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O ano começa agora.

E o ano realmente vai começar. Brasileiro é alegre, otimista, natureza deslumbrante, mas é preciso trabalhar, e antes que chegue o carnaval, nada vai para frente. ‘Depois do conversamos novamente, vou começar a fazer….’ Isso acompanha a nossa vida desde sempre, mesmo quem não gosta tem que parar.

Outro dia vi em algum lugar dizerem na ironia. “Isso é cultura”, é cultura do seu país, goste ou não, um país diversificado em cada região, carnaval é samba, axé, frevo, Carnaboi (de Parintins/Norte), uma mistura de ritmos e cultura regional, mas que alguns brasileiros insistem em desrespeitar a própria cultura, enquanto estrangeiros adoram nosso carnaval e reconhecem como o melhor do mundo.

Não acho que todos devam gostar, mas respeitar sim. É como uma religião que vira guerra com agressões e xingamentos completamente desnecessários, é só acreditar no que você crê e ponto. A vida é individual, mas a convivência é em grupo, e se esse grupo não estiver em paz, nada estará. Sempre aparece alguém pregando palavras e agindo contra suas próprias palavras. Como digo: “Você conhece as pessoas pelo que elas fazem, e não pelo que falam.”

Passou o carnaval, vamos trabalhar duro para mais um ano de vida e possibilidades, é isso que penso, enquanto faço por mim, não perco tempo em saber dos outros, afinal se eu não fizer nada, a vida passa, os anos passam e eu não vou ficar parada vendo o tempo passar. Descansei esses dias, aproveitei com minha família e agora continuo meu trabalho depois do carnaval, e recomeço com o ano novo chinês.

Recomeço, temos páginas em branco para escrever nossa história, e só depende de nós ter sabedoria para seguir nosso caminho, sem se dispersar olhando para os lados, enxergando as oportunidades e o que há de mais lindo, a vida. Pense na sua, e cada um segue sem se machucar e não machucar os outros. Pior que ser machucado, é ser o que machucou, então siga fazendo o bem, o mau já tem muita gente fazendo.

É carnaval. Quatro dias de alegria para o brasileiro.

O Brasil sempre foi conhecido pelo nosso carnaval, pela alegria do povo, a beleza das cores, o espetáculo jamais visto, mas os próprios brasileiros colocaram seu país e sua cultura no chão, mas tem muito gringo que prefere o calor daqui, do que o gelo de lá. Sabem viver o que temos de melhor, a essência e a euforia que o samba traz para o carnaval. O país tropical abençoado por Deus.

O carnaval bate à porta, e não adianta mostrar o carnaval fora do Brasil, pode não ter nascido no Brasil, mas é brasileiro. Em qual lugar do mundo sabem fazer o batuque das baterias de escola de samba? O gingado, a alegria que para o país?

Haverá quem fale: “Nem todo brasileiro gosta de samba, ou é exibição. Está tudo bem, mas tem quem goste e espera o ano todo por este dia, e é nossa cultura que deve ser respeitada. Não falo isso só porque gosto, mas o desrespeito com os gostos e opiniões é desnecessário. Fui criada numa família completamente musical; em breve saberão melhor desta história. Aprendi a ouvir e gostar de todos os ritmos com muita festa e alegria, e não vejo nada de ruim em gostar de carnaval.

Hoje as brincadeiras e marchinhas estão proibidas por conta do preconceito abusivo que insistem em pregar, mas antes era brincadeira e ninguém se incomodava. Confete, serpentina, bisnaguinha de água eram coisas de carnaval, verão no Brasil. Era gostoso, leve, divertido. Após 1999, tudo mudou e se transformou no milênio das punições, da baixaria, acabaram com a alegria que o brasileiro sempre teve, tudo se tornou sério demais. Quem viveu sabe o que foi, mas quem não viveu, jamais saberá.

O carnaval de rua das cidades pequenas acabou, ‘economia de gastos’, mas as estradas aumentam os pedágios justamente quando chega o verão, mais gasto para a população que não quer ficar na cidade sem ter aonde ir. Irônico. Hoje tem os bloquinhos que fazem a diversão para quem gosta, mas a dor de cabeça pela falta de segurança e organização. Entra ano, sai ano, a segurança continua a mesma, zero. Será que é a ‘economia de gastos’? 

Acabou o carnaval

Ah! O Carnaval. Quantas lembranças boas de uma época que não volta mais, a época das marchinhas, das bandas e dos clubes. Do Carnaval de rua, que ainda existe, mas que não era sobre corpos, era sobre diversão, cultura de um país, o samba. Vinham gringos, europeus, até o Príncipe Charles se rendeu ao Carnaval do Brasil, no Rio de Janeiro, arriscando sambar com Pinah, ícone do Carnaval daquela época; e ainda se faz presente. O Carnaval da Bahia, com seus trios elétricos, Pernambuco com o frevo e o maracatu, Paraíba e suas tradições. Manaus com os ‘bois’ Caprichoso e Garantido, conhecidíssimos no País, os desfiles de fantasia que não existem mais. A diversão de forma literal passou.

E o que temos no Carnaval de 2025? Além dos desfiles de rua e de sambódromos tradicionais de Rio, São Paulo e outros Estados, cada um com sua regionalidade e tradição, nos chamados bloquinhos e salões que ainda promovem a festa temos funk, rock e alguma coisa de Carnaval, tudo misturado. Quem inventou que trio elétrico toca Anita, Pablo Vittar, MC, sei lá o quê? Axé, Olodum, ok, fazem parte dessa festa, mas, por favor, cada um no seu espaço. Façam seus shows para quem não quer curtir o Carnaval, passam o ano todo fazendo apresentações meteóricas, e na festa de Momo vão para um trio elétrico? O trio Armandinho, Dodô e Osmar fez sucesso em Salvador muitos anos, hoje só está vivo Armandinho, mas segue a tradição com o trio.  Outros grandes nomes também apareceram, como Chiclete com banana, Asa de águia, Banda Eva, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, artistas que consagraram o Carnaval baiano. Eu mesma fui atrás do trio elétrico, e foi uma experiência muto boa. Mas o que é o Carnaval, sempre foi assim rolando de tudo, ou era apenas uma festa que ficou famosa?

As atrações mudaram muito, e é importante que haja evolução na vida. Os amores de Carnaval sempre existiram e continuarão a existir, a alegria, as fantasias, a diversão. Alguma coisa não casa mais com a data, o contexto sexual parece ser o mais importante, não é a diversão. Talvez não se toque mais as marchinhas porque hoje seriam censuradas, como uma ditadura onde não se pode contextualizar nada que possa ser considerado como preconceito, mas antes era apenas uma brincadeira de Carnaval, e ninguém se ofendia a ponto de brigar ou até mesmo matar alguém. Não existia a intenção de ofensa; algumas faziam apologia ao racismo ou à bebida, mas a intenção não era ofender. Vivi minha adolescência nos anos 80, e os carnavais de salão eram animadíssimos, com bandas tocando as marchinhas, inclusive exaltando times de futebol, mas ninguém brigava por isso, era pura diversão. Como fazer músicas para o Carnaval sem brincar? Inventaram uma maneira que foge totalmente do original, mudaram até letras de algumas marchinhas que fizeram a alegria durante anos e anos, e Carnaval virou paradas de sucesso. É a vida seguindo acelerada e cheia de mudanças. E nós, que passamos todas essas transformações, temos de seguir, querendo ou não.

 “Quem viver, verá

Que não foi em vão

Eu quero é muito amor no Coração” (Trecho da música Amor no coração’, com Simone)

Por Maristela Prado