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A vida aprisionada das mulheres

Aprisionadas, basta ser mulher. Nem mesmo numa casa vigiada por câmeras 24 horas por dia não adiantou nada, o assédio aconteceu assim mesmo, imagina no dia a dia em escritórios, casas, ruas, lugares públicos, quem vai saber que estamos sendo ameaçadas? Nós é que temos que tomar cuidado até mesmo dentro de um supermercado ou loja lotados?

Passam-se anos e só ouvimos notícias, nunca solução, já que vivemos em uma sociedade machista que não evolui. Precisamos começar a ensinar às crianças na escola, já que muitos pais dão o mau exemplo em casa. Além disso, ter leis mais eficazes contra esses machistas que acham que somos objeto, um brinquedinho nas mãos do menino que não aprendeu a respeitar uma mulher, e cresce abusando, ferindo, humilhando.

Afinal, é a falta de educação dentro de casa que faz com que seja urgente que as crianças aprendam que mulher, preto, homossexual, deficiente, entre outras vítimas de preconceito, são seres humanos com sentimentos e direitos, assim como você, que é preconceituoso, branco, hétero, e até asqueroso com mulher. A criança que crescer sabendo que as diferenças existem será um adulto educado e respeitoso.

“O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então. Os registros oficiais de feminicídios apontam para quatro mulheres mortas por dia no ano passado.” (Dados do G1 em 20/1/2026).

 Agora pergunto: Qual o motivo de tanto ódio? A mulher afeta tanto assim a masculinidade somente por ter a independência e a liberdade que sempre lhes foram tolhidas? O sexo “frágil” é o masculino, sabe por quê? Precisa matar, machucar e humilhar para se sentir maior, mas não adianta, se uma mulher não engravidar, não haverá ser humano no mundo.

A desigualdade entre os gêneros chegou ao limite do intolerável, esses homens precisam de um choque de realidade, pagar pelos atos e não apenas ter leis que em nada protegem as mulheres. Machucou, agrediu, gritou, impediu de ser quem você é, paga pelo ato. Está muito fácil, enquanto não mexer no bolso ou na liberdade, continuará a ser assim. Medida protetiva sem tornozeleira eletrônica? Não vale de nada.

Saímos com medo, pois eles estão em todo lugar, estamos cada vez mais vulneráveis. Não somos admiradas, somos alvo da violência que mais mata em tempos do maior nível de desequilíbrio mental que já vivemos, o ódio contra as mulheres. Ou tudo muda, ou teremos de andar com seguranças? A que ponto chegamos.

O feminicídio tratado com arrogância

Hoje não pretendia voltar ao tema ‘violência contra a mulher’, mas me vi obrigada porque algumas situações são inadmissíveis e exigem posicionamento. No fim de semana presenciei a atitude de dois indivíduos, um tanto duvidosos, em um local público. O lugar estava cheio, principalmente de casais, quando, para a infelicidade de todos, esses dois entraram e, apenas bebendo, falavam alto e com arrogância, para que todos pudessem ouvir, sobre crimes contra a mulher, qualquer mulher, incluindo a de um deles.

Não vou contar os detalhes sórdidos dessa triste cena que presenciei, mesmo porque parecia uma cena ensaiada, com a intenção de provocar. Ninguém se manifestou, ninguém ali estava com a mesma intenção deles, apenas um momento de descontração, mas não foi o que aconteceu. Hoje venho pedir uma reflexão não apenas pelo comportamento do ser humano, mas, principalmente, pela índole provocativa, pelo chamado à confusão, pelo propósito simplesmente de incomodar com propostas graves, mas que aos olhos de um ser nitidamente sem nada de melhor a oferecer, chama atenção pelas próprias insanidades e maledicências, como se fosse um troféu.

Nossa sociedade vive em constante tensão nos abusos contra a mulher, por mais que se fale no assunto, parece que querem aparecer mais e mais, como se isso fosse um direito do homem para ganhar o título de poderoso. Isso não existe, definitivamente estamos em outro patamar, onde o machismo não cabe mais, muito menos o feminicídio falado abertamente em alto tom para quem quiser ouvir, e sem represálias, como de fato aconteceu.

Certamente o fim está mais próximo do que imaginamos, estamos num momento de absurdos, pessoas atropelando outras pessoas sem dó, carros sendo jogados para cima de propósito – com a intenção de matar, tiros por puro ‘nervosismo’, a palavra é bem outra. E agora matar é motivo de orgulho, e todos têm que saber disso, gera medo.

Segundo o portal do G1, em reportagem publicada em 3/7/2024,” 0 Brasil registrou 1.463 casos de mulheres que foram vítimas de feminicídio no ano passado — ou seja, cerca de 1 caso a cada 6 horas. Esse é o maior número registrado desde que a lei contra feminicídio foi criada, em 2015.” É inadmissível que ainda haja homens tão inescrupulosos que falem em alto e bom tom sobre matar uma mulher. Não existe nada que justifique matar alguém, muito menos se orgulhar disso. Pior do que falar é afirmar que faz e que essa é a maneira de punir uma mulher.

Até quando teremos que conviver com isso? Estamos no segundo milênio, no século XXI, já se passaram vinte e quatro anos do início, tudo mudou. As mulheres hoje contam com leis a seu favor, não existe mais inocente, não existe mais o medo e a vergonha de falar sobre o que acontece dentro de casa. Se existe homem que ainda acha que tem que matar a mulher, então também existe lei que leva pra cadeia homem assassino.

Não podemos mais admitir isso, mulher é um ser humano, trabalha, estuda, vive. Espero ainda ver mais amor do que ódio, mais respeito, mais educação. Sim, isso também é educação; incomodar é falta de educação, mas se vangloriar de matar, isso é o fim.