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O passado é o presente

Dizem que não podemos viver do passado, nem pensar no futuro, porque o presente é onde alicerçamos o que desejamos, mas como esquecer o passado se hoje somos fruto dele?

Quando você olha para a história da sua vida, a sua infância, a sua família, o que você sente? Saudade de uma fase feliz, boas recordações, ou mágoa, tristeza, raiva? Todos nós temos boas lembranças, em algum momento ficou marcado no seu coração. Não importa se houve problema, sempre há na vida de qualquer pessoa, não existe a felicidade plena.

Se parar para pensar vai lembrar de algum momento, e verá que muita coisa mudou, mas a sua essência não muda. Ainda existe aquela pessoa dentro de você, senão não seria o que é hoje.

Somos feitos de momentos, tudo passa em um segundo e, se desperdiçar esse único segundo, já terá perdido o que há de mais importante, o tempo. Se fechar os olhos por um minuto que seja e sentir sua respiração, se acalmará e sentirá a paz que vive desejando e não encontra, pois ela está dentro de você, mas não temos tempo de perceber.

Uma criança, quando está brincando, está vivendo aquele momento inteiramente, mas por que quando crescemos perdemos esse foco? Estamos mais preocupados com o futuro do que com o presente, e o futuro ainda não chegou, e se não fizermos nada agora ele nem vai chegar. Por isso tanta frustração.

A nossa criança está sufocada em algum canto da nossa alma, com ansiedade, pânico, depressão, por viver de futuro, sofrer por uma situação que nem existe ainda. Isso mata. E o passado, onde está? Na sua memória, na sua saudade, no seu arrependimento, no esquecimento das coisas boas.

Se o meu passado me fez assim, por que devo esquecer? Se meu passado me sufoca por que não mudo agora? Se meu passado me traz boas lembranças, por que não vivo mais como antes? O que mudou?

Minhas experiências, as pessoas que conheci, os trabalhos que fiz sem querer, as dificuldades que enfrentei, as situações que não esperei, as expectativas que criei e acreditei, mas não existiam.

Cada pessoa carrega consigo sentimentos que não sabemos, atrás de um sorriso há muitos mistérios, desejos e sofrimentos que não sabemos. Por isso não julgue ou condene sem saber daquela história, conhecemos as pessoas por fora, por dentro “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Dom de iludir/Caetano Veloso).

Antes de condenar pare e pense. E se fosse comigo, eu aceitaria? Empatia.

A conclusão é que só nos sentimos felizes quando lembramos do passado que não demos a importância que tinha, só porque era o presente. Se soubéssemos disso antes teríamos lapidado o futuro, e quem sabe viveríamos a felicidade plena.

Como ser mulher nessa sociedade machista

Estamos esperando que a humanidade mude sua mentalidade conservadora, de um passado que não tem mais como viver, em relação às mulheres. Mas nem mesmo no segundo milênio as coisas mudam.

Ficou no passado distante que mulher não podia trabalhar, tinha que cuidar da família, cozinhar e servir ao marido, que já naquele tempo, o homem tinha total liberdade para tudo, principalmente tratar a mulher como empregada. Isso acabou faz tempo, mas parece que os jovens de hoje querem viver como velhos.

Acredito que a maioria deve ter ouvido falar ou lido uma notícia de um jovem empresário, desfazendo de uma mulher ser CEO numa empresa. “Deus me livre uma mulher CEO”. Não temos capacidade só para isso, somos muito mais. No momento de assumir cargos não pode, mas se usar determinada roupa é vagabunda, se engorda é relaxada, se não casa é solteirona, infinitas coisas falam sobre mulher, mas não sabem o que é ser mulher.

Cada vez mais temos medo de sair, a falta de respeito, a maneira como enxergam, é como se fôssemos um objeto de brinquedo, é nas ruas, no trabalho, em qualquer lugar. A mulher conquistou seu lugar de cidadã, mas não aceitam, e cada vez mais cresce esse ódio, essa intolerância, esse desrespeito.

As mulheres lutam dia após dia pela sua liberdade, pelo respeito que merecemos ter. A mulher tem outra visão de mundo, enxerga os problemas com mais sensibilidade, provisionando à frente o que pode ser feito. Mulher é forte, sabe se virar sozinha, nunca foi o sexo frágil, tem que lidar com muitas adversidades no corpo. Mas é frescura. Uma frescura que ovula todo mês e sangra, e no final, quando para, também gera problemas.

Nós não temos capacidade, realmente não temos, para lidar com homens tão imaturos e desorientados que sequer se dão conta de que precisam de uma mulher para nascer. Não queremos competir, mas se nos formarmos na mesma sala, na mesma faculdade, aprendermos a mesma profissão, qual o motivo das diferenças? Não queremos ser apenas mães, queremos ser mulheres, e respeitadas.

Reflexos do descontrole

Homem não chora! Que fala mais machista, que sempre existiu, mas nunca repreenderam essa atitude. De tanto ouvirem isso, cresceram como? Machistas, rudes e agressivos, e se homem não chora, obviamente não tem sentimento. Como não? Antes de definir o gênero, é um ser humano.

Alguns pais chegam a bater na criança, reprimem o sentimento sem sequer saber o que isso significa para a saúde mental, mesmo porque também não têm saúde mental, afinal aprenderam assim, e esse comportamento passou de geração a geração. Alguém tem que parar.

Por qual motivo o homem não poderia chorar ou ter qualquer outro sentimento? É feio ou porque enquanto gênero é superior, e só mulher chora? Cansei de ouvir isso. Crescem tão vaidosos na condição de se acharem melhor, que alguns tornam-se agressores de todo tipo, como o que vimos acontecer no domingo passado no debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, foi lamentável.

O descontrole emocional já é um problema sério na sociedade mundial, não existe mais diálogo, uma conversa civilizada. As defesas para abusadores sempre são as mesmas. ‘Está passando por problemas psicológicos’. Uma saída velha para quem não tem moral, e no caso dos dois candidatos à Prefeitura da maior metrópole do país não tem vítima, um cometeu agressão física e o outro agressão moral. São Paulo não precisa disso.

Estamos sendo marcados por uma situação de tamanha agressividade masculina que e sendo testemunhas de uma verdadeira selvageria em todos os cantos. Não existe mais diálogo, agora é pancadaria, berros, violência física, fora a violência moral e palavras de baixo calão. Perdeu-se a totalmente a vergonha, principalmente a da cara. As campanhas às eleições municipais estão sendo um verdadeiro show de horrores.

A briga pelo poder passou dos limites, estamos cansados de ver maldade e agressão, precisamos de quem tenha capacidade moral e psicológica para isso, e, principalmente, com educação e respeito. Se os governantes não derem exemplo, não haverá o que se possa fazer pelas crianças, pois diz o ditado, e é verdade, o exemplo vem de cima, sempre.

Os meninos de hoje serão os homens de amanhã, se você não quer um mundo pior do que já temos, cuide da educação dos seus filhos. Se cada um fizer a sua parte teremos uma nação mais educada e civilizada.

A vida é uma história

Quantas histórias nós temos para contar? A partir do nascimento, tudo o que acontece é história, como dizia a música do Lulu Santos. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará”. Momentos são guardados na memória, passam rápido, mas nunca mais serão iguais, mesmo que queira reproduzir, mas a época é outra, o lugar, as pessoas, o comportamento, a atmosfera. Passa, mas vira história.

Tudo o que vivemos agora será parte da nossa história, um dia lembraremos com saudade, com o mesmo sentimento que tivemos, mas o tempo já é outro. Uma criança de cinco anos já tem história, pequena, mas tem. Quanta evolução desde o nascimento, quanto aprendizado, até acha graça dos acontecimentos daquele bebê que já cresceu, e ainda tem muitas páginas em branco para escrever.

E nós, adultos, quantas histórias já passaram, e quantas continuam por vir. Na próxima década, vou lembrar desse momento de introspecção em que estou agora e que me deu vontade de escrever sobre nossos momentos na vida. Essa crônica nasceu de uma reflexão de como a gente não se dá conta de que tudo o que acontece, seja agora, amanhã, semana que vem, será guardado na nossa história. Fez parte da nossa vida.

Não são apenas bons momentos, é uma pena, mas tudo o que acontece teve que acontecer, e em muitos casos foi assim que aprendeu, amadureceu, cresceu e entendeu a sua vida. Marcas também ficam. As pessoas vão e vêm, entram e saem das nossas vidas, mas deixam suas marcas.

Por isso aprendi que precisamos aproveitar todos os momentos que nos são oferecidos, os bons amigos, a família da qual você veio, a família que construiu, o trabalho, as oportunidades; nunca diga não, às vezes é a única que terá, diga que ama, abrace, beije, se divirta, trabalhe, estude, mas jamais deixe de aprender e reconhecer que comete erros, mas também acerta, e que está tudo bem.

Dessa vida não se leva nada, mas deixa recordações e sua essência. Trabalhe para deixar seu melhor, o que está fazendo agora vai ser sua história amanhã. Então, é melhor ter uma lista de boas lembranças do que não fazer falta.

 A TV que não entretém

Liguem os seus aparelhos de TV, é hora de entretenimento.  O que você acessa que pode ser chamado de entretenimento? Programas de humor, geralmente acabam por humilhar alguém. Novelas, sempre tem um ou mais personagens que passam os seis, sete meses no ar armando contra alguém, parece que vivem para isso. Reality show, o nome, norte-americano, até que é bonito, mas entreter o quê? Gente brigando, falando mal do outro, choro, bebedeira. Definitivamente, não é entretenimento.

O que vale a pena mesmo é programa de entrevista; e tem ótimos programas, e canais de streaming com filmes, séries, documentários, musicais que realmente te desligam do cotidiano violento que vivemos.

Essa semana, pós morte de Sílvio Santos, muitas matérias foram feitas a respeito do homem do entretenimento aos domingos. Realmente, ele foi o único animador de plateia, comunicador, apresentador de TV, que fez da televisão, não só aos domingos, mas todos os dias, com sua programação única, a alegria de milhões de brasileiros.

As novelas Carrossel e Chiquititas, as quais fizeram uma geração cantar, dançar, vestir as roupas das meninas, uma febre dos anos 90, mas inesquecível. A série do “Chaves”, passou durante muitos anos, ficaram famosos no Brasil por causa do SBT e programas como do Gugu e Eliana seguiram na mesma linha.

Sílvio Santos foi um idealizador da TV da família, aquela de reunir todos aos domingos, um dia em que não se tem nada pra fazer, e ele entendeu como poderia promover essa união. O conjunto “Titãs” falou sobre a importância dele no começo da carreira do grupo, o espaço que o programa deu a eles com participações em vários quadros. Até compuseram uma música chamada “Domingo” inspirada no programa Sílvio Santos, e na letra mencionam o seu nome e falam sobre o que é o domingo.

Para você que está lendo não sei, mas eu gostaria de ligar a TV e poder relaxar de verdade com programas mais leves. Não quero ver assassinos tendo ibope em quase todos os canais, não quero ver novelas que só propagam a maldade, as armações, o poder e o dinheiro, não quero assistir jornal e saber só de coisas ruins, não quero saber só de doenças, quero saber de saúde e curas; não tem nada de bom acontecendo?

Então por que quando saímos não vemos esse mundo sujo que os noticiários insistem em mostrar? Acontecem as coisas? Sim, acontecem, mas também tem coisa boa por aí e gente boa também, a maldade dá audiência e aumenta o medo.

Precisamos sorrir mais, rir até doer a barriga, passar a hora colocando a cabeça para pensar assistindo um bom filme, aprender com uma boa entrevista, ver gente bonita, assistir gente conversando de coisas boas, assistir um musical, e lembrar que amanhã tem mais vida, tem mais um dia para viver e ser feliz.

A língua portuguesa do Brasil mais americanizada

Quando nos deparamos ou somos chamados para uma vaga de emprego, uma das principais exigências é inglês fluente. Alguém já te perguntou se você domina sua língua? Claro que não, o importante é saber falar inglês, escrever na língua inglesa e usar termos em inglês o tempo todo, até mesmo para decifrar o que significa aquela vaga. Está cada vez mais difícil compreender as expressões usadas nas ofertas de vagas de emprego.

Você pode ter todos os atributos para aquela vaga, inclusive experiência, escrita em português impecável, saber interpretar um texto; difícil para os dias de hoje, gramática, pontuação, responsabilidade, mas se não tiver inglês fluente, bye bye. O importante é arrumar um job no qual você possa mostrar seu know-how em leads. Ter um mailing e ser multitasking e ter um bom network

Durante as olimpíadas, a ginasta Rebeca Andrade foi indagada se falava em inglês, e ela, muito educada e sensata que é, respondeu que sim, mas não fluentemente. Se sente mais à vontade em falar em português, porque é brasileira. Achei sensacional sua resposta, de fato temos o dever de prestigiar e falar muito bem a nossa língua. Do que vale ser fluente em inglês e escrever ou falar errado a própria língua? Com quantos sites de notícias nos deparamos todos os dias com erros grotescos que passam batido, talvez um ou outro seja fluente no inglês, mas precisa escrever em português.

O brasileiro é o povo mais americano que existe, valoriza não só a língua, mas tudo que vem de lá, e desfaz do seu próprio país. Precisamos saber outras línguas? Sim, é importante, mas não precisamos americanizar tudo, podemos usar o nosso vocabulário, que é tão rico, com palavras formais ou informais que têm o mesmo significado.

Como digo no segundo parágrafo: ‘O importante é arrumar um emprego onde você possa mostrar seu conhecimento em descobrir clientes em potencial. Ter capacidade de executar sua função com uma boa rede.’ Ok?

Simplesmente falar em português, você entende, todo mundo entende.

O feminicídio tratado com arrogância

Hoje não pretendia voltar ao tema ‘violência contra a mulher’, mas me vi obrigada porque algumas situações são inadmissíveis e exigem posicionamento. No fim de semana presenciei a atitude de dois indivíduos, um tanto duvidosos, em um local público. O lugar estava cheio, principalmente de casais, quando, para a infelicidade de todos, esses dois entraram e, apenas bebendo, falavam alto e com arrogância, para que todos pudessem ouvir, sobre crimes contra a mulher, qualquer mulher, incluindo a de um deles.

Não vou contar os detalhes sórdidos dessa triste cena que presenciei, mesmo porque parecia uma cena ensaiada, com a intenção de provocar. Ninguém se manifestou, ninguém ali estava com a mesma intenção deles, apenas um momento de descontração, mas não foi o que aconteceu. Hoje venho pedir uma reflexão não apenas pelo comportamento do ser humano, mas, principalmente, pela índole provocativa, pelo chamado à confusão, pelo propósito simplesmente de incomodar com propostas graves, mas que aos olhos de um ser nitidamente sem nada de melhor a oferecer, chama atenção pelas próprias insanidades e maledicências, como se fosse um troféu.

Nossa sociedade vive em constante tensão nos abusos contra a mulher, por mais que se fale no assunto, parece que querem aparecer mais e mais, como se isso fosse um direito do homem para ganhar o título de poderoso. Isso não existe, definitivamente estamos em outro patamar, onde o machismo não cabe mais, muito menos o feminicídio falado abertamente em alto tom para quem quiser ouvir, e sem represálias, como de fato aconteceu.

Certamente o fim está mais próximo do que imaginamos, estamos num momento de absurdos, pessoas atropelando outras pessoas sem dó, carros sendo jogados para cima de propósito – com a intenção de matar, tiros por puro ‘nervosismo’, a palavra é bem outra. E agora matar é motivo de orgulho, e todos têm que saber disso, gera medo.

Segundo o portal do G1, em reportagem publicada em 3/7/2024,” 0 Brasil registrou 1.463 casos de mulheres que foram vítimas de feminicídio no ano passado — ou seja, cerca de 1 caso a cada 6 horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.” É inadmissível que ainda haja homens tão inescrupulosos que falem em alto e bom tom sobre matar uma mulher. Não existe nada que justifique matar alguém, muito menos se orgulhar disso. Pior do que falar é afirmar que faz e que essa é a maneira de punir uma mulher.

Até quando teremos que conviver com isso? Estamos no segundo milênio, no século XXI, já se passaram vinte e quatro anos do início, tudo mudou. As mulheres hoje contam com leis a seu favor, não existe mais inocente, não existe mais o medo e a vergonha de falar sobre o que acontece dentro de casa. Se existe homem que ainda acha que tem que matar a mulher, então também existe lei que leva pra cadeia homem assassino.

Não podemos mais admitir isso, mulher é um ser humano, trabalha, estuda, vive. Espero ainda ver mais amor do que ódio, mais respeito, mais educação. Sim, isso também é educação; incomodar é falta de educação, mas se vangloriar de matar, isso é o fim.

Adultização infantil

Já faz algum tempo que não estão tratam mais a criança como criança. Essa é a fase mais importante da vida, é onde começa a se formar o caráter de uma pessoa, é onde começam os primeiros ensinamentos da vida que moldarão a todos para a idade adulta. O que fazer para não inserir a criança no mundo adulto?

Primeiro é necessário que os pais ou o responsável pela criança tenha a noção de que a criança ainda está em processo de conhecimento e, para falar com ela, deve existir a preocupação de usar palavras e formas que a criança compreenda, de acordo com a idade. Não se fala com criança como se fala com um adulto, não é legal deixar a criança participar de assuntos que não é do mundo dela – nem tudo precisa saber, esse cuidado é muito importante.

O que tem acontecido no mundo atual é a exposição desacerbada diante da internet, principalmente em vídeos como Tik-Tok e Reels, com crianças fazendo dancinhas sensuais, falando como adultos. Algumas até viram influencers, ganhando curtidas e, não raro, com contratos com emissoras de televisão e patrocinadores, os quais os pais é quem gerem o negócio. Ou seja, não deixa de ser um trabalho infantil, pois tem obrigações com conteúdo para garantir o patrocínio. O excesso de telas certamente é o maior problema e causador do acesso, e, pior ainda, a influência que vídeos que circulam pela internet têm sobre as crianças, tornando-as ansiosas por quererem ser aquela pessoa da tela.

Naturalmente que sabemos que as crianças têm vida escolar regular e outras atividades, afinal os pais sabem (ou deveriam saber) bem das obrigações legais que se tem com um filho menor de idade. Tudo bem que a gente se derrete quando vê o filho fazer alguma coisa muito legal e quer divulgar, não acho de todo errado, mas tem que existir limite entre o mundo real e a fantasia. A criança não tem essa dimensão, essa é uma obrigação dos pais, que normalmente incentivam a exposição ou fazem vistas grossas às brincadeiras que os pequenos expõem nas redes sociais. A brincadeira é o meio de aprendizado da criança, se não tiver essa fase ficará cansada e desmotivada.

Os meninos também têm sua figura exposta, principalmente como influencer de jogos e também dancinhas na internet, se comportando como um mini adolescente. Entre os dois gêneros existe a vestimenta e aparência exacerbada pelo corpo, cabelo e roupas. As meninas ainda mais, maquiagem, acessórios e, inclusive, comportamento de mocinha, no andar e gestos. A criança torna-se vulnerável a informações e situações com as quais não sabe lidar.

 Certamente o mundo mudou muito nos últimos anos, mas a infância é curta, mas não por isso sem importância. É justamente por esse motivo que se deve dar mais atenção, aproveitar essa fase, que passa tão rápido, e fazer da vida das crianças um mundo muito feliz e repleto de brincadeiras, porque a vida adulta é longa e não tem brincadeira, quem brinca se dá mal.

Essa adultização causará muitos danos no futuro da criança, como lhe foi roubado o direito de ser criança, pode se tornar um adulto infantilizado, frustrado e vazio, despreparado para a vida adulta de verdade, afinal viveu essa fase fora da sua realidade cronológica de forma florida e fácil, mas que na verdade isso poderá lhe causar sérios problemas.

Se a criança pular essa fase vai dar um salto tão alto que lá na frente não saberá nem como chegou, e aí o mundo real vai apresentar situações que a brincadeira de criança pode se tornar um pesadelo, e isso não tem volta.  

De repente 60. E agora?

De repente 60. Seis décadas já se passaram, seis fases da vida foram cumpridas com sucesso – sucesso aqui é vida, não importa o porém, você sobreviveu. Quantas coisas passaram pela sua vida, quantas pessoas conheceu, umas ficaram, outras foram de passagem, outras se foram para nunca mais.

Nossas lembranças não esquecem jamais, é bom lembrar das coisas boas, não viver do passado, mas olhar para trás e ver quanta coisa já fez e aprendeu, e ainda não sabe tudo, e nem saberá. Quantas alegrias e tristezas, desafios, acertos e, principalmente, se orgulhar de quem você é. Isso é o principal de tudo na vida, olhar o seu caminho e saber que, apesar dos erros, tudo faz parte para chegar ao acerto, foram vencidas todas as etapas, e você está aqui para contar.

Esta semana completei minhas seis décadas, está só começando, mas estou feliz em chegar nessa fase, e lembrar de tudo o que aconteceu nesses sessenta anos de muita história para contar, das quais me orgulho muito. No entanto, quis colocar minha reflexão no papel, e assim colocar para refletir quem também já chegou, está chegando e ainda vai chegar.

Talvez tenha quem se assuste com a idade, mas é apenas um número, não é uma sentença, e quem faz esse número ser um peso é você. Quem disse que é tarde para se realizar um sonho, que agora é contagem regressiva, que você está velho, não sabe o que é viver intensamente.

Sonhos, quando a gente deixa de ter, é porque você está no seu fim; contagem regressiva a gente faz desde que nasceu – ninguém sabe o dia de amanhã, lembra da crônica do dia 11 de julho? Velho, só se quiser, só se sua cabeça envelhecer, se o tempo te fizer achar que não serve mais. Enquanto há vida soprando, cabeça boa e alegria de viver, haverá vida.

 Nesta fase já não temos mais o tal colágeno e nem o corpo de antes, mas carregamos experiências que naqueles anos nem sabíamos o que viria pela frente. Hoje, embora o viço da juventude já tenha ido, continuamos jovens pelo viço da sabedoria, da sensatez de saber quando falar e quando se calar, dar valor ao que realmente merece ter valor, fazer apenas o que quer, e se quiser. Ter consciência de quem você é, e não se importar com o que os outros vão falar. Enquanto falam sua vida continua indo muito bem, e assim não perde tempo em se preocupar com coisas pequenas.

Um dia fomos criança, jovens, adultos e agora, da melhor idade. Quanta coisa passou, quanto aprendemos, saímos de situações difíceis, mas agora vamos descobrir o que a melhor idade tem a nos ensinar. Deve ser melhor, porque já passamos no vestibular da vida, e agora, com calma, vamos entendendo tudo o que passou sem pressa. Vivendo, trabalhando, curtindo a vida e a família e sendo chatos, não dizem que idoso é chato?  Só fica chato quem chega até aqui, então bora viver mais algumas décadas? Mais sessenta vai ser difícil, mas ainda tem um tempo.

O que será do amanhã?  

Quantas vezes você deixou para fazer alguma coisa amanhã? Muitas, sem dúvida. E quantas vezes parou para pensar que o amanhã pode não chegar? Bem provável que nenhuma.

Vivemos tão certos de que estaremos aqui para sempre que não nos damos conta de que estamos apenas numa viagem, que um dia chegará ao fim, e pode ser amanhã, que você deixou para ir a algum lugar, visitar alguém que você ama e dizer eu te amo.

Não defendo que devemos viver extremamente preocupados com isso, senão seria horrível viver esperando o dia chegar, mas devemos dar mais atenção às pequenas coisas, que não são tão pequenas assim. Dar atenção a alguém, ou fazer aquilo que está esperando por tanto tempo, pode ser mais importante do que adiar um dia. E quantas coisas fazemos em um dia! Embora não pareça, nenhum dia acaba sem termos feito nada.

A rotina e as inúmeras questões que acontecem todos os dias nos levam a uma vida pesada e maçante. No trabalho quase não se vê mais uma pessoa procurar outro emprego, porque quer apenas mudar para um salário melhor ou um lugar diferente. Não raro, saem doentes da mente por excessiva exaustão, pelos inúmeros assédios sofridos, que acabam com as relações, não só no trabalho, mas também na família. É tanta a exaustão que não encontramos tempo e nem vontade de estarmos com as pessoas que realmente valem a pena em nossa vida. E desta forma deixamos para amanhã.

Também existe a incessante busca pelo material, pela beleza, para agradar e estar inserido nesta loucura que se tornou a vida. Acaba em frustração, em desânimo, doença. E essas buscas também são responsáveis por nos afastar do que realmente importa. Sorrir, sentir-se feliz em estar com quem se gosta, se sentar no chão sem se preocupar com o que vão falar, brincar com seu filho, dançar, cantar, pé na areia, contemplar o sol.

O amanhã pode não chegar ou não te dar a chance de fazer o que deixou para trás, e amanhã poderá estar doente, cansado, desanimado ou sem tempo. Amanhã pode chover, o mundo pode acabar, você pode morrer, pode não acordar. Faça da sua vida o melhor que puder, mas jamais esqueça o que realmente te faz feliz. Cada dia que passa é um dia a menos, então aproveite sua vida da melhor maneira, não se preocupe com coisas, se preocupe com as pessoas que valem a pena. Não deixe para amanhã, o momento é agora.