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A autora Maristela Prado, formada em Letras, revisora de textos, biógrafa, crítica literária, casada, dois filhos adultos. Meu sonho era ser jornalista mas o destino mudou meus planos e, para não ficar longe da escrita, fui cursar a Faculdade de Letras. Mas a vida me trouxe um marido jornalista e hoje também uma filha jornalista. Para mim a escrita sempre foi a maneira mais marcante da comunicação, é através dela que conseguimos transmitir mensagens capazes de eternizar um fato ou sentimento. As letras me fascinam.

Qual momento gostaria de reviver?

O que você faria se pudesse reviver um momento? É difícil escolher porque não temos um único momento feliz, pois em cada fase da vida existe algo que gostaríamos de viver novamente. A saudade ou as pessoas que convivemos e partiram, ou até mesmo quem você já foi um dia, e o tempo transformou.

Da infância, sentimos saudades dos momentos em casa, das brincadeiras, dos amigos, da vida gostosa que é ser criança, e passa tão rápido. Aliás, é a fase mais curta da vida. Infelizmente nem todas as pessoas têm boas lembranças, mas alguma coisa sempre tem.

A adolescência marca a transição mais complicada e dolorosa, nem adulto e nem criança, é uma enorme confusão na cabeça, sentimentos e incertezas, mas na qual, de certa forma, já começam os planos e a responsabilidade de se preocupar com o futuro, coisa que na infância não existe.

Ser adulto não é fácil, mas tem lá suas alegrias e conquistas, amadurecemos e começamos a nos desinteressar pelas ilusões da vida. É um caminho de muita responsabilidade, fase na qual nos vemos soltos e em que todas nossas escolhas darão o sentido do que fazemos. Se errar terá que enfrentar as consequências, mas assim é que aprendemos o que não se deve fazer, é assim que amadurecemos e podemos dar exemplos e conselhos aos mais novos. A vida é uma roda gigante, às vezes estamos em cima e outras, embaixo, e assim segue.

Nesses altos e baixos temos as alegrias e desilusões, mas em qual momento surgem as lembranças que gostaríamos de reviver? Sempre aquela que te faz lembrar quem você foi, o que vivia e os sentimentos que te guiavam, porque mesmo que seja jovem, já houve um momento em sua vida em que você não era quem é hoje, e isso nos dá saudade, isso nos leva para um passado que nem mesmo nos lembramos em que momento aquela pessoa ficou pra trás.

Por isso é importante resgatar numa brincadeira, num momento descontraído ou quando se der o direito de não fazer nada e trazer a criança que ainda habita em você para agora; nem que por alguns minutos, é necessário para não pirar. Louco todos somos um pouco, mas não precisa piorar.

Então me conta, em qual momento você gostaria de reviver sua vida? Aproveitando a loucura atual, vamos relaxar e, por alguns instantes, esquecer esse agora pesado e lembrar de coisas boas que nos dão aquela saudade gostosa, aquele momento que até o cheiro você consegue sentir. Vamos, relaxa, aproveita a emoção do Natal e lembre quem você era, talvez queira voltar essa pessoa perdida para agora, e não seria má ideia.

Pause sua vida por um instante

Pause por um instante. Eu sei que tem muita gente que não para pra ler por falta de tempo; por que não tem tempo pra ler? Não se perde tempo, se ganha tempo. Perder tempo é não viver os bons momentos da vida, não ouvir quem te procura, não dar o seu tempo para um filho mostrar o que aprendeu a fazer, não dar carinho, não dar amor.

O tempo não para, quem deve parar é você, e se não parar, aquele momento não voltará mais. Então vamos deixar de priorizar o excesso e dar importância à vida de verdade, àquilo que realmente importa e faz bem para sua saúde física e mental.

A exaustão diária nos faz pensar que não temos tempo, mas na verdade repetimos as mesmas coisas todos os dias, reclamamos das mesmas coisas, nos incomodamos com o acúmulo de responsabilidades, mas não mudamos nada para melhorar.

Nosso corpo avisa quando precisamos parar, é a maneira mais fácil de alinhar mente, corpo e espírito. Quando sentir confusão mental e não souber o que fazer, pause. Se sentir que sua vida precisa de mudanças, pause. Se precisa tomar uma decisão, pause.

Só nós sabemos os nossos sentimentos, e ele mora no coração, é ele que nos chama verdadeiramente para aquilo que desejamos. Isso não é uma metáfora, é a realidade. A rotina caótica que vivemos não nos deixa parar, e isso causa exaustão, principalmente mental, a mais difícil de relaxar, pois é preciso muita disciplina e vontade de parar. Pensar em nós mesmos deveria ser um hábito, não é egoísmo, é amor-próprio, cuidado consigo mesmo.

É difícil chegar nisso? Sim, é difícil porque levamos a vida no automático e ultrapassando nossos limites, não vivemos o hoje, vivemos o amanhã, mas o amanhã pode não chegar. A saúde não espera e nem da pause, ela te atropela e aquele instante que você não parou vai parar você.

Devemos entender que pausar é necessário. Faça o que gosta, exercite seu corpo, coma com cautela, ouça música, se conecte com a natureza, ande descalço, leia um livro. Se dê esse tempo, não exija de você mais do que você pode. Faça o seu melhor, mas nunca se esqueça, você é a pessoa mais importante. Do que adianta não pausar por um instante se sua vida pode acabar em um instante também. Pense nisso.

Se você fosse você

(Inspirado na crônica “Se eu fosse eu” de Clarice Lispector).

“Se eu fosse eu” (Clarice Lispector). E ela diz: “Parece representar o nosso pior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.” Se de fato fôssemos nossa verdadeira versão, certamente não seríamos aceitos. Imagine sair por aí falando tudo o que pensa? “O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa tudo o que diz” (Aristóteles).

As pessoas não aceitariam nossa versão, somos todos marionetes de uma sociedade moldada para justamente sermos aceitos. Mas então somos todos falsos e frustrados com nossas próprias vidas falsas? Talvez sim, talvez não, mas que não somos nós mesmos, ah! isso não somos.

Quando no trabalho tem que se engolir sapos bem atravessados já estamos contra a nossa verdadeira versão, nem tudo o que se pensa pode ser falado, então vamos engolir sapos. Nas relações – em todas as relações humanas –, temos pessoas das quais não gostamos, mas temos que conviver; não precisa ser necessariamente falso, bajular, no entanto, precisamos estar, apenas.

Há quem não tenha filtros, mas arruma confusão em todo canto. Ser muito sincero também não dá, temos que pensar antes de falar, quem fala demais e conta muita vantagem é arrogante. Afinal, as palavras às vezes ferem muito mais do que uma atitude, por isso é necessário pensar em tudo que se diz.

Se você fosse você qual seria o impacto que causaria em quem acha que te conhece? Até porque as pessoas conhecem o que deixamos que conheçam sobre nós, mas jamais esse conhecimento se torna tão profundo ‘às relações superficiais que temos com pessoas’.

Ainda tem quem siga os influencers, e quanta má influência tem por aí. Também não está sendo você, só que aí é cópia, é querer ser igual, quase uma inveja, sai totalmente da sua verdadeira essência, e nunca será igual, não existe essa possibilidade porque somos seres únicos, não dá para ser clone, isso é ilusão, ingenuidade, fantasia.

Você pode sim seguir o exemplo de outra pessoa em situações que vão te ajudar a crescer, a amadurecer e se tornar alguém digno de exemplo, não de inveja. Aprender com outra pessoa que te dê bons exemplos é muito válido, mas para isso é necessário o discernimento, para não cair em arapucas.

Portanto, ser nós mesmos sempre não é possível, e não porque vestimos personagens, mas porque não temos o direito de sair humilhando os outros ou de fazer o que bem entendemos. Há regras na vida, há leis a serem seguidas. Imagina se cada um saísse por aí fazendo o que bem entendesse! Antes de falar ou agir como quiser, pense: se você fosse você o que faria naquela situação? Faria para você o que faria para o outro?



 

Só a mãe natureza pode mudar

Qual a melhor maneira de se viver em paz?  Não dar confiança para o que os outros falam sobre você e não revidar, já é uma grande evolução; palavrinha difícil de ser engolida por pessoas rasas. Então para que perder seu tempo em querer provar quem você é com quem só enxerga a aparência? Já que por dentro não entende nada, e se entende, dói.   

Com tanta coisa ruim acontecendo no mundo, e ainda temos que enfrentar os leões do dia  a dia, como numa selva, no próprio teor da palavra. As coisas não andam nada bem, devemos encontrar a melhor maneira de continuar nossa vida sem entrar em confusões ou se distanciar delas, estar atentos àquilo que nos faz bem e nos eleva, tanto espiritualmente quanto como pessoa.

As notícias são as piores, está difícil saber de algo bom, não que não aconteça, mas não mostram. Desta forma, as mentes tornam-se massivas na negatividade, no medo, e quanto mais negativo, mais tragédias e maldades continuam a acontecer. A vibração do ser humano é que não colabora para a evolução do planeta, a raiva e o ódio que surgem a cada dia estão tornando a Terra um lugar sombrio, onde quase ninguém mais consegue enxergar o bem. Eu disse quase por que ainda existe, sim, gente do bem, gente querendo um mundo melhor, mas não basta querer, tem que começar a mudar.

E como começa? Fazendo o bem a quem precisa, não desclassificar o outro por raça, cor, credo ou orientação sexual. A cada maldade recebida, perdoe, e isso não significa que precise se reaproximar de quem te fez o mal, mas para ter paz no seu coração e nenhum sentimento ruim. Ninguém é obrigado a conviver com quem não te respeita ou te feriu, apenas afaste-se.

Já é momento de começarem as redenções ou será que ainda existe alguém que acredite que estamos sozinhos neste planeta? A revolta da natureza já é uma resposta disso. Não, não estamos sós, todas as tragédias são respostas ao desumano. Não seja tolo de achar que pode tudo, o mundo está sendo tragado e limpo, e não é por nenhum espertinho. Agora a mãe natureza é quem vai resolver tudo do jeito dela.

O abuso contra a mulher não para

Não tem jeito, eu tento não falar sempre, mas a situação de abuso contra a mulher não deixa de existir. Esta semana vimos que não tem posição social, a violência doméstica existe em todo lugar, seja o abuso qual for. Prova disso foi a apresentadora Ana Hickman, famosa, inteligente, bonita e bem-sucedida. Talvez a última alternativa tenha sido o maior motivo, independentemente do motivo da briga. Os machistas não gostam e não aceitam mulher bem-sucedida, independente e dona da sua vida. É onde começa primeiro o abuso psicológico, em seguida o físico. A raiva.

É possível identificar os sinais, mas na maioria das vezes é ignorado, identificado como nervosinho, ciumento, é jeito dele; mas não é. Um dia a violência se torna insustentável, e a mulher passa a ouvir frases destrutivas de autoestima, inviabilizando sua inteligência, chantagem emocional, controle financeiro, invasão de privacidade ou, ainda, atitudes que dificultam o seu direito de ir e vir, sua autonomia e  liberdade. Não é normal. A violência física, nem precisa falar, é inadmissível.

Tem muitas mulheres que se submetem a esse relacionamento por uma vida inteira sem perceber que é um abuso, ou por apego emocional, medo ou por condição financeira, sem condições de autossustento, e vive assim uma relação de medo.

Não é o caso de Ana Hickman, mas é o caso de muitas mulheres que dependem de um homem violento, tóxico e que faz com que se sintam seguras com eles apenas por uma casa, e às vezes uma vida confortável, outras apenas pelo medo mesmo.

Mulher nenhuma deve aceitar uma relação dessas, por nada. Qualquer relacionamento tóxico deve ser desfeito antes mesmo de que fatos assim aconteçam.  Uma pessoa que te ridiculariza na frente dos outros, fala ‘na brincadeira’ coisas que te ferem, menospreza seu talento, mexe diretamente na sua fraqueza, não merece seu respeito, porque respeito é mútuo, e se não for não existe relação. Um homem que não respeita a mulher, não respeita a própria mãe que lhe trouxe ao mundo.

Por isso, você mulher, que sofre uma relação abusiva, pense em você em primeiro lugar, procure ajuda, não sofra sozinha, denuncie e procure seus direitos. Sua vida vale muito mais do que viver ao lado de alguém apenas por migalhas. Para que viver assim, se pode lhe servir um banquete?

Estamos próximos do fim?

Faz sol, faz frio, chove, faz um calor de 40° insuportável para o que estamos habituados e, de repente cai para 12°. O que está acontecendo com o mundo? O que está acontecendo com a natureza? Há quanto tempo está se mexendo com a natureza? As queimadas para desmatar a terra, dando lugar para o agronegócio, e para práticas ilegais, como a extração de madeira e garimpos. O homem estragou tudo, por dinheiro.

Sempre o dinheiro, a maior devastação que poderia ter acontecido. Teria sido tudo muito mais fácil se não houvesse esse culto pelo poder e pelo ter. Já sabemos que não vamos virar semente aqui, a passagem é curta, mas tem que ser muito bem aproveitada, daqui não se leva nada, apenas a sabedoria ou a ignorância.

A prepotência, arrogância e os mimimis que cansamos de ouvir e ver simplesmente não servem para nada. No momento dos desastres naturais não tem privilegiados, pode inundar a casa do pobre, mas também pode devastar a mansão na costa mais alta; para a natureza não tem limites. Então, porque achar que o dinheiro ou posição fazem toda a diferença, se na hora H somos todos iguais?

As geleiras estão derretendo mais rápido do que deveria, os terremotos estão aparecendo em outros países, assim como furacões e ciclones, que agora o brasileiro também está conhecendo, o Sul e Sudeste do país viram de perto o que é isso. Não temos mais as quatro estações, estamos num barco sem segurança e não sabemos para onde estamos indo.

 A guerra não está apenas na Rússia e Ucrânia, e agora em Israel, está em todo o mundo, cada um com sua guerra particular, suas incapacidades de resolver os problemas que as sociedades arrumaram, mas agora não conseguem mudar. Por quê? O básico da educação mudou, hoje temos crianças e jovens que decidem o que querem e como querem, sabem tudo, muito mais do que pai, mãe, professor. Os adultos também mudaram, falam o que pensam sem sequer preocuparem-se com o outro, simplesmente falam. Competem, invejam e desfazem. É, o dinheiro vale mais do que amor.

O mundo está chegando ao fim? Estava tudo previsto, mas não fazíamos ideia que seria assim, com tantas catástrofes, uns matando os outros, filhos matando pais, e pais matando os filhos. Depressão, ansiedade, maldade, ódio. Será que esse fim terá pedidos de redenção? O que será de tudo isso se o Homem não mudar? Se o preconceito não acabar? Se a violência continuar? Seremos engolidos pelas águas, pelo vento, pelo sol escaldante? Tudo terminará em fogo? Será que teremos tempo para a redenção, ou não?

A natureza não perdoa, está tomando tudo de volta e varrendo o que precisa ir. Em cada canto do nosso país está acontecendo uma catástrofe diferente. No Norte, na região do Amazonas, é o ar, estão respirando terra; no Sudeste, Rio de Janeiro é o mar mandando todo mundo embora da praia e chegando até a rua; em São Paulo, ventos de 150 km. No Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina foram as chuvas; no Centro-oeste, o calor perigoso, e, no Nordeste, chuvas intensas.

O que mais precisa acontecer? Será que está tudo dentro do normal? Não, é preciso parar, é preciso respeitar a natureza, é preciso viver, é preciso saber viver (Titãs).

Brincadeira de criança

 Mãe da rua ou pique bandeira? Corre cotia ou passa anel? As crianças com mais de 50 anos vão lembrar dessas brincadeiras; ainda não havia telas para brincar sentado, brincávamos correndo, gastando muita energia. Pulava corda, amarelinha; e as brincadeiras dos meninos. Carrinho de rolimã, fubeca, pião, pipa ou papagaio – dependendo da região –, e tantas outras.

Alguns vão dizer que é saudosismo, e é mesmo. As brincadeiras eram simples e ingênuas, mas não vivíamos num mundo tão sobrecarregado de informação, não tínhamos sede sobre fatos, tínhamos uma vontade imensa de brincar e assistir TV, que era recheada de programação infantil que trazia curiosidades e a fantasia de que as crianças precisavam para se desenvolver, nas décadas de 60 e 70, quando éramos apenas crianças.

Quem não lembra da simplicidade que era ser criança? Brincávamos na rua de pega-pega, esconde-esconde, de pular corda. Bullyng sempre existiu, mas era na brincadeira e não na maldade. As crianças não tinham raiva ou preconceito, todos eram amigos, ninguém pensava em matar os colegas. A educação começava em casa, íamos à escola para aprender as questões escolares, e não ousávamos desrespeitar o ambiente escolar. Não éramos perfeitos, mas as imperfeições eram corrigíveis, não precisava de cadeia.

Não tínhamos celular e nem computador, conversávamos com as pessoas, sabíamos ficar sem fazer nada e passar o tempo. Nasci junto com a ditadura, a qual vivi até adulta, mas não me preocupava com o que acontecia. Quando criança, era apenas uma criança, na adolescência vivi em paz, embora às voltas com as regras pesadas, mas isso não me afetou. Não sou revoltada nem traumatizada, minha educação me fez entender o meu lugar. Hoje tenho dois filhos e um neto, muita coisa mudou, respeito a época de cada um, mas a educação não é de época nem da moda, é a base de uma boa educação, e isso eu ainda cobro.

Outro dia vi um comentário bem insignificante de um internauta numa publicação sobre a juventude dos anos 80. Tratava-se das músicas e vestimentas da época, e claro que quem viveu essa época mágica e inesquecível tem muitas lembranças. Pois bem, a pessoa vem e escreve que falam num saudosismo como se não tivesse ocorrido nada de ruim, e detalhou fatos políticos da época, querendo desmerecer as memórias ali expostas, e ainda ressaltou que era criança, mas viveu tudo aquilo. Como uma criança lembraria de tantos detalhes e teria tido um trauma tão grande sendo apenas criança? Sim, hoje sabe dos fatos, mas não sofreu. E nós, jovens, éramos muito felizes, sim. Apesar da ditadura e de toda a repressão, vivíamos as maravilhas daqueles anos, sem brigas, sem ofensas e sem querer ser o sábio da vez.

Nosso país e o mundo mudaram nesses últimos 40, 50, 60 anos, e nós mudamos também, senão seríamos engolidos pelas transformações. Mas jamais podemos deixar de ter nossas lembranças sem nos importar se teve problemas, pois a vida é curta demais para sempre trazer pra perto o ruim. Vamos deixar um pouco de lado esse vício de querer trazer intriga para onde está tudo bem. Vamos viver um pouco a época em que nossa preocupação era pegar o lencinho e sair correndo atrás de quem jogou, assim a gente muda o foco do politicamente correto para o ‘se o lencinho for meu, eu te pego’.

O que é sucesso para você

Quando se fala em sucesso, qual é a primeira coisa que você pensa? Que certamente é a pessoa que conquista o lugar mais alto da sua carreira, o que tem mais bens materiais caros, os mais paparicados. Mas será que é só isso?

 Em primeiro lugar, sucesso tem a ver com perseverança, otimismo e muito trabalho. Quem não entende que é preciso dedicação, enfrentar altos e baixos, acreditar e dar o  seu melhor naquele momento, não chegará em lugar algum.

Quando se diz: ‘Não faz mais do que sua obrigação’, está querendo dizer que aquele trabalho o qual a pessoa está desempenhando é sua obrigação, mas e aquele que faz mais do que sua obrigação, é bobo? Não, é muito inteligente porque sabe que o carisma e o comprometimento são armas poderosas para o sucesso.  

Portanto, sucesso não é apenas chegar na mais alta montanha e mostrar para todos a que veio, é chegar na montanha; não necessariamente a mais alta, e ter a certeza de que foi fruto do seu trabalho, dedicação e perseverança naquilo que um dia acreditou e começou com esforço e vontade de crescer.

Todos aplaudem, mas não querem percorrer o caminho árduo que o outro percorreu, muitos procuram atalhos mais fáceis e sem esforço, enquanto o outro chegou e não precisa gritar ao mundo, mas sabe o quão difícil foi. Esse trabalho feito em silêncio causa espanto quando surge, e muitos vão querer saber como foi, mas a resposta é apenas uma, dedicação e vontade.

Sucesso também se faz em viver em paz com você e com os outros, fazer o que gosta, ter liberdade e autonomia para com sua própria vida. Não precisar de alguém para viver, não se importar com o que estão fazendo e falando, ser você verdadeiramente já é um grande sucesso nessa vida insana onde todos querem estar no topo da montanha, mas não querem percorrer a estrada que você percorreu

O adulto que não quer crescer

Já parou pra pensar em como a vida segue um roteiro? Toda a humanidade passa pelas mesmas fases, mudam as famílias, os lugares, os princípios, mas todo mundo nasce, cresce, e, querendo ou não, chega à idade adulta e tem que seguir seu caminho.  

Ser adulto não é uma tarefa fácil de ser cumprida, passamos de repente de criança para adulto num susto, daí pensa: E agora? Não tem jeito, você será obrigado a enfrentar seus medos, inseguranças, e vai ter que aprender a se virar, por isso a importância da criação ser direcionada a um ser que vai crescer um dia e ser um adulto preparado para a vida.

A infância é, sem dúvida, a fase mais importante da vida, é quando se aprende como se vive. É verdade, aprendemos a viver no roteiro que nos foi dado desde o princípio. Vamos à escola e passamos uma boa parte da vida na escola para um dia escolher o que se quer fazer, o que gosta e criar asas para voar sozinho. Ou seja, os exemplos que se aprende em família é o que você será de adulto. Precisamos zelar mais pelas crianças, pois elas serão o futuro.

Os pais são de tamanha importância na vida dos filhos, mas não são designados a não permitir que passem por problemas, a proteger e não soltar, eles precisam ir e viver por si, precisam aprender que o mundo não é uma bolha protetora, é um lugar de constante aprendizado, entre erros e acertos. Aprendem que nem tudo é para você ou por você, todos têm espaço, uns vão se sobressair, outros terão um caminho mais longo, mas todos terão um lugar.

Ensine seus filhos a terem respeito pelo outro. Não dê tudo o que eles querem, mesmo que você possa, pois um dia eles vão se deparar com vários nãos e não vão aceitar; pai e mãe é só dentro de casa, na rua não tem. Debochar do que o outro não tem sem saber o quanto custa não é uma boa ideia, um dia vai fazer qualquer negócio para garantir o seu, e isso pode custar muito caro para a sua vida.

Temos vários Peter Pans vivendo na idade adulta porque um dia ganharam tudo o que queriam, tiveram a individualidade que queriam, tinham tudo dentro de seus quartos e lá ficavam sem pertencimento com a família. Hoje continuam ganhando tudo sem pagar nada, mas cresceram e estão adultos vivendo às custas dos pais. E do que estes pais vão reclamar se foram eles mesmos que deram tudo o que não precisava? Não crie um Peter Pan, crie um filho para ser o que ele quiser, mas que saiba conquistar o que quer, que saiba ser dono da própria vida. Lá fora ninguém vai dar nada, e pai e mãe não são eternos, e o Peter Pan não sabe viver sozinho.

Hoje é Dia das Crianças

Hoje é o Dia das Crianças, como vamos comemorar?

Provavelmente muitas ganharão os melhores presentes, os mais caros, os da moda, os importados, ah esse é o melhor, sem dúvida. Mas também tem aquela criança que não vai ganhar nada porque não tem, muitas vezes nem uma casa pra morar. Então o que se comemora neste dia é apenas para quem pode?

Dia das Crianças, Dia dos Pais, Dia das Mães, não deveria ser um dia comercial, mas um dia de afeto e carinho. Almoçar juntos, passear, fazer uma mesa de doces, brincar. Presente não significa amor, significa um pedido de desculpas, amor se dá de graça, atenção e carinho também.

Muitas das crianças passam a maior parte do tempo na frente das telas, divertem-se com desconhecidos falando sobre assuntos que só aumentam a ansiedade e o interesse pelo desnecessário. Assistem brigas dentro de casa, maus exemplos de comportamento. Crianças estão sofrendo com a atual situação em que o mundo se encontra, sabem e sofrem com a maldade, algumas até morrem. E, apesar disso, hoje ganham presentes.

Quanto tempo dura a infância nestes dias de hoje?  Muito menos do que devia, o excesso de informação trouxe um amadurecimento precoce com informações às quais não estão preparados para entender, e certamente pulando fases que jamais voltam.

Se a primeira infância é a parte mais importante na formação de uma pessoa, o que será das nossas crianças quando atingirem a vida adulta? Quais as marcas que carregarão que não foram tratadas? Quais os traumas e conflitos que deverão enfrentar para prosseguir? São perguntas sem respostas, a nossa criança jamais desaparece, ela caminha junto, apenas tomamos forma de adulto, crescemos, mudamos fisionomia, voz, e as responsabilidades que, querendo ou não temos que encarar. E a criança com medo e insegura mora lá, ainda carregando tudo o que começou e nunca terminou.

Neste dia de hoje trate seu filho, neto, sobrinho como uma criança de verdade. Brinque, compre doces, pise no chão descalço, vá ao parque. Dê alegria, amor, carinho e respeito, porque o que vai ficar guardado no seu íntimo é isso e não o presente caro, a marca famosa, isso fica no esquecimento, às vezes até nos traumas, pois no lugar de amor ganhava presente, e isso deixa marcas irreversíveis. Deixe uma boa lembrança de quem você foi, porque o que você teve não chega nem perto do amor que pode deixar.