Cancelado

A moda é: “Cancelado”. Uma única palavra para expressar um desacordo, um não gostei. Falando em linguagem oficial, a opinião está cada vez mais intolerante, seja no racismo, preconceito social, homofobia e xenofobia, entre tantas outras. Vivemos um mundo cruel, onde pessoas usam as redes sociais para intimidar ou até mesmo destruir a carreira de um famoso, apenas por uma posição diante de um assunto que venha desagradar um seguidor. Pior que isso, leva outras pessoas a seguirem seu cancelamento, levando, muitas vezes, a pessoa atingida a perder patrocínios e até viver no isolamento.

É uma forma de punição, mas qual a intenção disso? Claramente fazer com que a pessoa se redima à postura tomada, e mais uma vez a questão é: a opinião não é aceita de forma alguma, ou é como eu quero ou cancelo. Muitos desses famosos são impedidos de levar sua vida naturalmente depois disso, já que patrocinadores não querem seus nomes envolvidos em escândalos, um problema que pode ser temporário ou não, causando prejuízos à carreira, apenas por se posicionar.

Não existe mais a liberdade de expressão, nos tornamos prisioneiros da sociedade, ou nos calamos ou corremos o risco de não sermos mais aceitos. Escolhas tornaram-se um risco, viver no online é muito mais perigoso do que pensávamos. Ao mesmo tempo que traz um mundo inteiro para suas mãos, pode destruir sua vida em segundos, tudo pode acabar.

Pagamos um preço alto pela evolução tecnológica, exposição, dados antes sigilosos hoje são facilmente encontrados por qualquer um. Pior que tudo, chega-se ao topo, mas pode-se despencar em poucos minutos.

Não use a crueldade para satisfazer o seu ego, amanhã pode ser você despencando pelo ego de outra pessoa, que também não te aceita, e vai te cancelar.

A vida vai passar

Temos dia e hora para nascer, temos dia e hora para morrer. E assim é a vida, uns vem para uma grande estadia, outros em pouco tempo se vão, mas todos com um propósito a cumprir, uma missão que pode ser de sofrimento ou de glórias, mas ninguém passa ileso pelos percalços da vida. Para conhecer a felicidade é preciso passar pela infelicidade, para a bonança é preciso passar pela escassez e assim por diante.
Estamos em constante aprendizado, quando chega o fim aprendemos ou não. A verdade é que todos temos um fim, e sabemos disso, mas quem se prepara para o fim? A tristeza de perder alguém é imensa, não sabemos lidar com a morte, mas precisamos aprender.
O desapego da presença é o que mais nos faz sofrer, por isso é tão importante dar um beijo, mostrar amor, falar te amo, nunca se sabe quando será a última vez. Reconhecer as virtudes, não só os defeitos, conversar, rir e viver intensamente.
Dizem que a vida passa rápido, mas enquanto estamos aqui sejamos boas pessoas, vamos deixar um legado de amor, de bons exemplos. O que fica é o que fomos, e se formos do bem só deixaremos boas lembranças.
Não se apegue demais às coisas, elas ficam, não são suas. Dê mais valor à sua família, eles são de verdade, o amor que se tem, faça o melhor que pode, esse é o único amor que levará pela eternidade.

E ainda não acabou

Há um ano e três meses vivemos um verdadeiro caos. Enquanto assistimos países sem mortes, sem máscaras, voltando a uma vida normal de liberdade, dignidade e sanidade, principalmente, nós ainda contabilizamos mortos e esperamos uma solução para que a população seja vacinada em massa. Já é tempo de voltarmos a fazer planos, de concretizar, de cada um de nós respirar o novo mundo.

Chega de notícias de mortes; queremos as notícias de vida; chega de não ter solução, queremos as soluções e justiça. Um país como o Brasil, de um povo alegre, acolhedor, não combina com esse massacre que estamos vivendo, nem a tristeza nem a falta de esperança.

Estamos no meio de um turbilhão de problemas de saúde, de economia, de história de um país onde a alegria e a esperança sempre moveram esse povo. Mas enterraram junto com essa pandemia tudo o que de melhor tínhamos, a alegria.

Agora procuram-se culpados pelo vírus, pela economia, pelo desemprego, pela tristeza. Mas quem é o culpado? O mundo, o país, a humanidade, a ganância, a doença dos tempos. Poder. Eu, você, quem é?

Há muito tempo o homem deixou de pensar no coletivo e passou a olhar apenas para o próprio umbigo, tudo se foi, estragaram tudo. O que sobrou? Brigas por tudo, por lado, pelo certo e pelo errado, pela divisão. E isso vai solucionar o quê? Não é possível que todos não queiram a mesma coisa.

Se houvesse um mínimo de empatia entre as pessoas, a união se faria presente e todos receberiam a mesma coisa, a solução. Mas não, resolveram que o achismo e defender seu lado é a solução, apenas ter o gostinho da vitória. Nem sempre a suposta vitória é o melhor.

Nós queremos que tudo isso acabe, que possamos sim sair e deixar de saber todos os dias quantos mortos teve. Quero que chegue logo o dia em que a notícia do dia seja, “Acabou a pandemia”, mas junto com isso o ser humano também terá que mudar. Enquanto isso viveremos à espera de um fim que nunca chegará, simplesmente porque o humano se recusa a compreender que seu tempo de disputas e poder acabou por aqui.

Olhe para frente, para os lados, para trás, compreenda que o mundo não gira em torno de você, não está sozinho, sem você todos vivem muito bem. O mundo foi feito por pessoas, muitas pessoas, para viverem em comunhão, uns ajudar os outros, mas isso se findou, e hoje mora a arrogância, o preconceito, a superioridade. Enquanto isso persistir seremos sugados pelo redemoinho do fim. Acredito que não é o que queremos.

Dor no corpo e na alma

Nossos sentimentos são peça-chave na saúde física e mental. Muitas vezes passamos por problemas que nem sempre sabemos lidar, é quando as dores aparecem. Por isso precisamos dar muita importância em nosso comportamento diário diante das situações, pois elas refletem em nossa saúde.

O medo, tão conhecido, é um dos sentimentos mais comuns e perigosos que carregamos, paralisa a pessoa sem dar chance de refletir, e foi isso que levou tantas pessoas a adoecerem, não só no físico, mas também no mental.

Depois de tantas recomendações de cuidados para evitar o contágio pelo vírus, o medo de sair de casa, de encontrar pessoas; algumas até com medo de encostar, medo de morrer. O transtorno aconteceu.

O corpo dói, a mente cria, o sentimento cresce e o inevitável chega. É preciso entender que somos capazes de controlar nossos sentimentos e não permitir que sejamos controlados por sentimentos destruidores, que por vezes nem deveriam estar presentes.

Por isso é tão importante ter a mente saudável, assistir filmes e programas que nos tragam boas mensagens, ouvir música e ler, conversar, ter a mente ocupada com pensamentos bons e positivos. É uma forma de se manter equilibrado e livre de tudo aquilo que te carrega para baixo e, consequentemente, te adoece. Pense mais em você, mas sem medo.

Amor sem fronteiras

As diferenças sempre existiram, mas quando se trata de sexualidade o preconceito aparece. Já falei em outros textos sobre estarmos no século XXI e ainda existir tanta dificuldade em aceitação, seja de opinião, modo de vida, escolhas; onde está inserida a sexualidade. Qual o problema de uma pessoa se sentir feminino ou masculino? Alguém já ouviu falar que amor só existe entre gêneros diferentes?

Antes de mais nada, existe uma pessoa naquela pele, sente medo, vergonha, uma confusão enorme dentro de si. Muitas vezes essa aceitação, antes de tudo, é difícil para a própria pessoa, que não se sente um homem ou uma mulher dentro daquele corpo, mas isso não é levado em conta quando o assunto é apontar o dedo e julgar.

Se há pessoas que mudam o gênero, há também quem mude muitos outros comportamentos mais controversos e que não chegam a causar um sentimento tão danoso quanto o ódio. Agora, pergunto, o que leva um ser a sentir ódio por uma escolha que não é sua? Qual o prejuízo que um desconhecido causa na vida alheia pela sua escolha?

O amor existe entre pessoas, amar é um sentimento, não uma imposição, tanto que se fala que o amor não se escolhe, o amor é cego; só para gêneros diferentes? Desconheço essa regra.

Como defendo sempre o respeito, não poderia ser diferente nesse assunto. Não concordo com violência, com humilhação seja qual for o motivo, seja o feminicídio, o homossexualismo, racismo, religião ou qualquer outra situação que constrange uma pessoa, ou que chegue ao extremo de matar. Não, isso não é tolerável.

Essas pessoas têm família, têm vida e devem ser respeitadas. Se você não aceita, tudo bem, é seu direito, mas não julgue, não sinta ódio, pois você não sabe o que aquela pessoa já passou ou ainda passa por não ser como os outros esperam. Uma atitude mal pensada pode acabar num grande problema, que talvez nem sequer vai saber o tamanho da tragédia que provocou.

Quantas coisas não aceitamos e convivemos mesmo assim? Como não respeitar uma escolha se ela não é sua? Todos nós temos as nossas próprias escolhas. Então leve pra sua vida aquele ditado: “Não faça para os outros o que não gostaria que fizessem com você”. Respeite e será respeitado.

Para tanto, serve como lição, uma frase do escritor português José Saramago:

 “Se antes de cada ato nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.”

Se não for verdade, nem fale

Estamos envolvidos em tantas mentiras que está cada vez mais difícil acreditar nas pessoas. Em nossa vida cotidiana, encontramos desafios que chegam a complicar algumas relações.

A verdade se tornou rara, quase um luxo. Burlam com falsas mensagens, falsos e-mails, depoimentos que nos chegam como verdades, mas são falsos, pessoas que te traem e pareciam amigos, relacionamentos traídos, aparências falsas. Em quem e em que acreditar?

Ainda não temos essa resposta, apenas devemos ficar atentos ao que nos chega, e em como as pessoas reagem diante das situações. A verdade deveria ser natural na vida, mas o ser humano aprendeu a mentir tanto que se tornou um meio de vida, alguns até brincam de estragar a vida dos outros. Roubar dados, enganar, como se fosse uma esperteza propagar o mau.

Não acredito em falas bonitas sem atitude, nada se concretiza se não for materializado. Não adiantam promessas, vantagens, pois se não houver verdade, nada acontecerá. A verdade só existe quando há boa intenção, a vontade de fazer; essa vem de dentro do coração, não da boca pra fora, e a gente sente, ah! se sente.

Por isso, na próxima vez que pensar em enganar alguém com mentiras superficiais, lembre-se que você até pode enganar, mas é só uma vez, na próxima até pode ser verdade, mas não terá mais a credibilidade.

Eu divido, tu divides

Enquanto houver ideologia, haverá lado. Quando houver união, haverá paz.

Tão simples quanto fazer uma conta 2+2=? Se não souber a resposta volta pro fim da fila. É necessário estar preparado para evoluir e prosseguir, não adianta jogar palavras ao vento se elas não traçam um argumento; palavras são palavras, só. Juntas e bem formuladas e pensadas são argumentos.

Aqui falo de ideologia de tudo o que está dividido hoje, e olha que não são poucos os assuntos. Sem criar desentendimentos ou um palanque de opiniões, quero apenas explanar que o que estamos vivendo hoje são desajustes do ego, e da tão famosa ‘razão’.

Quando, por exemplo, numa simples conversa o seu argumento torna-se a ponte para o argumento do outro. Eu conto que quebrei o dedo e, em seguida, você conta que quebrou dois dedos, ou seja, sequer ouviu, já estava pronto para contar o seu caso, não conversou nada, mal ouviu.

Novamente entra a razão, a fatia cortada, o seu argumento é menor do que o meu, e vice-versa, uma verdadeira disputa de lados; esse caso é mais leve, tem outros muito piores que envolvem escolhas, crenças que cada um carrega de acordo com o que vive, com o que aprendeu.

As diferenças sempre existirão, são elas que nos fazem ter respeito, entender e, principalmente, conviver com várias pessoas ao longo da nossa vida. Mas tudo mudou de uma forma assustadora desde que entramos no século XXI, parece que nem percebemos, mas foi numa velocidade avassaladora.

Chegamos ao fim do poço, quase não podemos mais falar. Opinião? Tornou-se a coisa mais perigosa, ou você destrói ou é destruído. Ouvido? Jamais. Então como iremos resolver isso se estamos divididos?

Se eu não posso pensar diferente de uma pessoa ou um grupo, então não podemos mais viver em sociedade. As diferenças deveriam ser saudáveis, mas não são, vivemos numa guerra constante, onde quem perde somos nós mesmos.

Sem termos a liberdade de expressão, acabamos por ser comandados por decisões, muitas vezes, alheias ao que queremos, justamente por não ter voz. Enquanto estamos nos ruídos da intolerância, estamos sendo conduzidos por decisões às quais não temos a menor escolha; e não somos nós que estamos ganhando alguma coisa. De repente nos vemos imersos em um plano no qual não temos força para mudar.

Não é aceitável que uma sociedade do século XXI, com tanta informação, tecnologia, acesso aos mais modernos meios de comunicação, esteja sujeita a ser dividida em opinião que nos levam a um quadro dramático de divergências inúteis, que certamente seria muito fácil se uns aceitassem os outros e virassem a página.

Somente a união traz a solução ideal para todos, nem mais nem menos. É preciso entender que cada um é responsável por suas escolhas, ninguém tem que apontar o dedo e, na arrogância sem sentido, achar que sabe mais ou melhor da vida alheia. Ninguém tem a capacidade de julgar o outro, afinal estamos todos aqui para a mesma coisa, aprender a ser melhor. Portanto não existe o melhor.

Enquanto sociedade ainda precisamos aprender muito, não é em ter razão, é em aprender o que é melhor para todos. Não para você. Se só um lado se beneficia, o outro perde também. Não há evolução se não existir união. Se não entendermos que sozinhos somos nada, mas que unidos podemos tudo, será difícil mudarmos o rumo das nossas vidas.

O Diário de Anne Frank

Resenha

Todos sabem como gosto de biografia,
mas essa história tem uma diferença, além de ser real é contada por um diário, o qual Anne Frank levou para o esconderijo que permaneceu por dois anos com a família. Relata todos os momentos, as dores de dias escondida, só podendo ver o sol pela janela de um quarto.
Uma garota ainda na puberdade, mas viveu os piores momentos dos
seus poucos anos de vida. Seu relato tornou-se o livro mais lido do mundo, traduzido em mais de sessenta línguas.

Sua história sobreviveu ao holocausto,
foi narrada com a inocência de uma garota, que contava ao seu diário seus mais profundos segredos; era em quem podia confiar naquele momento, muito inteligente e esperta para a sua época.
Uma história triste, mas vivida com força e coragem em dias sombrios onde ela conseguiu viver dias felizes em meio a tantas dores.

Crônicas, artigos e críticas literárias