Resenha crítica: Ninguém pode com Nara Leão

A garota tímida nascida em Vitória/ES, em 1942, foi para o Rio de Janeiro com a família quando tinha apenas um ano de idade para morar no bairro de Copacabana. Filha de pai advogado e mãe dona de casa, Nara teve uma criação bem diferente da cultura da época, pois seu pai tinha ideias muito avançadas e criou as filhas, Nara e Danuza Leão, para serem independentes, serem o que escolhessem.

Aos doze anos, Nara foi incentivada pelo pai a fazer aulas de violão, sendo esse seu primeiro contato com a música. De maneira despretensiosa, nascia a cantora Nara Leão. Passou a ter aulas particulares de violão com Roberto Teixeira, ex-integrante do grupo Oito Batutas de Pixinguinha, muito requisitado na época pelos artistas das rádios. Nara se deu tão bem com o instrumento que em duas semanas já sabia tocar alguns chorinhos e maxixes.

O livro mostra a trajetória da carreira da cantora com leveza, contando histórias da época, envolvendo a ditadura, o movimento tropicalista, a Bossa Nova e o samba, no começo de uma geração da música popular brasileira com nomes de peso e inesquecíveis, os quais fizeram história.

 Fala sobre a rixa entre a cantora e Elis Regina, bem como sua amizade com Chico Buarque e Roberto Carlos. São muitas as passagens e nomes da música durante o período da carreira da cantora. Uma época de censura, em que jovens artistas lutaram contra, desafiando a perseguição que existia no mundo da música daquela época. Um livro para quem gosta de música, da Bossa Nova eternizada na voz de Nara Leão e outros grandes artistas lembrados na biografia.

A vida de Nara Leão terminou cedo, mas não sem uma intensa bagagem de conhecimento e superação. De menina tímida e que sofria com tudo vivendo em seu próprio casulo, passou a ser uma mulher corajosa; não tinha meias palavras, falava o que pensava. Destemida, enfrentou críticas na carreira, vários relacionamentos, autoexílio e a doença que a levou à morte precoce, aos 47 anos, com câncer no cérebro.

Foram muitas músicas gravadas, muita história para contar, uma carreira que começou em 1959 e foi interrompida em 1989, trinta anos vividos intensamente, mas marcados para sempre. Será impossível ouvir a Bossa Nova sem lembrar de Nara Leão. Será impossível ler e não admirar a história de um dos maiores nomes que o Brasil já teve.

“Quando digo música popular brasileira, digo música de raiz brasileira. […] A Bossa Nova foi uma evolução enorme que serviu para o nosso movimento de agora, mas espelhou-se na música norte-americana, fugindo das nossas raízes. […] Alguns compositores têm preconceito contra o que é nosso e querem logo pensar em termos de música desenvolvida lá de fora sem procurar evoluir o que realmente temos.”

Nara Leão

“Foi símbolo da reação à ditadura de 1964, sem nunca pretender coisa alguma.”

Paulo Francis

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s