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A autora Maristela Prado, formada em Letras, revisora de textos, biógrafa, crítica literária, casada, dois filhos adultos. Meu sonho era ser jornalista mas o destino mudou meus planos e, para não ficar longe da escrita, fui cursar a Faculdade de Letras. Mas a vida me trouxe um marido jornalista e hoje também uma filha jornalista. Para mim a escrita sempre foi a maneira mais marcante da comunicação, é através dela que conseguimos transmitir mensagens capazes de eternizar um fato ou sentimento. As letras me fascinam.

O abuso no ambiente de trabalho

Dando continuidade à série “Abuso”, hoje falo sobre abuso nas empresas. Sim, está em todos os lugares. Nas empresas, principalmente, ocorrem o abuso moral e psicológico, e, com menor frequência, o sexual, com as mulheres, por puro machismo. Pessoas que estão no poder sentem-se à vontade para expor ou coagir trabalhadores. Sem saída e sem ter para quem reclamar, acabam sofrendo por meses, ou anos, pela necessidade do emprego. Uma verdadeira falta de empatia com o ser humano.

Não é raro saber de chefes que usam e abusam da capacidade de um funcionário, mas não o colocam na posição merecida, ao contrário, humilha, desfaz, deixa de lado, às vezes assume o trabalho como se fosse seu, sem dar créditos ao verdadeiro autor. Valorizam o puxa-saco, inventam cargos, mas não dão o reconhecimento verdadeiro a quem trabalha. Isso é mais comum do que se imagina, é só olhar para o número de trabalhadores com depressão, pânico e Burnout que se tem hoje nas empresas. Pessoas exploradas e jogadas fora para dar lugar a quem não sabe nada. Isso quando não são excluídos de grupinhos que fazem ‘qualquer coisa’ para se darem bem.

Existe ainda aquele chefe que faz questão de humilhar na frente dos outros, como se isso fosse uma atitude digna e de respeito. Berros, xingamentos, exposição, isso não é autoridade, é falta de educação mesmo, muitas vezes nem o próprio chefe é bom o suficiente tanto quanto aquele que humilha; aliás, é normalmente a causa da humilhação. A frustração de não ser bom, mas tem o título, e pior, sem capacidades psíquicas para gerir uma equipe.

Muitos são os casos de pessoas que perdem o emprego com a família para sustentar somente por um ‘surto’, assim que se chama hoje a falta de educação, de um chefe que prioriza seu cargo, seu salário, acabando com a saúde mental das pessoas.

O ambiente de trabalho deve ser prazeroso. Problemas e erros acontecem o tempo todo, afinal somos humanos; quando a Inteligência artificial tomar conta, daí xinguem as máquinas, mas, por enquanto, precisamos ter a nossa saúde mental em condições para poder fazer um trabalho bem-feito. Trabalhar não é ser perfeito, é ter competência, responsabilidade e, principalmente, qualidade de vida dentro do seu ambiente. Qual a razão de adoecer as pessoas? Tirar delas a sua paz, o seu sustento, o que se ganha com isso?

Já existem algumas empresas dando importância à saúde mental de seus funcionários, disponibilizando um período de descanso depois do almoço, para relaxamento. É preferível um funcionário saudável a um doente e ausente, e isso alguns já estão enxergando, mas ainda falta muito para entenderem, afinal, que uns precisam dos outros, ou um empresário faria tudo sozinho? Trate bem quem trabalha para você ganhar cada vez mais.

O assédio sexual já é um jeito escroto antigo de ser com a mulher, mas alguns (ou muitos) ainda acham que o corpo de uma mulher é um parque de diversões. Assediar com gestos ou palavras é crime do mesmo jeito. Ou é bonita, ou tem corpo bonito, ou chamativa. São muitos os atributos para justificar o abuso, a culpa é sempre da mulher. Claro, você tem culpa do outro não te respeitar apenas porque é bonita, ou seja, lá o que for; ser mulher, acho que já é o suficiente. Infelizmente isso acontece, homens escrotos que compram as mulheres com elogios, presentes, cargos, sem dar o menor valor para a capacidade que temos, e ainda falo mais, superamos a capacidade quando se trata de trabalho e responsabilidade, mas não é assim que nos veem. Ainda lutamos para sermos respeitadas e valorizadas. Destacar-se diante de um homem e de um cargo é um perigo, mulher não pode ser melhor, não pode comandar, sempre darão um jeito de minimizar, até mesmo armar algo para não dar certo. É homem, e somos apenas uma mulher. Sinto muito, mas não foi somente a tecnologia que evoluiu, hoje uma mulher anda no mesmo patamar que um homem, pois sabe que tem inteligência e sabedoria para ser o que quiser. Somos mulheres.

Ser mulher no mundo de hoje não é uma tarefa fácil, não existe lugar seguro, muito menos respeito, somos exploradas e temos problemas que homem nenhum jamais vai saber o que é, justamente por não ser mulher. Além dos afazeres no trabalho, a grande maioria faz jornada dupla, tem filho, casa, TPM, cólicas, menopausa, um misto de hormônios e responsabilidades. Homens jamais saberiam lidar com tanta coisa ao mesmo tempo, e ainda chamam de mi, mi, mi, antes fosse. Aturar tudo isso é para o “sexo frágil”, o sexo forte gosta de dar soco, agredir, machucar, estuprar, matar, mas não sabe o que a mulher sente na gravidez, o que é dor no parto, amamentar, cólicas, confusões hormonais, trabalho e ainda ser minimizada.

A vida virou uma série de abusos de todas as formas e lugares, pisamos em ovos para falar, para reagir. Enquanto você lê esse artigo, quantas pessoas estão sendo abusadas neste momento? No trabalho, na escola, em casa, na rua. Até quando teremos que aguentar tantas injustiças, tanta falsidade e mentiras?

Ninguém precisa aturar um abuso no trabalho, se você se sente abusado, excluído, ou desvalorizado, não se esqueça que hoje uma mensagem é prova, um e-mail é documento, existem leis de proteção ao trabalhador. Antes que adoeça, aja. Chefes descontrolados devem ser afastados, se adoecem as pessoas, eles é que precisam de tratamento, e não você adoecer por isso. Procure seus direitos, você vale muito mais do que ser comandado por um abusador.

Vou deixar o link de um conto que escrevi para uma antologia que trata exatamente sobre esse assunto, “Um mundo melhor” (2023). O meu conto está na página 19, “O assédio de Arlindo”, leia e reflita.

https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:VA6C2:0095a0b4-108b-44a7-b5a6-474b1d4d43de?viewer%21megaVerb=group-discover

Por Maristela Prado

A adultização precoce e o perigo desta irresponsabilidade.

Há muito tempo vem se falando sobre adultização de crianças, eu mesma escrevi uma crônica falando sobre o assunto. Crianças sendo expostas na internet desde muito pequenas, pela inteligência, esperteza, pelo jeitinho de falar. Enfim, formas que os pais encontraram para viralizar através de seus filhos, como se o mundo hoje fosse contado por curtidas ou visualizações, uma necessidade imensa de aparecer.

Muitos conseguiram, e até começaram a fazer merchandising através desta exposição, aparecer cada vez mais, e o dia a dia dessas crianças foi mostrado normalmente, sem que pensassem no que poderiam estar fazendo com seus próprios filhos. Hoje alguns são famosos, mas a infância foi, infelizmente, perdida, porque até brincar é mostrado pela câmera. Como serão essas crianças daqui a alguns anos?

Fora essa exposição proposital, tem também aquela por excesso de amor e querer mostrar o crescimento, os momentos de felicidade, passeios. Só não esperávamos que houvesse tantas pessoas arquitetando contra os pequenos, roubando fotos, vídeos de família para exibir essas crianças como se estivessem à venda, e realmente tem quem compre essas imagens para vender a pedófilos.

Não é de hoje que se fala de não postar fotos de criança, principalmente com uniforme de escola, em frente de casa, carro, lugares em que você esteja em tempo real, mas nada disso importa, todos querem mostrar onde e o que estão fazendo, e tudo isso só facilitou o crime e os golpes, que não param; cada ora é um novo que aparece. As crianças e adolescentes correm perigo somente por postarem fotos, por serem atraídos por joguinhos, com jeito de criança, para chegar mais perto, com plataformas escondidas de acesso que parece inocente, mas não é.

Agora que foi revelado pelo influenciador Felca, fotos de crianças vazadas, vendidas, exploradas por pedófilos e muitas pessoas interessadas em viralizar às custas da infância, e até alguns pais que recebiam uma mesada em troca da adultização de seus filhos, acendeu um alerta para o que está de fato acontecendo com essa fase da vida que é tão curta, especial, complicada, e que muitos não estão se dando conta de que estão acabando com o mundo infantil, colocando-os no mundo adulto erotizado, pernicioso e perigoso.

O que será dessa geração daqui a alguns anos, qual tipo de adulto se tornarão, o que poderão contribuir para um mundo melhor, se eles estão sendo jogados num mundo sujo? Será que precisaremos reeducar os adultos para podermos criar crianças mais conscientes da vida, que possam brincar, entender a vida através da brincadeira como era antes? Pular corda, amarelinha, brinquedos e não telas, dar risada, ter amigos. Quando foi que isso acabou? Por que tanta pressa de os filhos crescerem se a infância é a melhor fase da vida?

A partir disso conseguimos enxergar os porquês que hoje não conseguimos entender. Tanta violência, abuso contra a mulher, abuso no trabalho, na escola, na vida. O que essas crianças estão aprendendo é que estão levando a todo esse caos que estamos vivendo. Filhos que não podem deixar de ter tudo o que desejam, crescem ansiosos, imediatistas, não aceitam o não! A birra incessante até que consigam o que querem. A falta de presença dos pais transformada em material, luxo, a ter.

A falta de paciência dos adultos, os berros, a violência dos pais contra as mulheres; não raro com seus próprios filhos. Priorizar a vida do casal e deixar os filhos de lado. Não participar da vida escolar, saber dos amigos, com quem anda, onde está, ou melhor, com quem está falando, se realmente aquilo é um jogo. Chegamos a um terço do século com toda a população, não se exclui nem a infância, envolvida em um verdadeiro caos humano. Como podemos exigir respeito, se os adultos não respeitam nada nem ninguém, são os tais exemplos que tanto se fala e não se faz. Se um pai ou uma mãe vai até a escola defender um malfeito do seu filho agredindo, mesmo que verbalmente, um professor, qual exemplo ele dará para seu filho? Que tudo se consegue na violência? A criança aprende e cresce violenta. É responsabilidade dos pais, sim, pois são eles que devem proteger e zelar pela vida de um menor. Se isso não acontece, em quem confiar? Expor seus filhos na rede, de forma irresponsável, é entregar de bandeja à prostituição, à pedofilia.

Quantos homens e mulheres estão despejando suas frustrações nas crianças, na escola, aonde for, sem sequer refletir sobre suas atitudes, só querendo ter razão. Quantas crianças estão carregando problemas psicológicos por não saberem se defender, tendo problemas de aprendizagem, relacionamentos com colegas, professores. Estão sofrendo e precisando de ajuda, mas não são escutados (escutar é diferente de ouvir), tornam-se agressivos e isso vira uma bola de neve. A escola chama atenção, chama os pais, e não querem resolver, defendem e o problema continua.

Por isso a importância da educação socioemocional, mas também é necessária a educação familiar, podemos ajudar as crianças e adolescentes, mas e os pais querem aprender? O dinheiro tomou conta da cabeça das pessoas, tudo gira em torno do dinheiro, e tudo acaba em doença mental, e é a última que se pensa em tratar. Sem saúde mental não há solução para tanto problema. Sem regras rígidas não tem solução, sem responsabilização não tem o que ser feito.

Para acabar com a violência precisa de uma educação eficaz em casa, parceria com a escola, respeito e responsabilidade dos responsáveis. Só assim teremos um mundo e uma sociedade preparada para colocar filhos no mundo que possam fazer a diferença, e não para continuar com a violência. Cuidem dos seus filhos, protejam, conversem, mostrem os caminhos perigosos que podem encontrar na internet. Ser responsável é a melhor forma de começar a pensar em ter filhos. Eles nãos nascem sem caráter, eles aprendem dentro de casa.

“Se você perceber algo de estranho com alguma criança ou adolescente, que esteja correndo perigo, não hesite em denunciar. Disque 100 Direitos humanos em completo sigilo, ou ao Conselho Tutelar da sua cidade, ou região”.

Por Maristela Prado

Abuso contra a mulher é crime.

Outro dia li uma frase que dizia: “Até o rio tem limite”. Os animais, embora sejam irracionais, agem por instinto, têm inteligência e sabem quando estão errados, se chateiam com as broncas, mas não sentem raiva do dono por isso, continuam amando e esquecem em seguida o que aconteceu, e aprendem o seu limite. Por que então o ser humano, criado com inteligência e racional, não aprende seu limite? A sua superioridade o faz considerar esperto demais, ou tão covarde que foge dos seus próprios erros como um animal irracional fugindo de uma predação. 

É para se pensar nessa racionalidade que se acredita ter, parece mais uma criança desobediente do que um adulto. Não tem limites, mas exige limite do outro, não controla sua própria vida, mas quer controlar a do outro, não dá conta da responsabilidade adulta e quer que o outro seja totalmente responsável por sua vida, erra o tempo todo, mas a culpa é sempre do outro. Esse é o narcisista, que acha que tem tudo na mão, mas, na verdade, não tem nada, vive de jogo, afeta o mental do parceiro(a) para sair bem das burrices que comete. Enquanto a vítima acha que está com problema, ou que está errada, é o abuso psicológico começando a dar os primeiros sinais, mas que normalmente a pessoa não percebe. Esse é o perigo.

Dificilmente nessa fase se percebe a dimensão do abuso que está sofrendo, a sua psiquê é tão afetada que a dúvida começa na sua cabeça, o outro está sempre com a razão. Te repreende por tudo, chantageia, faz pouco caso na frente dos outros, arruma uma atitude banal sua para mostrar que tem razão, é uma pessoa adorável socialmente, mas detestável como parceiro. E quem vai acreditar? Quando esse abuso passar a ser visto, a deixar marcas. Caí da escada, bateu a cabeça no armário, não sabe que mancha roxa é aquela, e por aí vai.

Nem sempre se há tempo para consertar o erro, antes achava que era amor, de repente está afastada da família, sua aparência, seu sorriso já não são mais iguais, e os problemas começam a surgir. O medo toma conta e, quando percebe, está somente obedecendo quem te usa, fazendo seu joguinho psicológico, mas quem está dentro não enxerga. Nem tudo é perfeito, nem tudo dá certo, um dia a casa cai.

Por que é tão difícil uma mulher entender que está vivendo uma relação abusiva? O autor escolhe sua vítima porque viu alguma fragilidade emocional em você, como medo de ficar sozinha, romântica demais, cede demais. Nenhuma relação tem só um lado, quando há amor de verdade os dois cedem, os dois relevam, senão não há relação que sustente.

Tudo tem limite, se o seu relacionamento chegou nisso ou está começando assim, preste atenção, a paixão um dia acaba, mas o abuso não. Eles dão sinais, não se iluda com alguém muito especial, logo a máscara cai, e o que era especial vira um filme de horror. Não acredite em mudanças, em lágrimas de crocodilo, é cena para mexer com seus sentimentos, não vai mudar, depois de um tempo só piora. Não existe conto de fadas, existe a dura realidade do machismo disfarçado de delicadeza.

As fases para se chegar no feminicídio são muitas, mas visíveis. Ninguém começa uma relação agredindo fisicamente, primeiro é o psicológico, moral, sexual, parental, patrimonial até chegar ao feminicídio. Procure ajude se precisar, existem casas de acolhimento às mulheres vítimas de agressão. Não se cale, sua vida vale mais.

Abaixo deixo alguns telefones de emergência. Abuso é crime.

Número 180 – Central exclusiva que presta atendimento à mulher. A vítima registra a denúncia, recebe orientações e informações sobre leis e campanhas. A ligação é gratuita, funciona 24 horas todos os dias da semana.

Número 181 – É o número de apoio para denunciar de forma anônima o abuso sexual.

Número 190 – É p número da Polícia Militar, que pode ser conectado nos casos de flagrante ou quando o abuso sexual está ocorrendo naquele momento.

 Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. Funciona por meio do serviço disque 100 

             Gratuitos e sigilosos, não precisa se identificar.

Também pode registrar a ocorrência nas DEAM (Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher). Funciona 24 horas.

• Casas-Abrigo: oferecem local protegido e atendimento integral (psicossocial e jurídico) a mulheres em situação de violência doméstica (acompanhadas ou não de filhos) sob risco de morte. Elas podem permanecer nos abrigos de 90 a 180 dias.

• Casa da Mulher Brasileira: integra, no mesmo espaço, serviços especializados para os mais diversos tipos de violência contra as mulheres: acolhimento e triagem; apoio psicossocial; delegacia; juizado; Ministério Público, Defensoria Pública; promoção de autonomia econômica; cuidado das crianças – brinquedoteca; alojamento de passagem e central de transportes.

• Centros de Referência de Atendimento à Mulher: fazem acolhimento, acompanhamento psicológico e social e prestam orientação jurídica às mulheres em situação de violência.

• Órgãos da Defensoria Pública: prestam assistência jurídica integral e gratuita à população desprovida de recursos para pagar honorários de advogado e os custos de uma solicitação ou defesa em processo judicial, extrajudicial, ou de um aconselhamento jurídico.

Procure na sua cidade ou região.

Por Maristela Prado

Semear a vida demora

O estresse, a ansiedade, a pressa, a falta de paciência, a frustração, o não ser o que queria. São tantos os problemas emocionais que fazem mal à saúde e que nos levam a um esgotamento mental perigoso e invisível aos olhos das pessoas, mas muitas vezes está matando alguém por dentro sem que se perceba. Aquele coração acelerado, dor de cabeça que não passa, pensamentos repetitivos, inquietação. Você sabia que tudo isso pode dar um infarto, AVC, pode elevar sua pressão arterial? Quantos jovens estão apresentando doenças que até então eram consideradas em pessoas mais velhas? Cigarros ou cigarros eletrônicos que acabam com os pulmões, bebidas em excesso, vida desregrada, pressa de ter, caminhos desviados.

A morte chega sem aviso, embora o corpo dê sinais, mas raramente se preocupam, sou jovem. Os excessos matam, mesmo porque não somente o corpo adoece, a mente também adoece, é onde tudo começa. Estamos convivendo com uma sociedade doente e que não sabe mais esperar, não sabe perder, as informações via internet são inverossímeis, tem muita mentira elaborada para destruir o mental das pessoas, para ver o circo pegar fogo, e está pegando, mas os responsáveis também vão se queimar.

 É semeando, dia após dia, que conquistamos nossos anseios. Nada acontece de repetente. Na vida é preciso ter paciência, perseverança e acreditar em você. A paciência é uma habilidade que está em extinção, querem tudo para ontem. A vida não é assim. Demora nove meses para nascer, e uma vida toda para aprender e seguir o seu caminho.

Vivemos uma vida louca, a hora que passa voando, o consumismo só aumenta, o imediatismo. Nunca ouvi falar tanto em câncer como se fala hoje, sempre existiu, mas garanto que era bem menor a incidência, tanto que ficávamos assustados quando sabíamos de alguém doente. Pode ser que a comida que consumimos esteja cada vez mais envenenada, tudo faz mal, até mesmo os alimentos saudáveis são contaminados por agrotóxicos, outros veganos, os quais são fabricados e levam ingredientes para conservar, queijos que não são queijos, sucos com excesso de açúcar, é lactose, é glúten. Como vamos sobreviver? Será que só mesmo a comida é que mata?

Tente viver sua vida sem excessos, sem exposição. Não se queime na intenção de mostrar o que você não é, a sua vida só interessa a você. Se você adoecer, ninguém vai te socorrer, a não ser quem te ama de verdade, e isso está ficando cada vez mais difícil; até o amor está desaparecendo. A vida é dura, mas se souber esperar, e tiver um amor ao seu lado, tudo fica mais fácil. Um dia vai perceber que toda sua pressa nunca fez sentido, apenas atrapalhou tudo. O gostoso da vida é o lado simples, estar em paz e escrever as páginas da sua vida sem ninguém saber, e se possível no melhor lugar do mundo, na sua casa. Como dia a música de Gilberto Gil. “O melhor lugar do mundo é aqui, e agora”. Viva o seu presente.

Os ventos que derrubam

Um dia desses acordei com uma enorme ventania, às quatro e meia da manhã. Todas as janelas balançavam, e o vento fazia muito barulho. Levantei e fechei todas as janelas num ato de proteção à minha casa e à minha família. Parou e voltei a dormir, mas o dia continuava com ventos fortes. Refleti sobre quem está dormindo nas ruas e não tem como fechar as janelas para se proteger, como e porque as pessoas que lutam para comandar uma cidade, um Estado e um país chegam a esse lugar e não fazem nada para que essas pessoas tenham um lugar na vida. Seja qual for o motivo por que foram parar na rua, não interessa, a vida interessa.

O lugar do poder é cobiçado, disputado como se um fosse melhor do que o outro, mas, no fundo, querem somente o mesmo, enquanto nós estamos sempre à margem, pagamos pelos interesses de rótulos, nada muda. Será que teria tanta disputa se não tivesse salário? Se fosse um cidadão comum, somente com interesse em manter leis e vida digna para a sua pátria? Acho que não, senão estaríamos vivendo num mundo sem guerras por territórios, por riquezas, homens querendo ocupar o lugar de Deus. Que blasfêmia! Todos terão seu lugar garantido na terra, um pedacinho de terra, todos terão um dia, está prometido desde o nascimento, e quem manda você para lá é Deus, não um homem qualquer.

Será que esse vento que acomete o mundo não está varrendo a sujeira que o homem está fazendo? Talvez esses sejam os ventos da limpeza, da ordem, de cada um no seu lugar. E todos temos nosso lugar, é só prestar atenção nos seus atos, nos seus pensamentos. Não adianta falar manso e agir demonstrando satisfação. Os atos falam mais do que as palavras, lembre-se sempre disso.

Uma vez ouvi de alguém muito sábio que as máscaras iriam cair, e quantas máscaras estão caindo e surpreendendo. Devem ser os ventos que estão derrubando tudo pela frente, as máscaras já não se sustentam, vão caindo todas. Como dizia a música que Elis Regina cantava, do compositor e cantor Ivan Lins.

 “Cai o rei de espadas

cai o rei de ouros

cai o rei de paus

cai não fica nada”.

Está caindo tudo, até a cara de quem pensava ser sublimado, quem achava ou acha que está acima de tudo, quem manipula, quem controla, quem esquece que mentiras e boas marés acabam. A vida acaba. Caminhamos sem saber aonde vamos chegar, qual o próximo golpe, a próxima decepção, se surpreender com mais alguma coisa que não esperávamos acontecer. E sabe por quê? As expectativas que temos pelas pessoas, acreditamos no mal disfarçado de bem, nas palavras ditas com ar de verdade, mas que são mentiras. Descobrimos nos atos de cada um as mentiras faladas, ninguém sustenta uma máscara por muito tempo, na primeira oportunidade cai tudo e vai para o ralo.

Os ventos estão levando muita coisa embora, a natureza está dizendo quem é que manda, quem tem o poder, e não é qualquer mortal, porque está mudando tudo por causa dos ventos, as queimadas pelo calor excessivo do aquecimento global, derretendo as geleiras que controlavam as temperaturas e davam vez a cada estação, a devastação das matas tirando nosso oxigênio, os poluentes jogados ao ar, a revolta das águas invadindo cada vez mais seu espaço.

Mas as pessoas não aprendem, não percebem o que está acontecendo, continuam agindo como se não houvesse nada nem ninguém que possa parar tudo isso. A ganância virou doença mental, o mundo está doente. Tem gente na rua, tem gente doente, gente dando voz para enganar e se fartando de quem acredita, gente jogando comida fora, enquanto outros não têm o que comer. Mas esses eram os anos 2000 que tanto esperávamos, que o mundo iria acabar assim que chegasse. Está acabando, todos os que estão destruindo, povos, lugares, países e até mesmo continentes. Jogando tudo pela riqueza pelo ego de ser. E quando tudo acabar para onde vai essa fortuna, esses bens arrancados a todo custo? Quem sobrará para se fartar? Provavelmente os que não tiveram nada, os que sofreram pelos ‘soberanos’, a quem teve dignidade, não matou, não enganou, não iludiu.

Não se contentaram em destruir a natureza, agora querem destruir tudo. Estamos à beira do caos, olhe mais com quem você anda, olhe o que está fazendo para seu futuro. Conheça melhor as pessoas, pense mais em você, não acredite em todo mundo, filtre quem entra na sua vida. Colega não é amigo, conhecemos muita gente na vida, mas nem todas são para ficar, vem e vão. Filtre, olhe, e faça da sua vida o melhor lugar do mundo, sem precisar provar nada para ninguém. Se recolha, as redes sociais matam as amizades e os relacionamentos. Viva no anonimato e seja muito mais feliz.

O fim é para todos, e as escolhas também

Piscou o olho, a vida acabou. E tanta gente desperdiçando a vida, as oportunidades, desviando do caminho, brigando por tudo e, ao mesmo tempo, por nada. Preta Gil foi uma mulher que conviveu com críticas ao seu corpo, que não estava dentro dos padrões de produção de fábrica, tudo igual, sua cor, suas escolhas, mas sempre foi ela mesma, uma mulher de personalidade, inteligente, talentosa, alegre e que lutou bravamente contra sua doença até o fim.

São pessoas assim, como ela, que deixam uma história para ser lembrada. Nunca se deixou levar pelos comentários maldosos sobre sua aparência, levantava a bandeira e falava, doa a quem doer. O que pensar de uma pessoa que relega o outro pela aparência? A própria infelicidade de não ser aquela pessoa precisa diminuir para se sentir superior. Mas tirar o chapéu para a inteligência e a cultura não fala, mesmo porque quem olha por fora não se interessa pelo que o outro tem por dentro. Filha de um dos maiores compositores e cantores desse País, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), um título para poucos, importante para quem conhece a cultura das letras, e não da aparência, do vazio.

Os grandes artistas estão indo embora, mas deixam um legado para nossa história, mesmo que alguns não gostem, critiquem, mas são os verdadeiros artistas. Estamos ficando órfãos da boa cultura, dos poetas, dos artistas que viam o mundo com os olhos de quem vê a vida, aprendizes de um tempo passageiro, e se não aproveitar, vai-se como uma nuvem que passa e ninguém percebe. Pois esses foram percebidos e sempre serão lembrados pelo legado e inteligência, mas infelizmente muitos não entendem.

Esta semana assisti a uma palestra que falava sobre o vazio das pessoas depois das redes sociais. Todos acham que têm o direito de fazer o que querem, falar o que querem, e podem mesmo, só esquecem de que as palavras ou atitudes ferem, e para tudo há consequência. Será que alguém se importa com isso? Tive a resposta para esta reflexão na série sobre Raul Seixas, que também assisti nesta semana. Ele dizia ter o direito de fazer tudo o que quisesse, e ninguém iria impedir. Foi avisado de que estava no caminho errado, mas ignorou, foi ao fundo do poço e de lá não saiu mais, ou melhor, saiu morto.

São as consequências das nossas ações, fazer o que se quer é um direito de cada um, mas terá que arcar e suportar com o que vem depois. Estão começando a acordar para a vida real, o olho no olho, o abraço, o toque, o sentir. Essa é a vida de verdade, quente e responsiva, sem dramas e a falsa coragem de diminuir alguém sem olhar nos olhos. Deveríamos chamar essa forma de relacionamento de redes mortais, pois acabam com a vida real ali mesmo. Encerra os sentimentos e afetos.

 Assim fizeram com Preta Gil, tentando colocar sua autoestima no chão, fazendo com que ela tivesse que viver a sua vida, o seu sucesso, as suas escolhas em dois extremos: o feliz, quando podia falar sem que a ouvissem, e o julgado, quando pessoas covardes se tornam corajosas de longe e entram para destruir o outro. Mas o seu lugar na vida ninguém tirou, esse lugar era só dela, predestinado, dado a ela, não só por ser filha de quem era, mas por merecimento que a vida lhe propôs. E isso não é só com ela, mas com qualquer outro que sofre todos os dias com acusações, maldades e ‘piadistas’ que não enxergam a própria vida, e acham que piada é debochar até na hora da morte. Isso não é piada, é desrespeito e incapacidade de ser uma pessoa melhor. O Universo se encarrega. O tempo é o senhor das respostas, soberano da vida, e a lição de quem anda por caminhos tortuosos um dia mostra, cara a cara, qual piada será sua vida. Ninguém é mais ou menos do que alguém, somos todos iguais, e o fim será o mesmo, e as suas escolhas seguirão com o fim.

“Andar com fé eu vou

Que a fé não costuma faiar”

(Gilberto Gil)

A doce saudade de quando éramos 90 milhões em ação

A doce saudade de quando éramos noventa milhões de brasileiros, alegres, sem Burnout, ansiedade, e todos juntos de mãos dadas com o mesmo coração. É, eu nasci com a Ditadura, apesar das barbáries que aconteceram, mas o Brasil era mais unido, apesar de quase ninguém ter telefone em casa, da TV ser preto e branco e só ter onze canais que pegavam com antena em cima da casa. Eram poucas as pessoas que tinham carro, o transporte público prestava, as pessoas prestavam. E tanto fazia ser rico ou não, aliás rico era ter uma família unida, alegre e feliz, ter uma casa e pais que nos ensinavam o verdadeiro valor da vida, as pessoas e não as coisas.

Hoje, os jovens são pobres, querem tudo de marca, tudo caro. Não aceitam trabalhar e ganhar pouco, tampouco serem comandados. Aprenderam a ter tudo o que quiseram, não importa se pode ou não, pai e mãe são sinônimos de conquista, ouvir não frustra. Não sabem viver, estão perdidos na vida, querem mais a todo tempo, e não satisfazem.

Somos 200 milhões de brasileiros vagando por aí, tentando conquistas, tentando ser feliz. Que felicidade é essa se não tem fim? Ataques, brigas, intrigas, disputas, ofensas. O ego tomou conta das pessoas, alguns zeros a mais na conta já são motivo de soberania. Onde foi parar o encanto pela vida? Será que tudo mudou tanto ao ponto de não enxergarem mais o milagre da vida? Ficar feliz por alguém, admirar as pessoas, sorrir sem falsidade, sentir amor de verdade?

Os cantores que ainda restam levam milhões de fãs aos shows, e sabe por quê? Falam de amor, poesia, sentimentos, músicas que tocam o coração, não estimulam e não induzem. Fizeram sucesso na raça, no talento, na vontade de ser artista. As propagandas mais famosas saíram da cabeça de um homem que tinha talento e não tinha preguiça de trabalhar, Washington Olivetto, ficou rico, mas trabalhou. Os grandes autores de novelas e da literatura escreveram clássicos que fazem sucesso ainda hoje.

Sou da geração que viu tudo começar, da máquina de escrever manual à máquina elétrica ao computador. Do telefone de discar em casa à Internet discada para a banda larga. Messenger ao WhatsApp, carro a gasolina, álcool e elétrico. Enfim, toda a evolução, um pouco mais de meio século, mas tenho orgulho de ter esse conhecimento, ter vivido e continuo vivendo tudo isso, e poder escrever com toda certeza de que tudo o que lembro com saudade é porque hoje não existe nada que deixará essa saudade. Nada será como antes.

A vida virou uma eleição, tudo tem dois lados, e temos que escolher qual lado ficar. A política mundial virou uma palhaçada, estão disputando quem será o melhor do mundo, quem vai mandar em tudo. É até irônico, quem vai ser dono do que se ninguém veio para ficar? Se acha dono, morre e quem herda? O próximo trem pode passar a qualquer momento, lembra que estamos de passagem?

Por isso tenho saudades sim, mas não tenho vergonha de nada. Aprendo a cada dia, e assim vou vivendo e colocando em prática aquilo que devo passar para quem desejar aprender.

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha)

Se te consome, não é amor.

Quando você começa a ser coagido, impedido de ser quem você é, ou deixa de fazer coisas que gosta, viver como sempre viveu, por alguém, isso é relacionamento tóxico. O relacionamento de duas pessoas deve ser gostoso, saudável para ambos, quando não é para um, o outro está te consumindo, sugando a sua energia. Amar alguém é um sentimento, não simplesmente uma palavra. Amar é cuidar, ter carinho, querer estar junto, querer estar presente. São poucas as pessoas que sabem o que é realmente o amor.

As relações continuam em estado de choque, hoje conhecemos a casca que veste os seres, e sempre são muito agradáveis, mas a partir do momento que as atitudes começam a desmascarar a casca, junto vem a realidade, que muitas vezes não se quer ver. Vivemos num mundo, ou estamos em um momento da vida, em que tudo tem que ser tirado a limpo, você não sabe se a notícia é falsa ou verdadeira, se o produto que comprou é o que realmente tinha visto, se o trabalho que começou terá uma laranja podre que vai estragar o resto, se o seu par é perfeito como dois e dois são quatro.

São tantas as dúvidas, incertezas, decepções, que parece que estamos vivendo sem sentir o chão, apenas vamos e às vezes nem se sabe para onde. Certamente a humanidade escolheu o caminho errado, parece que desde a Roma antiga estamos vivendo o mesmo, apenas algumas mudanças nas vestimentas, armamentos, tecnologia, mas a ignorância, a guerra, a luta pelo poder, o machismo, os abusos continuam o mesmo. Chegar a essa conclusão é triste, só entendemos que nada mudou.

A realidade de hoje é dura demais para encarar, tem que ser frio para entender tantas atitudes que nem precisa de esforço para saber que está errado, mas quem aceita não ter razão? Já ouviu dizer “prefiro ter paz do que ter razão?” Pois é, eu sou essa, não vale a pena desgastar sua mente para ‘tentar’ mostrar a verdadeira realidade dos fatos, não vai adiantar. Exceto caso esta realidade seja um perigo para a sociedade, daí sim eu luto pela informação e faço o meu papel, alertar cada vez mais sobre os relacionamentos abusivos, pois deles saem as piores coisas, traumas, e muitos acabam em morte.

Por isso sigo empenhada em fazer o meu trabalho de alerta, principalmente para mulheres, são as que mais sofrem com perseguição, desrespeito, sendo inferiorizadas e vistas como objetos de desejo. Infelizmente a sociedade está cada vez mais machista, e começando mais cedo, pois com os avanços tecnológicos o acesso destes doentes que usam a internet para ensinar como destratar, usar uma mulher, está cada vez mais presente, e crianças e adolescentes tendo conhecimento de atitudes que, certamente, os levarão a um estado psíquico perigoso e devastador.

O que está faltando é amor no mundo, as crianças perdem a inocência muito rápido e acabam entrando na vida adulta antes do tempo. Pais querendo que seus filhos cresçam rápido, introduzindo falas fora de ora. Ainda há quem ensine que homem não chora, que homem tem que ser rude e usar a força. Homem precisa ser homem, ter coragem para enfrentar os desafios da vida, aprender, participar da vida em família, cuidar, amar para ser amado. Porém, se nada mudar, não teremos homens, teremos machos, e de machos não precisamos. Estes não usam o homem que carregam, se estragam e estragam quem está junto.

Depende de cada um de nós, da atitude de cada um mudar o mundo. Sozinho é claro que ninguém muda nada, mas juntos podemos entender que sem amor não existe relação, não existe respeito, e muito menos empatia. Sem amor só existe o Eu, e sozinho ninguém faz nada. Nem amor.

Qual pessoa você se tornou?

Quando você se olha no espelho, o que vê? Um rosto feliz, satisfeito com a vida, orgulhoso de quem você é, ou uma pessoa seca, infeliz, revoltada com a vida, amarga? Já parou por um instante para pensar em você, em sua vida, em quem se tornou, era essa pessoa que queria ser de fato? O que a sua criança queria, aconteceu?

Essas perguntas são difíceis demais para nós mesmos respondermos, e sabe porquê? Não temos coragem para olhar para dentro de nós mesmos, não sabemos lidar com nossos conflitos, mágoas, decepções. Preferimos seguir sem pensar se está certo ou errado, achando que o ‘sou assim mesmo’ não pode mudar. Pode sim. É muito cômodo usar essa frase e continuar se machucando como se não houvesse outra forma de viver, às vezes apenas não aprendeu que a vida só depende de nós. Erros e acertos são nossos, se arrepender faz parte, mas não favorece em nada, ao contrário, nem sempre o Universo volta atrás.

Amor-próprio, se autoanalisar e corrigir seus erros são virtudes. Mudar suas expectativas, suas reações diante de cada coisa ruim que te acontece, só fará bem para você mesmo. Aprender que nem tudo é como a gente pensa é o primeiro passo para ser feliz. É preciso entender os outros sem julgamento, cada um tem sua história, e não sabemos tudo do outro, às vezes nem de nós mesmos.

Aprender a se amar e entender que erra, que os outros também erram, que seus pais erram, que o mundo erra e ninguém sabe tudo, mas aprender a se entender, e compreender suas imperfeições, é um passo para começar a entender as imperfeições do outro. Se você não é perfeito, por que o outro tem que ser? Se você não consegue se resolver, por que o outro tem que aprender a se resolver? Todos nós somos imperfeitos, então porque tanta cobrança, tanto julgamento?

Quando se magoa alguém, está magoando a si mesmo, a sua vida. Tenha em mente que a vida é igual para todos, mas cada um tem uma história, e você pode estar ajudando alguém a piorar o que já está ruim. Não seria melhor ser a pessoa que ajuda? Enquanto o mundo tiver apenas pessoas sem união, nada mudará. Um é pouco, mas juntos construiremos um mundo melhor.

Por Maristela Prado

O que você quer ser? Só depende do meio

“Eu sou o início, o fim, e o meio” (Raul Seixas). Esta frase diz algo muito maior do que se possa imaginar, cantamos porque decoramos o refrão, mas não tomamos a dimensão do que significa. Por que o meio está por último? Somos o início e o fim, mas o meio nós é quem fazemos acontecer. Toda a nossa vida depende das nossas atitudes, seja qual for o assunto. Você Quer ser amado, mas não age de forma que a outra pessoa te ame com o respeito, carinho que deseja, e sabe por quê? Você não oferece o mesmo, mas quer receber.

A sua vida profissional também é feita a partir de suas escolhas, como age com as pessoas, e como reage, também quer dizer muito sobre você. Não adianta falar bonito e não fazer o que fala, ou você é ou não é. Como diz o ditado: “Faça o que eu falo, mas não faço o que eu faço”. Por quê? O que se diz não diz nada sobre você, mas o que você faz diz tudo. Há uma singela dissimulação entre a linguagem e o comportamento.

Não raro nos deparamos com pessoas mostrando como devemos viver, como se fosse uma bula ou receita, é só seguir e será feliz. Não, não existe fórmula milagrosa para viver, existe escolha e, no fundo quase ninguém sabe o que quer de verdade. Segue o caminho do gado, mas junto carrega a insegurança, o medo, a decepção, o certo e o errado, e não chega a uma conclusão.

O início é tudo o que se aprende com os exemplos da família e do que se vive, a sua verdade; cada um tem a sua. O fim chega para todos, não sabemos quando nem como será, apenas sabemos que caminhamos para isso. Não pensamos, vamos dormir todos os dias com a certeza de que acordaremos no dia seguinte, mas quem sabe o dia seguinte? São as duas únicas certezas que temos, o início e o fim.

O meio, esse só depende de nós, o que faremos com o que aprendemos no início, seguirá para o bem ou para o mau. Sua vida depende exclusivamente de você, até pode se dar bem fazendo o mal,   mas um dia a conta chega, nem tudo é para sempre, nem o bem, nem o mau. A vida é uma gangorra, um dia está embaixo, no outro está em cima, e assim segue.

Faça sempre a melhor escolha, não só para você, mas também para quem está com você. Ninguém passa a vida sozinho, sempre passarão pessoas, umas ficam, outras se vão, mas passarão por você. Qual a lembrança que quer deixar? A força, a fraqueza, o medo, a coragem, a luz ou o medo de amar? O nada, ou desejo de amar? Assim como diz a música ‘Gita’, de Raul Seixas. Eu escolho a força, a luz e o desejo de amar, já que o amor é que rege a vida, então eu quero ser o amor!