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A autora Maristela Prado, formada em Letras, revisora de textos, biógrafa, crítica literária, casada, dois filhos adultos. Meu sonho era ser jornalista mas o destino mudou meus planos e, para não ficar longe da escrita, fui cursar a Faculdade de Letras. Mas a vida me trouxe um marido jornalista e hoje também uma filha jornalista. Para mim a escrita sempre foi a maneira mais marcante da comunicação, é através dela que conseguimos transmitir mensagens capazes de eternizar um fato ou sentimento. As letras me fascinam.

O que será do amanhã?  

Quantas vezes você deixou para fazer alguma coisa amanhã? Muitas, sem dúvida. E quantas vezes parou para pensar que o amanhã pode não chegar? Bem provável que nenhuma.

Vivemos tão certos de que estaremos aqui para sempre que não nos damos conta de que estamos apenas numa viagem, que um dia chegará ao fim, e pode ser amanhã, que você deixou para ir a algum lugar, visitar alguém que você ama e dizer eu te amo.

Não defendo que devemos viver extremamente preocupados com isso, senão seria horrível viver esperando o dia chegar, mas devemos dar mais atenção às pequenas coisas, que não são tão pequenas assim. Dar atenção a alguém, ou fazer aquilo que está esperando por tanto tempo, pode ser mais importante do que adiar um dia. E quantas coisas fazemos em um dia! Embora não pareça, nenhum dia acaba sem termos feito nada.

A rotina e as inúmeras questões que acontecem todos os dias nos levam a uma vida pesada e maçante. No trabalho quase não se vê mais uma pessoa procurar outro emprego, porque quer apenas mudar para um salário melhor ou um lugar diferente. Não raro, saem doentes da mente por excessiva exaustão, pelos inúmeros assédios sofridos, que acabam com as relações, não só no trabalho, mas também na família. É tanta a exaustão que não encontramos tempo e nem vontade de estarmos com as pessoas que realmente valem a pena em nossa vida. E desta forma deixamos para amanhã.

Também existe a incessante busca pelo material, pela beleza, para agradar e estar inserido nesta loucura que se tornou a vida. Acaba em frustração, em desânimo, doença. E essas buscas também são responsáveis por nos afastar do que realmente importa. Sorrir, sentir-se feliz em estar com quem se gosta, se sentar no chão sem se preocupar com o que vão falar, brincar com seu filho, dançar, cantar, pé na areia, contemplar o sol.

O amanhã pode não chegar ou não te dar a chance de fazer o que deixou para trás, e amanhã poderá estar doente, cansado, desanimado ou sem tempo. Amanhã pode chover, o mundo pode acabar, você pode morrer, pode não acordar. Faça da sua vida o melhor que puder, mas jamais esqueça o que realmente te faz feliz. Cada dia que passa é um dia a menos, então aproveite sua vida da melhor maneira, não se preocupe com coisas, se preocupe com as pessoas que valem a pena. Não deixe para amanhã, o momento é agora.

Os fins que enfrentamos

Tudo um dia chega ao fim, independentemente da sua vontade. A vida, uma relação, o trabalho, uma amizade. São muitos os fins com os quais dificilmente sabemos lidar, mas que, com o famoso tempo, tudo passa e descobrimos que podemos continuar sem, por mais estranho e doloroso que possa ser no início, quando sofremos e negamos, mas passa.

Por que falar no fim se a vida é linda? Por que a vida já começa sabendo que tem um fim, então como podemos carregar a ilusão de que nada acaba? Caso a dor e as situações que precisamos resolver não acabassem, jamais conheceríamos a felicidade.

A criança, quando nasce, está com o seu livro totalmente em branco, tem tudo para aprender, mas assim que começa a entender também já começa a sua vivência, e assim se apresenta o sim e o não, causando sentimentos, reações que serão trabalhados ao longo da vida, e nunca acabam.

Tudo o que aprendemos na infância terá impacto determinante na vida adulta, e se não formos bem-preparados, não aceitaremos a dura realidade que a vida nos mostra diariamente, e nisso faz parte o fim, o qual muitos não aceitam e acabam cometendo insanidades em nome da recusa.

Certo dia, fiz um comentário numa conversa informal sobre mostrar aos filhos que a vida não é cor de rosa, para que mais tarde não tenham a dura realidade jogada na cara, e não encontrem o aconchego de pai e mãe, mesmo porque a vida lá fora é uma luta diária. Fui repelida com a resposta: ‘Sempre vou dar tudo o que as minhas filhas quiserem.’ Ok, hoje são adultas e ele já não é mais um menino, será que escolheu o melhor caminho? Não sei, mas o mundo que estamos vivendo hoje não é nada cor de rosa, imagina para quem recebeu tudo de mão beijada ter que enfrentar esse ringue sem um protetor?

Eu ainda prefiro à moda antiga, quando os pais nos mostravam a vida como ela é, feliz mesmo não tendo tudo o que quer, aconchego pelo calor do abraço dos pais, não pelo jogo do momento ou do que tudo mundo tem (é momentâneo), e saber que nada dura para sempre, nem nossos pais, nem os presentes, nem nós. Crescemos, sonhamos, realizamos alguns sonhos e outros não, conhecemos a tristeza e a felicidade, o amor e o ódio, a escassez e a bonança. Sobrevivemos e, apesar de tudo, ainda somos felizes.

E quem nunca conheceu o fim chegará um dia em que terá que conhecer, e vai descobrir que o mundo não é tudo, é mais nada do que tudo, porque o tudo foram seus pais que te deram, mas lá fora tem quem insiste em tirar o seu tudo. Não tem cafuné, tem mensagem fria te colocando ao par do fim. E serão muitos os fins.

Entre o bem e o mal

A triste realidade de constatar que a polarização deixou uma parte da humanidade extremamente ruim, destilando o ódio, e a outra do bem, que não consegue viver em paz. Como podemos ver, o mau tenta a qualquer custo destruir o bem. Por quê? Valores que antes eram importantes, como o caráter – que já não tem mais tanta importância –, deixaram de existir, ou de ser valorizado. A “modernidade” distorcida criou um desvio que não tem remédio, não tem tratamento, apenas vai, sem rumo e sem preocupação com as consequências que podem trazer, mesmo porque arruma-se outras saídas para se defender.

Enquanto uns lutam pela paz, outros querem mais a desordem, a briga, o poder físico de espaço, lugar, dinheiro. Destruir as virtudes ou a honra, reputação moral, são tantos os maus feitos que nem dá para enumerar, só sentir. Perdemos o controle de tudo, não há mais nada que possa ser feito, esses atributos são mundiais.

Os inúmeros preconceitos que estão aí só nos mostram o tamanho da insensatez das pessoas, por mais que se fale sobre o assunto mais aparecem pessoas destilando seus ódios, como se alguém nesse mundo fosse perfeito ao ponto de apontar o dedo para o outro sem se preocupar com seus defeitos e imperfeições. Afinal, quem aqui está apenas desfilando ou passeando pela Terra? Quem não tem um único probleminha na vida ao ponto de zombar de outros? Ou ainda, achar que está por cima?

Estamos vivendo o cada um por si, e tentando dar continuidade à vida à sua própria sorte. Em casos como preconceitos e diferenças sociais, vimos os acontecimentos sendo levados como se a vítima fosse culpada e o culpado fosse a vítima; ora, fatos são fatos e ponto final. Até quando teremos que assistir a essas desigualdades? Até quando?

Essa crônica é o ponto de vista de uma pessoa que vive nesta sociedade, nesse País, e acompanha os fatos com muita leitura. Não estou replicando falas de ninguém, apenas expresso minha visão, principalmente de tudo o que anda acontecendo. Sei que não existe somente a maldade, ainda temos seres humanos do bem, e são muitos, só não estão em evidência tanto quanto os maus, mas isso não importa, o que interessa é que por causa dessas pessoas (do bem) “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” (trecho da música “Nossos pais”, de Belchior).

Precisamos falar sobre isso

O assunto ‘mulher’ sempre estará em evidência, seja positivo ou negativo. A mais recente é sobre o aborto, como todos já cansaram de escutar. Mas precisamos falar sobre isso, precisamos discutir os caminhos tortuosos a que estão levando um assunto tão sério, e de maneira incabível, um amontoado de hipócritas, que só têm um interesse, a baderna.

Mais uma vez a mulher está sendo usada para provocar um embate desnecessário, por um acontecimento que só diz respeito às mulheres, e quando o assunto for com crianças, ou adolescentes, a decisão cabe única, e exclusivamente, à família ou responsável legal, e mais ninguém. A Câmara dos deputados foi eleita para cuidar dos interesses do povo brasileiro, e não dos próprios interesses. Embora seja um assunto relevante e que necessite de regulamentação nas leis, e isso já existe, mas não colocar a mulher na posição de criminosa. Primeiro porque ela foi acometida por um crime contra seu corpo e sem seu consentimento, e levar uma gravidez indesejada ou que possa trazer danos à saúde, não tem justificativa para isso.  

Enquanto isso, discutem o absurdo de penalizar a violentada pelo ato do aborto, após vinte e duas semanas de gestação; lembrando que esse tempo só pode chegar por inúmeros motivos, dentre eles o fato de ter que entrar na Justiça para provar o estupro e, claro, esperar pela decisão. Desta forma a vítima passa a ser culpada, enquanto o estuprador recebe um afago na cabeça pelo ato cometido.

Ora, só falta dizer que aquela menina, mulher ou criança provocou o ato, afinal mulher é o foco das insanidades de machistas que ignoram sua atitude, e que deixam a vítima em situação de completa incapacidade de se proteger, de ter a lei a seu favor. A vítima se torna culpada, enquanto o culpado se torna vítima.

A mulher não pode gerar um filho do estupro, essa criança não terá amor, será rejeitada, odiada. Não se pode criar um filho indesejado de uma pessoa indesejada, às vezes não se sabe nem quem é, como obrigar uma gravidez dessa? Alguém se preocupou com o estado emocional dessa mulher? Passar por todos os estágios de uma gravidez sem que seja da sua vontade? Ter esse filho em nome de um ato violento? Nem que entregue para adoção, estamos falando de um abuso e não de amor. Quem pensa assim só colabora para o abandono. E aí são dois crimes, o estupro e o abandono. Quem vai pagar por isso?

A verdade é que essas pessoas que concordaram com essa lei absurda também têm ou terão filhas, netas, mulher, mãe, irmã, que podem sofrer um abuso e devem entrar nessa mesma lei, ou não vai?  Jamais saberemos, vítimas sempre estarão nos noticiários policiais, jamais nas capas de revistas.

Planeta Terra

“Terra, verso mais bonito dos planetas, estão te maltratando por dinheiro…” (Beto Guedes) Essa música é de 1981, numa época em que o mundo ainda não era tão cruel, e a letra já falava sobre a exploração da natureza pelo homem. Depois de quarenta e três anos continua atual, só que com consequências às quais não foi dado o devido cuidado, deram de ombros, e hoje sofremos com as tragédias, essas que foram anunciadas e ignoradas, como se existisse donos dos mares, dos rios, das matas, das terras. Não, ninguém é dono de nada disso, mas quem acredita?

Por tanta negativa e obsessão pelo poder, acabou que o homem explorou o que não lhe pertence, afastando ou aterrando mares e rios para o crescimento dos arranha-céus espalhados por aí. Devastando vegetação para uso da máquina financeira, destruindo, desta forma, o ar que hoje não respiramos mais.

Alguém vai dizer. ‘Mas as cidades precisavam desenvolver e crescer’, sim, precisavam, mas não da maneira despreocupada como foi, não temos mais muito verde nas grandes cidades, é solo, concreto que não permitem o escoamento das águas. Enchentes todas as vezes que chove, esgotos que não dão conta, o volume de água é cada vez maior, enquanto os asfaltos crescem.

Agora, nesta tragédia que acometeu o Rio Grande do Sul, podemos enxergar o que não podemos mais deixar que aconteça, muitas perguntas se têm a fazer sobre isso, poucas são as respostas, mas sabemos que não é o único lugar que pode ter sido devastado por conta desse descaso. Muitas outras capitais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo estão condenadas a sofrer o mesmo, afinal as terras da natureza estão cada vez mais escassas, e onde o solo de cimento e asfalto prevalece, para onde a água terá vazão?  Ou será que os rios e mares estão retomando seu lugar de origem, que lhe foi tirado para crescer o solo cimentado? Qual será a providência a ser tomada para um longo prazo de retorno de normalidade? Se é que tem retorno.

Quem sofre com isso? Todos nós, na revolta da natureza não tem privilegiados, bairros, casa, lugar, é tudo igual, são todos habitantes da Terra. Três das principais fontes da vida são a água, a terra e o ar, estão sendo consumidos pela ganância do homem. A natureza retoma, mas a vida não.

Mães e filhas

Toda mulher sonha em ser mãe de menina, mas claro que ser mãe de menino também é
maravilhoso. Eu tenho os dois, e ter um filho é ter um apaixonado por você pro resto da
vida. Mas a menina é aquela bonequinha que você brincou de mamãe e filhinha e que se
tornou realidade. Enfeitar a menina com laçarotes, vestidos e acessórios dá enorme
prazer. Mas elas crescem, e depois, como fica?
Desde pequena aprendemos a ser mãe, cuidar, alimentar, levar para passear e estar
preocupada sempre. Quando temos nossas filhas, não substituímos pelas bonecas, pois a
realidade é bem mais difícil do que nas brincadeiras. Conforme crescem começamos a
ver nossas bonequinhas transformarem-se em adolescentes, cada vez mais cedo, e aí é
que passamos a ter uma amiga e companheira para sempre. Ou não. Nessa fase as
meninas costumam ser rebeldes com as mães. É difícil, mas ainda bem que passa rápido.
Na maioria das vezes tornam-se muito próximas de nós. É bonito ver a amizade de mãe e
filha .Sair junto, conversar, tomar aquele café no shopping, te pedir opinião e,
principalmente, te entender. Isso, com certeza, vem bem mais tarde, já que muitas coisas
só entendemos depois que somos mães; antes, somos chatas.
Que bom né que tivemos uma mãe chata. Só assim pudemos aprender a ser uma mulher.
Se não tivesse essa mãe chata seríamos perdidas, sem rumo, sozinhas… E isso tem,
mães e filhas que não se entendem, não são amigas. Muito triste ver essa situação.
Sonhamos com a maternidade, mas nem sempre nos traz bons resultados. Será por não
darmos a atenção necessária, por não aceitar um filho difícil, por falta de “tempo”, que não
tem justificativa, ou apenas por deixar a vida levar? Um filho precisa muito mais do que
tudo isso junto, tudo vale a pena, mesmo que não dê certo alguma coisa. Mas com filho
tudo vale, até o que você acha que não. É só enxergar tudo diferente, olhar e entender
que aquele foi destinado a você para cuidar e ensinar. É seu, depende totalmente do seu
amor e cuidado, e isso é para sempre.
Sua bonequinha só cresceu; no meu caso chamo de minha florzinha, mas ainda estou
regando. Enquanto estamos aqui precisam daquele mesmo cuidado do começo, com
carinho e dedicação. Filho é para sempre, e amor não acaba, o que acaba é atenção e
cuidado. Todos somos filhos, e se estamos aqui é porque tivemos uma mãe que não
desistiu de nós. Então continue a cuidar da sua, não desista, sua obra é perfeita. O que
vai fazer dela? Amar, amar e amar. E a minha florzinha? Ah! Já deu flor, mas continuo a
regar….

Saudosismo. Do que você sente saudade?

A saudade é um sentimento normal do ser humano, mas o saudosismo é muito maior
por se tratar de uma época, uma parte do passado da vida. Já há algum tempo isso vem
crescendo em um nível, digamos, maior do que acontece normalmente, onde o atual e o
antigo esbarram de uma forma saudável. Mas não é assim que tem acontecido.
Bem devagar começou a se falar do velho e saudoso vinil, a bolacha ou LP, como se
falava. Quem não se desfez dos seus LPs para dar lugar ao CD? Por qual motivo
acreditamos que nunca mais sentiríamos saudades? Ou que não precisava se desfazer
das relíquias das nossas vidas tão ricas de passado? Não pensamos nisso, e eles
voltaram tão intensos que os artistas do passado e os novos aderiram às gravações em
vinil, e quem guardou seus aparelhos, hoje pode ouvir seus artistas prediletos no
aparelho de som com toca discos, quem não guardou paga caro por uma relíquia.
Mas não foi só isso que voltou, é muito comum fazer uma pesquisa de decoração de
casa, ou até mesmo acabamento e encontrar os ditos retrô ou vintage, paredes de
cozinha pintadas pela metade, rádios com designer antigo, vitrolas, aparadores, cadeiras,
tudo misturado com o novo. A moda que vai e volta, as músicas que tocam e fazem
sucesso até hoje, os conjuntos antigos lotando estádios, sejam brasileiros ou
estrangeiros, e até novelas antigas regravadas e fazendo o mesmo sucesso de antes. O
que está acontecendo?
O povo está com saudades do mais simples, da felicidade de um passado que, apesar
dos pesares, era mais leve. Ostentar era ter uma vitrolinha no quarto, era ter um móvel
com o aparelho de som mais potente e muitos vinis para ouvir, ter telefone em casa;
nem todo mundo tinha. Eram poucas as coisas, mas éramos felizes.
Os conjuntos que fazem sucesso compuseram músicas imortais, letras e melodias,
fizeram história, e isso não tem preço, não tem fim, ficam para sempre. Existiam
problemas? Claro que sim, o mundo nunca foi perfeito, mas não era tão imperfeito
como agora. As novelas estão sendo recuperadas porque as histórias, apesar de terem
fatos perturbadores, saíam da mesmice, eram interativas e cativantes, coisa que agora
são meses no mesmo assunto. Cansa.
As pessoas estão em busca de algo, de recuperar uma parcela daquilo que fez um dia
suas vidas felizes. Seja um objeto, uma música, uma roupa, seja lá o que for, você foi
feliz. O saudosismo exacerbado é um resgate, é um olhar para o passado que não volta
mais, apenas faz bem, nem que seja por alguns minutos, a felicidade volta igual ao
momento que você viveu, se mistura com o presente, e molda o seu futuro. Seja feliz
agora, um dia vai lembrar desse momento como se fosse hoje.

Louco ou normal?

Estamos no fio da navalha

Ser normal é tudo o que eu não quero. Como ressoa para você essa frase? Para mim quer dizer: igual a todo mundo. Não, eu não quero ser igual a todo mundo, fazer o que todos fazem, ir a lugares que todos vão, fazer as mesmas viagens, fazer as dietas da moda, usar as roupas da moda, ter a mesma cara, cabelo, tipo de corpo. É muito chato ser normal, é falta de criatividade para si mesmo, é muito bom ser diferente, enquanto todos repetem os mesmos padrões e fazem tudo igual, eu ando na contramão, sempre fui assim, é libertador.

Quem foi que disse que ser normal é o lado certo? Entre ser normal ou ser louco é preferível a loucura. Para a maioria das pessoas ser normal é o equilíbrio do ser humano, mas a vida não tem equilíbrio, por isso mesmo vivemos entre um e outro. O ser humano não é feito só de corpo, é um ser falante, e quem fala racionaliza, e quem racionaliza analisa, e quem analisa? O louco ou o normal? O louco, claro, daí ser chamado de louco, porque o normal pensa e não analisa, só vai.

Quando se está lúcido é porque sabe o que está falando ou fazendo, foi pensado, analisado e compreendido, e isso não precisa necessariamente ter sido aceito, ao contrário, é saudável dizer não àquilo que a maioria diz sim, não é preciso fazer tudo igual como se a vida fosse um roteiro, o seu roteiro pode ser diferente, e as diferenças é que fazem de você ser a pessoa que é. Quando todos fazem tudo igual é que existe algo de errado, isso não é ser normal. Se somos seres falantes e racionalizamos, desta forma estamos sendo irracionais, seguindo um modelo de vida que inventaram, e te contaram que era assim que deveria ser.

Em tempos de influencers, que aliás virou profissão, vendem ilusão aos mais despreparados. Contam uma vida de riquezas, medicamentos milagrosos, conquistas maravilhosas, e o melhor, tudo muito fácil. Quem precisa de alguém para guiar sua vida como se fosse isso o correto? Quem disse que o que o outro diz é o correto e não você? Será que realmente um ser precisa de um influenciador na vida? A velha frase, o que é bom para mim pode não ser bom para você.

Não te contaram quantas pedras tiveram que tirar do caminho, ou até submeter-se a situações que talvez você não tenha coragem, mas falando parece ser fácil. Depois que desligam as câmeras, a realidade deles também ressurge, e você nem sabe quantos dissabores aquelas pessoas sentem. E sem saber, está tentando ter o mesmo vazio de quem te vende a vida perfeita.

“De louco todos temos um pouco”. Então sejamos loucos, e vamos assumir nossa loucura, já que entre a normalidade e a loucura estamos no fio da navalha. Uma hora escorregamos um pouco para um lado, e hora para o outro, saímos do sério, falamos sozinhos (sim, você já falou sozinho, já xingou sozinho, já riu sozinho). Para quem? Para o louco que habita em você.

O que você deseja para 2024?

Estamos terminando mais um ano, passou rápido demais, mas também fizemos muita coisa. Quantos acontecimentos vivenciamos? E tudo o que aconteceu na sua vida, foi pouco? Você lembra de tudo ou confunde com este ano ou ano passado? É tão comum essa confusão, porque temos a mania de achar que tudo passa rápido, mas não é bem assim.

O tempo nos faz ter a impressão de que tudo passa rápido demais, mas na verdade nós é que não organizamos direito nossa rotina. Tempo todo mundo tem, o que não se tem é disponibilidade, pois priorizar as coisas e o dia é indispensável, assim como abrir mão de uma coisa aqui e outra acolá, também é preciso.  Daí o tempo passa, o tempo voa.

Essa vida louca nos faz acreditar que temos que trabalhar, trabalhar, e deixamos de lado as coisas boas, os momentos, a risada, as conversas, o sol, a música. As pessoas que amamos, lugares; a vida.

Vamos ter responsabilidades, mas também a risada. Vamos trabalhar, mas também usufruir do que se ganha. Vamos nos preocupar, mas também relaxar, viajar, ouvir música, ir a shows, bater um papo e ficar com nossos amores. Não deixe o tempo passar e deixar apenas marcas e cicatrizes, que deixe também boas lembranças, carinho, amor e paz entre as pessoas. Precisamos muito de paz, do respeito e da bondade, porque da maldade, chega.

Desejo ao mundo que 2024 possa ser um ano de transformações e de conscientização, que as pessoas entendam que a paz é que trará todos os benefícios que a humanidade almeja. Não é brigando, matando, desrespeitando que se chega em algum lugar, é na paz que cada um consegue o seu lugar no mundo.

Quero escrever sobre um mundo melhor, quero narrar a transformação, quero mudar com as palavras e ajudar as pessoas para que encontrem dentro de si um jeito melhor de viver em paz.

Feliz 2024!

A noite de Natal

Estamos a quatro dias do Natal, e como essa data mexe com a gente. É uma mistura de sentimentos e lembranças que vêm à cabeça nesta época inexplicavelmente. É uma data em que as pessoas sentem verdadeiramente o amor e a emoção como nunca. Mas será que nossos sentimentos nos sabotam?

Existem pessoas que não gostam ou não têm a tradição de comemorar o Natal, é uma questão familiar. Já outras famílias fazem questão de reunir todos para essa confraternização de fartura – não para todos, sabemos –, emoção e felicidade mútua.

Como tudo na vida, a tradicional ceia de Natal tem uma regra a ser seguida quase sempre, começando pelas comidas. Não pode faltar o peru, o tender cravado de cravo da índia, maionese com maçã, arroz com uva passa, doces e presentes. Uma comemoração de comilança, bebida e magia.

As crianças gostam pelos inúmeros presentes que ganham e ficam ansiosas para que chegue logo, e o Papai Noel, diz a lenda, é quem traz. Uma lenda que passa de geração para geração iludindo as crianças, que ouvem que se forem boazinhas o ano todo ganharão presentes. A primeira mentira que aprendem. Não foi boazinha o ano todo, mas ainda assim ganhou presentes.

Entretanto, a verdadeira comemoração não é dita, apenas nos enfeites, na árvore que simboliza a chegada do menino Jesus, mas que não é falada. Nessa, o Papai Noel sai disparado na frente, e a realidade é o consumismo, os presentes que esperam o ano todo.

Para os adultos resta apenas levar a tradição sabendo o quanto custa aquela linda noite com a família reunida, passando algumas horas num ambiente decorado e servido com as comidas típicas e a emoção que carrega.

Eu mesma tenho lindas lembranças dessas noites de Natal em família, e trouxe para os meus filhos, que também adoram este momento, continuo com as comemorações e, certamente, eles continuarão. A emoção não pode parar, embora muita coisa mude ao longo dos anos. As crianças crescem e nós envelhecemos, outras crianças nascem e a roda viva da vida continua, com chegadas e partidas e lembranças e saudades.

Que o seu Natal seja uma noite mágica e cheia de emoção, que seja um dia de reflexão; ouça o seu coração – e traga de volta a pureza da criança que vive em você e se permita sentir a mesma emoção e ansiedade que te trazia naquelas noites em que tudo era lindo e feliz. Sinta, se emocione, deixe por alguns minutos a sua rigidez adulta do lado de fora te esperando para depois que o dia 25 de dezembro for embora, mas não passe esse dia sem reviver a alegria da criança que você foi um dia, e reviva esse momento.

Feliz Natal a todos