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Ano novo, e a vida continua.

Nada muda se você não mudar as suas atitudes, seus desejos só dependem de você. Não adianta escrever no papel suas intenções e esperar o milagre, levante-se e faça acontecer, mude o pensamento, decida ir em busca, despertar o humano que existe em você.

O relógio não para, no dia 31 de dezembro esperamos ansiosos pelo próximo ano, somente terminamos os doze meses que contam um ano. No dia seguinte, tudo continua igual, e começamos a contar mais doze meses. Se não trabalhar, não terá dinheiro, se não estudar, dificilmente alguma coisa mudará em sua vida.

A vida é uma contagem de tempo regressiva, viemos como se nunca fosse acabar, contamos com o amanhã sem medo de não acordar, planejamos a longo prazo certos de que estaremos vivos, deixamos tudo para amanhã com a certeza de que chegará.

E se não chegar? E se não der tempo de fazer aquela viagem programada há um ano? Se amanhã não der mais tempo de dizer eu te amo? Quanta ilusão vivemos dia a dia achando que tudo sairá como planejado. Ano que vem começo, daqui a cinco anos viajarei. Quem é que sabe? De onde vem tanta certeza se não sabemos de nada?

Quantas pessoas agem com profunda maldade sem saber se terão tempo de reverter o malfeito? Como fica se não puder falar? A qualquer momento, tudo pode acontecer, algo inesperado que trará alegria ou tristeza. Mas quem pensa nisso?

A vida continua acontecendo depois da meia-noite, pessoas morrem e outras nascem, amanhece e anoitece, as datas comemorativas continuam as mesmas e na época que já conhecemos. Só muda o ano, e sua vida só vai mudar com novas atitudes, com outros olhares, vontades e determinação.

Ciclos terminam e outros começam. A vida é uma gangorra, ora em cima, ora abaixo, ninguém é totalmente pleno, precisamos nos refazer sempre, derrubar muros e construir castelos com os cacos derrubados. E assim é a vida.

As intenções precisam mudar, as pessoas precisam mudar, a união precisa existir, o fim do mal só termina com união. Não adianta o ano mudar se tudo continuar igual. 2026 é apenas mais um ano para quem sobreviveu e continua a contar a passagem enquanto o trem não chega. Não somos imortais para achar que tudo pode. Sejamos mais humanos do que desumanos, pelo menos assim, quando chegar o fim da história, deixaremos lições importantes e saudades, não alívio para quem ficou.

Faça a diferença, deixe uma história digna de ser contada. Trate as pessoas como gostaria de ser tratado, e valorize quem te ama, você não será amado a vida toda, pode ser só com uma chance, como tudo na vida não podemos desperdiçar nada, nem sempre teremos novamente. Se quiser novidades neste ano, mude. Somente você pode fazer isso.

A biografia da minha família

Hoje vou falar de algo que mexeu muito comigo nos últimos cinco anos, a biografia que escrevi sobre minha família. Sim, levou cinco anos para ser escrita, nenhum trabalho feito com amor fica pronto em pouco tempo. Não basta contar uma vida apenas com fatos, tem que ter história, e isso leva tempo, pesquisa, entrevista com pessoas do passado, poucas ainda vivas. Os vivos ainda guardam lembranças preciosas, e ficarão registradas para sempre.

A ideia começou a partir do orgulho que tenho dos meus pais (ainda vivos), têm uma linda história para contar, mas só saberá quem ler o livro. Como podem perceber, comecei a escrever quando ainda estava finalizando o primeiro livro, “Sob a sombra do amor”, coisa que só um escritor entende. Assim como ler dois livros ao mesmo tempo, ou comprar livros que você sabe que não vai ler agora, mas não aguenta e compra. Ler e escrever é minha vida, e vou continuar a contar histórias, isso me faz feliz.

Toda família tem uma história para contar, não importa se é grande ou pequena, mas todos vieram e se juntaram num mesmo sangue que lhes pertence para a eternidade. Pode ter aqueles que você nem sabe por onde andam, porque tem um tempo que a família se dispersa, cada um segue sua vida, mas os laços jamais terminam. Temos saudades de um tempo que passou tão rápido, mas na época não pensávamos sobre isso, como não pensamos agora, mas vai passar e sentiremos saudade.

Durante a escrita, fui lembrando de coisas que estavam adormecidas na minha mente, era uma janelinha que não abria há muitos anos, e de repente comecei a reviver momentos de muita felicidade. Quanta história, quanta alegria, e como os tempos mudaram. A gente não percebe, mas muda não só aparência, muda a forma de pensar, a vida te traz desafios que te transformam sem que se perceba. As pessoas morrem! E isso não tem aviso prévio. Por isso devemos viver intensamente todos os dias, para não ter arrependimentos, brigas sem razão, não deixar a vida passar como se não pudesse, de uma hora para outra, perder alguém.

Na minha família muita gente já partiu, pessoas queridas, pessoas que a gente achava que seriam imortais, mas se foram; e tenho certeza de que muitas delas me ajudaram nessas lembranças, e de onde estiverem estão felizes em saber que estou eternizando toda nossa alegria, toda nossa história, nossa trajetória. E as próximas gerações saberão quem fomos, quais são as raízes e amores, dons que passam de geração a geração. Como foi bom contar tudo isso.

Agora parece que ficou um vazio, não tenho mais que falar nada, tudo foi aos poucos se tornando um livro. Chegou o fim desse livro, mas não dessa família. Agora é esperar chegar da maternidade, e se tornar páginas de uma biografia de família, contada em verso e prosa, na qual deixo exaltado todo o sentimento que vivemos durante todos esses anos, definido por uma única palavra, amor.

Em breve terá o lançamento, e assim como a história que conto, esse dia será muito especial e com muitas surpresas. Quem viver verá.

Por Maristela Prado

Metamorfose

Aquele momento em que percebe que não faz mais sentido aquilo que você gostava tanto, passa a ser estranho. O que é melhor, passar uma vida repetindo sempre as mesmas coisas, ou mudar suas opiniões, suas escolhas?

A vida é uma constante mudança, tudo evolui e se transforma, então por que não mudar? Voltando ao passado com lembranças de gaveta, percebi o quanto mudei ao longo da minha vida. Coisas que num passado não muito distante eram muito normais para mim, como certas escolhas ou atitudes, e hoje, sem perceber, não faço mais; nem faria mesmo, minha maturidade não enxerga mais com os olhos do passado.

Mas no passado era o certo, era o que tinha que ser, como eu teria evoluído se tivesse continuado pensando igual? É muito bom lembrar dos anos passados, mas não podemos deixar de entender que o tempo nos ensina, nos aprimora, nos faz enxergar muita coisa que só aprendemos depois de ter vivido.

Mudei sim, mas o mundo também mudou. Minha geração carrega lembranças maravilhosas, mas não poderíamos aplicar o que vivemos hoje, nem mesmo a forma de comunicação não é mais igual. Nossos filhos são adultos, agora já temos netos; estamos vendo crescer nossa terceira geração, e isso é evoluir e aceitar as diferenças.

Não somos mais os mesmos, nem na aparência. Nossos cabelos branquearam, a pele já não é mais a mesma, o ar jovial ficou lá atrás, mas isso não nos faz velhos; apenas se quisermos. Podemos sair, fazer exercícios, ouvir música, chorar de rir, lembrar e contar histórias. Isso é vida pulsando, constante, que vibra.

A metamorfose sempre vai existir, assim teremos sempre o que lembrar, do que éramos, do que passou. Até o tempo muda, de sol pra chuva, de frio pra calor, de hora em hora. Mas sempre vai amanhecer de novo.

Deixe suas escolhas mudarem, sua aparência, suas atitudes. Só não deixe mudar a alegria de viver, essa anda de mão dada com a vida, e quando se solta a mão, ela vai morrer.