entre os homens e povos. Guerras, violência, maldades, desonestidade, vingança, entre tantas outras desavenças. O mundo nunca foi de paz.

Muitos fatos já ocorreram envolvendo tragédias, vítimas inocentes por brigas de poder e dinheiro, mas isso é o que sabemos através da história que conhecemos. O que vivemos hoje está aí, escancarado, sem filtros ou mesmo sem vergonha de mostrar o que estão dispostos a fazer e ponto; temos tudo à nossa frente, nos faltam a palavra, a união e o senso comum.

Enquanto no começo da história a matança era o melhor prato da vingança e da soberba dos poderosos daquela época, hoje a matança é provocada por atitudes que levam à morte dos sonhos, da dignidade e dos direitos que todo ser humano merece.

Como não dar importância a pessoas que têm fome, que não têm nem como morar dignamente por falta de recursos financeiros, falta de oportunidades, falta de uma mão que se estenda para um ser que necessita tanto quanto qualquer outro da subsistência? Ninguém está aqui para ser escravo ou minimizado como ser por outrem.

As guerras entre os povos, a maldade jogada no ser humano, ao ponto de levar ao desespero, como vimos recentemente no Afeganistão, pessoas fugindo, morrendo pelo medo do controle de um grupo que não tem nada de diferente, a não ser o poder com uma arma na mão. É uma matança indireta, assim como a fome e a falta de recursos para a sobrevivência.

É esse o mundo que esperávamos quando chegasse o século XXI? Ou como crescemos ouvindo que o fim do mundo seria no ano 2000? Não acabou o mundo, mas acabou a alegria de viver, a liberdade de ser quem se quer ser. Estamos divididos em pobres e ricos, poderosos e dominados, viver ou morrer.

É, acabou o mundo em 1999, quando, embora tivéssemos problemas, mas ainda éramos felizes. Por isso que hoje as pessoas procuram tanto a felicidade e não encontram, nada é o suficiente, sabe-se de tudo e de todos, estamos sempre à procura de algo e nem sabemos ao certo o que; a grama do vizinho é sempre mais verde. Até quando seremos reféns de outros seres humanos, que por se acharem mais espertos, mais sagazes, mandam e desmandam, matam, roubam, apontam o dedo, intimidam e matam a vida real de cada um?

O mundo precisa de paz, o mundo precisa da sua voz, de união para um bem comum. Precisa de mais solidariedade e amor no coração, o mundo não foi feito só para alguns, é de todos!

São muitas as pessoas que necessitam de ajuda, às vezes uma palavra, um abraço, um gesto de carinho. Um cobertor, um prato de comida, de respirar e sorrir. Seja alguém que valha a pena, faça sua parte. Não dá mais para esperar, o mundo precisa respirar, precisa de alegria. O sol nasce todos os dias e brilha, sigamos o exemplo da mãe natureza e vamos escolher nascer a cada dia e brilhar para a vida.

Maristela Prado

Precisa-se de gênios

Se você precisa de emprego, prepare-se, pois estão em busca de pessoas extremamente capacitadas, não basta apenas ter formação superior, é necessário ser pós-graduado, ter cursos complementares, saber de otimização, hardware, no mínimo inglês fluente; se souber outra língua, melhor ainda; experiência e, por fim, indicação.

Espera, tem algo de muito errado aí. Num país onde se paga imposto pra tudo, não há o menor interesse em investir na educação. Aliás, esta sempre esteve em segundo plano, e quem quiser bom estudo tem que pagar, mas a grande massa não tem como pagar. Universidades caras, ter morado fora; isso para poucos. Como falta oportunidade diante de tantas exigências, quem pode ter experiência?

Estamos diante de uma controvérsia. As empresas precisam do profissional, mas exigem demais de pessoas que necessitam de um trabalho. Se não tem dinheiro, não tem como pagar um curso, faculdade ou qualquer coisa que seja. Portanto, precisa do trabalho para ter qualificação e evoluir.

De outro lado, porém, a pessoa estuda, investe, se qualifica e o que é oferecido não cobre nem metade do tanto que fez e se esforçou para se tornar um profissional respeitado. O que está errado?

O Brasil é o país do futuro há mais de quinhentos anos, até hoje esse futuro escapa pelas mãos, pela ganância de uns, interesses de outros. Quando nossos jovens terão oportunidade? Se não conseguem emprego, nunca terão a experiência desejada.

Para sermos um país de primeiro mundo precisamos dar valor ao que interessa, dar dignidade ao povo, educação de qualidade, saúde para todos, não pagar entre inúmeros planos que só desfalcam mais o salário. Um país onde o salário mínimo não paga nem pra morar, muito menos pra estudar e comer.

Primeiro mundo é, antes de mais nada, valorizar o povo da sua nação, dar qualidade de vida e segurança, em tudo o que uma pessoa necessita. O povo não precisa de promessas, palavras e sorrisos amarelos, o povo precisa de um lugar para morar, comida na mesa, escola para todos e saúde sem precisar de terceiros.

O governo não precisa olhar pro próprio umbigo e pensar no núcleo, precisa olhar pra fora e melhorar a qualidade de vida de todos. Um povo sem qualidade de vida não tem o que oferecer, não tem como olhar para o futuro.

Precisamos de trabalho, de respeito. Gênios, não temos nem no poder, que dirá nas cadeiras de empresas que não olham para os olhos de seus candidatos; principalmente em tempos de trabalho remoto, quando a seleção é apenas mais um currículo, no qual um robô responde para te dispensar antes mesmo de te conhecer.

Precisamos, sim, de pessoas geniais, mas para saber reconhecer que atrás daquele currículo existe uma pessoa necessitando daquela vaga, não para exibir, mas para sobreviver.