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A autora Maristela Prado, formada em Letras, revisora de textos, biógrafa, crítica literária, casada, dois filhos adultos. Meu sonho era ser jornalista mas o destino mudou meus planos e, para não ficar longe da escrita, fui cursar a Faculdade de Letras. Mas a vida me trouxe um marido jornalista e hoje também uma filha jornalista. Para mim a escrita sempre foi a maneira mais marcante da comunicação, é através dela que conseguimos transmitir mensagens capazes de eternizar um fato ou sentimento. As letras me fascinam.

O ar que nos sufoca

Sobrevivemos à tempestade que foi 2021, chegamos até aqui, aos trancos e barrancos, com dúvidas, insegurança, medo, angústia, uma mistura de sentimentos e sensações que nem dá para descrever. O que importa é que chegamos, apesar de toda turbulência.

E agora, o que podemos esperar? Conforme se aproxima o fim deste ano, sentimos que muita coisa ainda está para acontecer. Não sabemos quase nada, mas para quem conseguiu entender o que essa pandemia trouxe, sabe que devemos ficar atentos ao que fazemos, pensamos e como agimos diante das situações. Não somos nada, nem mesmo sabemos nos defender do invisível; nos trancamos quando tudo começou porque não sabíamos o que era.

Mas o homem não está aqui para nascer, crescer e pensar em si. Está aqui para aprender e descobrir os mistérios da vida. Temos os cientistas, os médicos, que logo se empenharam em descobrir o que era e como curar ou parar com a transmissão. Faltando pouco para completar dois anos de pandemia, começamos a respirar um pouco mais aliviados, principalmente no Brasil, que apesar das divergências em torno da vacina, o brasileiro disse sim à esperança trazida pelo medicamento, e nossa população alcançou um número expressivo de vacinados, diferentemente dos chamados países de ‘primeiro mundo,’ que não conseguiram imunizar a maior parte da população por negação à vacina.

Ao chegarmos no fim deste ano turbulento, mas em certo ponto animador por termos desafiado e, ao que parece, dominado o vírus, nos vemos no meio de um outro recomeço de doenças respiratórias pelo mundo afora, inclusive aqui. Poderíamos estar aliviados, mas por que não estamos? Cresce a cada dia o número de pessoas infectadas, agora com H2N3, ômicron, delta, e o que mais vier. Por quê? As vacinas não deram certo ou o homem não aprende?

Depois de tudo o que passamos nos deparamos com um homem pior ainda, individualista e orgulhoso de seu próprio egoísmo e desdém para com o outro. O que foi mesmo que se falava no começo? ‘Não é só pensar em você, é pensar no outro também, um proteger o outro’. E cadê essa preocupação tão falada? Nunca existiu, e sabe por quê? A corrupção não se dá apenas em desvio de dinheiro de um ‘bom vivant,’ mas também na maldade, no egoísmo, na classificação social, de cor, de raça, de esperteza, e tantas outras.

Isso tudo não significa nada na vida. Não estamos sozinhos, pois vivemos em grupo o tempo todo, e por isso já deveria ser mais do que entendido que sem o trabalho do outro, sem o comprometimento, companheirismo, não temos nada. Talvez por isso estagnamos. Enquanto existir o egocentrismo, a competição, o ódio, teremos que enfrentar a destruição da humanidade com pandemias, catástrofes, perdas.

O ser humano está morrendo sufocado, sem poder respirar, pois o problema é no pulmão, nas vias aéreas, no afogamento pela enchente, pela fumaça do fogo. Para calar as palavras, para parar de destruir a natureza, para respeitar o ar contaminado por metais pesados que nos levam à morte. A comida modificada para vender mais, para adoecer e precisar de mais medicamentos que nos curem disso e nos adoecem daquilo, até nos deixar loucos e não resistir às doenças mentais de querer mais, de ser mais e morrer sufocado sem respirar.

Será que o mundo vai acordar e entender que ninguém veio para ficar? Viver é muito mais simples e bonito. Se todos abrirem os olhos e fizerem a sua parte, todos se ajudam e tudo se transforma. Mas enquanto o mundo for regido por ódio, intolerância, desprezo e poder, iremos sofrer com tudo isso, que não acaba.

Sobrevivemos à tempestade de 2021 e chegamos até aqui. O que podemos esperar agora?

Depois do distanciamento, ele continua nas relações humanas.

Uma pandemia e tudo mudou. Estamos voltando à nossa vida ‘normal’ sim, mas nem tudo está tão normal como antes. A reclusão trouxe um tanto de individualismo entre as pessoas, algumas gostaram do isolamento e nem querem mais sair tanto; outras nunca ficaram isoladas e continuaram suas vidas. Normalmente não, porque não estava normal, mas tentaram ignorar. Teve quem o medo tomou conta e ainda toma, e outras que estão saindo, indo e vindo com alívio no rosto; mas e as relações humanas, continuam iguais?

Muita coisa mudou, muito se perdeu nos relacionamentos, separações entre casais, discórdia em família, amigos que se foram sem razão. A vida não é mais a mesma em nada, por isso não existe vida normal ou novo normal, nunca existiu, é apenas uma metáfora para não enxergar a realidade à qual fomos colocados à prova, mas ninguém se deu conta disso.

Mas que prova é essa? A vida. Tem quem diga que está pior do que antes, e está realmente, porque depois de ficarem presos em suas próprias escuridões, em vez de olhar para dentro de si, que é um exercício difícil, mas necessário, resolveram dar vazão à raiva, à intolerância e ao desrespeito. Estamos vivendo a pior fase da humanidade, essa que retrocedeu à violência gratuita sem raciocínio, simplesmente por prazer e um poder inexistente.

O medo sobrepôs o afeto, deixamos de abraçar e beijar as pessoas, de nos aproximar. O distanciamento tornou-se proteção contra um vírus, mas que distanciou as pessoas. O carinho se foi, a demonstração de afeto também. Ficaram apenas as palavras, mas palavras nem sempre dizem a verdade, como diz um abraço bem apertado. O amor quase acabou, quase deu espaço à indiferença, ao tanto faz. Por que quase?

O amor jamais acabará enquanto houver relações de verdade, não só de casais, mas de todos os tipos entre as pessoas. É por amor que ficamos, é por amor que cuidamos, é por amor que ficamos em pé para viver.

O mundo mudou e a humanidade se perdeu, vamos viver unidos no amor para termos, a partir de agora, uma vida mais leve, uma vida mais simples, mas em compensação uma vida melhor, sem medo e em paz.

As dores e angústias de Ser

Será que todo sorriso é de alegria? Quantos dramas cada um carrega na alma, quantas vezes precisamos mostrar um sorriso, mas estamos chorando por dentro? Cada Ser sabe das dores e angústias da sua vida.

Somos julgados pela postura, por um dia que não estamos bem para conversar, por uma palavra mal interpretada; são tantos os motivos, e dificilmente o real motivo é percebido, aquele que está guardado no fundo do peito, mas ninguém sabe, aquela lágrima que ninguém vê, o pedido de ajuda está nos olhos, mas quem enxerga?

Imagino como deve ser difícil para uma pessoa pública ser e parecer estar bem todos os dias, mas não está. E, sem dúvida, aquelas pessoas que falam e desfazem de alguém não se colocaram no lugar do outro para saber se está tudo bem. Não, não está tudo bem todos os dias, não se é feliz todos os dias; aliás, felicidade já se sabe que não é permanente, mas sim um estado.

Tem dias que não estamos bem fisicamente, mentalmente, ou simplesmente não estamos bem e ponto. Seres humanos são assim, então por que não respeitar essa condição? Se todos somos iguais, como pode haver tanta falta de sensibilidade com o outro? Precisamos nos aprimorar para as pessoas ou para nós mesmos?

Cada passo na vida e cada evolução que temos é nossa, portanto, viver para agradar não é o que devemos fazer, já que todas as consequências do que faço, somente eu vou arcar. Então, a pessoa mais importante sou eu mesma.

Isso não é egoísmo nem arrogância, é pura e simplesmente a lógica da vida, ou alguém já viu uma pessoa pagar pelos erros do outro? Não me venha com ‘Eu passei por isso por causa de fulano’. Não foi isso, passou porque aceitou estar junto, aceitou a situação, se estava lá foi por escolha. Nossos erros são pagos por nós mesmos, se não aprendo uma lição o problema é meu.

Antes de julgar alguém, pense em você primeiro, provavelmente não é o dono da verdade, mesmo porque se fosse já nem julgaria. Cada um de nós carrega mágoas, traumas, sonhos não realizados, não dá pra sair falando dos outros se a vida é igual pra todos. A única diferença são as pessoas com quem convivemos, família e endereço, mas os sentimentos são os mesmos.

Da próxima vez que pensar em falar desse ou daquele, pense primeiro em você, pode ser que você mesmo não esteja bem e queira apenas aliviar a sua angústia mostrando que o outro está pior do que você. Pense nisso.

Dia da consciência Negra. Qual é a sua cor?

A Lei Áurea foi criada já há muitos anos — 13 de maio de 1888 –, mas ainda há quem rejeita o outro pela cor da pele. O que diferencia as pessoas umas das outras é o caráter, e isso não tem cor ou cheiro; está no Eu interior de quem manipula, rouba, engana, nutri nas pessoas uma falsa esperança apenas para se dar bem; mas isso tem cor?

Acho que não é coincidência o Brasil ter sido o último país independente a dar liberdade aos escravos, pois nesse próprio país ainda é necessário ter um dia de ‘consciência negra’, para que as pessoas tomem conhecimento de que somos todos iguais, necessitamos de respeito igualmente. Uma nação que ainda trata a sua população preta com xingamentos pejorativos realmente não está preparada para liderar. Talvez no próximo século as pessoas venham mais preparadas para as diferenças e nasçam sabendo o que é respeito.

É inaceitável que não se contrate uma pessoa por causa da cor da pele, que não aceite em determinados lugares, que trate com indiferença, até mesmo uma criança, como se a cor fosse sinônimo de honestidade, bons costumes ou passaporte para ser aceito.

Chegamos ao século XXI sem evoluir nada, pois não precisa ser bom em tudo como muitos querem, se for apenas uma pessoa que vale a pena já está ótimo. Tem muito branco articulando as piores situações e ninguém usa um termo pejorativo para aquela cor. Até quando viveremos na miséria de ser tão insignificantes de dar valor ao que não tem valor, e ao mesmo tempo, desfazer da sua própria origem. Sim, origem, ou os brancos vieram de outro mundo?

Resenha crítica: Ninguém pode com Nara Leão

A garota tímida nascida em Vitória/ES, em 1942, foi para o Rio de Janeiro com a família quando tinha apenas um ano de idade para morar no bairro de Copacabana. Filha de pai advogado e mãe dona de casa, Nara teve uma criação bem diferente da cultura da época, pois seu pai tinha ideias muito avançadas e criou as filhas, Nara e Danuza Leão, para serem independentes, serem o que escolhessem.

Aos doze anos, Nara foi incentivada pelo pai a fazer aulas de violão, sendo esse seu primeiro contato com a música. De maneira despretensiosa, nascia a cantora Nara Leão. Passou a ter aulas particulares de violão com Roberto Teixeira, ex-integrante do grupo Oito Batutas de Pixinguinha, muito requisitado na época pelos artistas das rádios. Nara se deu tão bem com o instrumento que em duas semanas já sabia tocar alguns chorinhos e maxixes.

O livro mostra a trajetória da carreira da cantora com leveza, contando histórias da época, envolvendo a ditadura, o movimento tropicalista, a Bossa Nova e o samba, no começo de uma geração da música popular brasileira com nomes de peso e inesquecíveis, os quais fizeram história.

 Fala sobre a rixa entre a cantora e Elis Regina, bem como sua amizade com Chico Buarque e Roberto Carlos. São muitas as passagens e nomes da música durante o período da carreira da cantora. Uma época de censura, em que jovens artistas lutaram contra, desafiando a perseguição que existia no mundo da música daquela época. Um livro para quem gosta de música, da Bossa Nova eternizada na voz de Nara Leão e outros grandes artistas lembrados na biografia.

A vida de Nara Leão terminou cedo, mas não sem uma intensa bagagem de conhecimento e superação. De menina tímida e que sofria com tudo vivendo em seu próprio casulo, passou a ser uma mulher corajosa; não tinha meias palavras, falava o que pensava. Destemida, enfrentou críticas na carreira, vários relacionamentos, autoexílio e a doença que a levou à morte precoce, aos 47 anos, com câncer no cérebro.

Foram muitas músicas gravadas, muita história para contar, uma carreira que começou em 1959 e foi interrompida em 1989, trinta anos vividos intensamente, mas marcados para sempre. Será impossível ouvir a Bossa Nova sem lembrar de Nara Leão. Será impossível ler e não admirar a história de um dos maiores nomes que o Brasil já teve.

“Quando digo música popular brasileira, digo música de raiz brasileira. […] A Bossa Nova foi uma evolução enorme que serviu para o nosso movimento de agora, mas espelhou-se na música norte-americana, fugindo das nossas raízes. […] Alguns compositores têm preconceito contra o que é nosso e querem logo pensar em termos de música desenvolvida lá de fora sem procurar evoluir o que realmente temos.”

Nara Leão

“Foi símbolo da reação à ditadura de 1964, sem nunca pretender coisa alguma.”

Paulo Francis

Viver ou sobreviver

Viver é uma arte. Todos os dias nos reinventamos para sobreviver, mas o que é viver? É aprender dia após dia, se refinar nos aprendizados, mudar os olhares para a vida e para os outros. A vida não é como acreditamos quando criança, pois aprendemos na infância, aprendemos na juventude e reaprendemos na vida adulta. Nada permanece para sempre, nem mesmo aquilo que acreditamos um dia.

Quando a gente para pra pensar nos anos que passaram, nos damos conta de como mudamos e não percebemos. Olho para trás e vejo que quase tudo o que acreditei um dia hoje não faz o menor sentido, todos os acontecimentos ao longo da vida vão te mostrando, aos poucos, que cada fase tem o desafio necessário para seu aprendizado naquele momento.

Quanta coisa se passou que você pensa: ‘Hoje eu faria tudo diferente’; sabe por quê? O tempo passa e você aprende, muda e amadurece. Jamais seremos sempre a mesma pessoa, mesmo sem perceber a gente muda. Aquele discurso ‘eu sou assim e sempre fui’ é mentira, você mudou muito e nem percebeu, mas as pessoas percebem.

É comum ouvir alguém dizer que fulano mudou muito, mas é claro, como poderíamos passar a vida pensando e agindo sempre da mesma maneira se a própria vida muda constantemente? Seríamos infantis sempre, mas não é isso o que a gente quer.

É mais fácil aceitar as mudanças do que se frustrar eternamente, ou pior do que isso, ser um adulto infantilizado, daí fica pior do que se tornar adulto cheio de mudanças. Mas tem quem não aceite isso, quanto mais envelhece, menos quer parecer velho, e isso não é apenas na aparência, nas atitudes também.

Viver é sentir-se parte deste mundo, evoluir e aprender. Sobreviver é usar o seu aprendizado para subir e descer as ladeiras da vida, quebrar muralhas e tirar as pedras do caminho, para assim continuar sua caminhada até quando Deus quiser.

A próxima vez que você pensar em reclamar da sua história, dos seus tropeços, lembre-se que você só se tornou quem é hoje por causa disso. Quem não cai não saberá o que é levantar, quem não perde não sabe o que é vencer, e quem não vive não sabe o que é sobreviver.

Você já amou à primeira vista?

Sempre ouvi dizer em amor à primeira vista, mas não acredito nisso, e sabe por quê? Ninguém ama de cara ninguém, pois o amor é construído dia após dia, com a convivência, com cuidado, respeito, atenção… O que ocorre quando alguém se sente loucamente atraída por outra é a tão falada paixão. Essa sim tem o poder de incendiar de cara.

A diferença entre o amor e a paixão é a intensidade. Na paixão existe o desejo de se relacionar emocionalmente e sexualmente também. Ao mesmo tempo em que se sente felicidade, sente-se a desilusão; às vezes, chega-se a cometer atos insanos pelo outro(a).

Como diz a música da Rita Lee ‘Amor e sexo’

 Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Essa estrofe define com clareza a diferença entre um e outro. Então, quando se fala em amor à primeira vista é igual à paixão? Não, definitivamente não é. Primeiro, a paixão, depois, o amor. Ah! e quando a paixão acaba vira amor; se não virar é porque acabou a paixão.

Deixar ir é a maneira de viver em paz

De repente tudo acaba. E começa um novo cenário, novas pessoas, lugares, até você deixa de se reconhecer quando um ciclo termina. Quando as coisas deixam de fazer sentido pra você nada mais te atrai, a gente deixa ir.

E é exatamente isso que deveríamos fazer com tudo o que nos faz mal, seja no trabalho, no relacionamento, com amigos. Não existe nada melhor na vida do que se sentir em paz, a vida é pra ser assim, mas temos a mania de complicar tudo, de carregar no colo aquela situação que te atordoa; às vezes parece que não queremos deixar aquilo ir, é um apego que se acabar não terá mais o que pensar.

A vida pesa quando não nos livramos do fardo que escolhemos para carregar, não temos problemas, temos uma situação para solucionar, como se fosse um exercício de matemática, é tão difícil que nem sabe como chegar no resultado final, e ele chega de uma forma tão simples que quando pensa o quanto precisou fazer, refazer, apagar até chegar na solução, chega-se à conclusão de que era muito simples. E assim é com a vida.

Os nossos pensamentos em relação às adversidades que passamos são tão confusos que sequer enxergamos a solução. Em vez disso carregamos como se fosse infinito, mas nada é infinito, nem nós somos. Tudo passa, o bom e o ruim, a felicidade e a tristeza, a angústia e a dor, somos preparados para tudo isso, as provas da vida veem para nos testar. Aprendeu? Passa pra próxima fase, não tem fim.

Hoje está tudo bem, amanhã pode ser que não esteja mais, e isso não é um problema, você só está vivendo. Isso é o que todos nós passamos, pode ser em diferentes momentos e situações, mas é tudo igual.

 E você, vai continuar arrastando os pesares, ou vai viver sabendo que lá na frente isso ficou no passado e novos tempos te esperam?

Metamorfose

Aquele momento em que percebe que não faz mais sentido aquilo que você gostava tanto, passa a ser estranho. O que é melhor, passar uma vida repetindo sempre as mesmas coisas, ou mudar suas opiniões, suas escolhas?

A vida é uma constante mudança, tudo evolui e se transforma, então por que não mudar? Voltando ao passado com lembranças de gaveta, percebi o quanto mudei ao longo da minha vida. Coisas que num passado não muito distante eram muito normais para mim, como certas escolhas ou atitudes, e hoje, sem perceber, não faço mais; nem faria mesmo, minha maturidade não enxerga mais com os olhos do passado.

Mas no passado era o certo, era o que tinha que ser, como eu teria evoluído se tivesse continuado pensando igual? É muito bom lembrar dos anos passados, mas não podemos deixar de entender que o tempo nos ensina, nos aprimora, nos faz enxergar muita coisa que só aprendemos depois de ter vivido.

Mudei sim, mas o mundo também mudou. Minha geração carrega lembranças maravilhosas, mas não poderíamos aplicar o que vivemos hoje, nem mesmo a forma de comunicação não é mais igual. Nossos filhos são adultos, agora já temos netos; estamos vendo crescer nossa terceira geração, e isso é evoluir e aceitar as diferenças.

Não somos mais os mesmos, nem na aparência. Nossos cabelos branquearam, a pele já não é mais a mesma, o ar jovial ficou lá atrás, mas isso não nos faz velhos; apenas se quisermos. Podemos sair, fazer exercícios, ouvir música, chorar de rir, lembrar e contar histórias. Isso é vida pulsando, constante, que vibra.

A metamorfose sempre vai existir, assim teremos sempre o que lembrar, do que éramos, do que passou. Até o tempo muda, de sol pra chuva, de frio pra calor, de hora em hora. Mas sempre vai amanhecer de novo.

Deixe suas escolhas mudarem, sua aparência, suas atitudes. Só não deixe mudar a alegria de viver, essa anda de mão dada com a vida, e quando se solta a mão, ela vai morrer.

Mais informação, menos informado

Informação não significa rede social. É comum se deparar, cada vez com mais frequência, com pessoas passando informações sem preparo algum para o assunto, apenas mesmo contando com milhares de seguidores que absorvem tudo como verdade.

Não vou relatar aqui os inúmeros assuntos, mas para aqueles que dizem respeito à saúde deveria haver uma política mais severa por se tratar de vidas que, por muitas vezes, levam a tragédias.

Não acaba por aí, pois há todo tipo de assunto criando polêmica na internet, pessoas brigando por assuntos que não conhecem com outras que conhecem menos ainda. Que preguiça! É triste ver tanta informação descabida analisada por tantas pessoas que até ontem não sabiam nem o que estavam fazendo no mundo.

Todo excesso é perigoso, porém falar demais, e, principalmente, sobre o que não domina, também é perigoso. A vida real não está estampada nas telas do celular, está atrás dele, onde pessoas de verdade vivem com seu trabalho, suas contas a pagar, seus problemas, sem glamour algum; muito diferente de quem esbanja sabedoria, mas que na verdade deu certo na internet e passou a ganhar muito bem pra enganar.

Chegamos à conclusão de que ter nas palmas da mão tanta informação não serve para nada, apenas causa mais discórdia entre pessoas. A maldade passou a ser um divertimento sádico, que também causa tragédias. Mas quem é culpado? O desocupado e frustrado que vira gigante atrás do teclado ou a pessoa que, às vezes até por ingenuidade, quer mostrar um fato curioso, mas que aos olhos de um sádico vira uma ofensa?

A internet não chegou para virar terra de ninguém, chegou para ajudar, facilitar, aproximar as pessoas. O fato é que a vida se transformou num grande pega-pega, quem ganha, quem é melhor. Ninguém mais sabe para onde ir. Sabe-se tanto, mas também não se sabe nada ao mesmo tempo. Estão todos correndo em busca de alguma coisa, para não sei o quê, para mostrar para alguém o que não sabe.

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